CAPA

As novas caras do Mercado de Pinheiros

A chegada de casas de chefs badalados e uma reforma de 1,6 milhão de reais incrementam o perfil do entreposto de Pinheiros e aumentam o movimento em 40%

Por: Arnaldo Lorençato e Maurício Xavier - Atualizado em

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Gonzales, Atala e Oliveira: atuantes na revitalização em curso no local (Foto: PAULO VITALE)

Na rota vaidosa da alta culinária, fica fácil encontrar chefs renomados em bairros como Jardins e Itaim e em shoppings luxuosos, entre eles o Cidade Jardim e o Iguatemi. Surpresa mesmo é ter um time de astros do fogão no Mercado Municipal de Pinheiros. Até alguns anos atrás, o endereço era decadente, com estandes vazios, problemas de infiltração e rede elétrica precária. Parecia o ponto mais improvável de entrar na rota de bons programas da cidade. Ainda que timidamente, ocenário começou a mudar há cinco anos, com a reforma de um agradável deque na área externa. O grande marco da virada, no entanto, ocorreu com a chegada ao local de um trio formado por algumas das maiores estrelas da gastronomia da capital. O último profissional de peso a desembarcar no lugar foi Alex Atala, dono dos premiados D.O.M. e Dalva e Dito. No começo deste mês, ele pôs em funcionamento uma loja dedicada a produtos amazônicos e da Mata Atlântica, resultado de uma parceriado Atá, organização gerida por ele, com os institutos Socioambiental e Auá. Estão em exposição itens como a conserva de cambuci e o mel orgânico do Xingu. “Sempre me interessei pela localização deste prédio, e tenho orgulho de ajudar no seu renascimento”, diz.

A nova fase do mercado começou a ganhar impulso no fim de 2012, com a realização de algumas edições de uma feira itinerante organizada pelo chef Checho Gonzales. Nessas ocasiões, barracas de comida e food trucks ocupavam a área externa do entreposto aos domingos. “Descobri que havia um boxe vazio e decidi criar a Comedoria Gonzales”, conta. Na abertura, em outubro de 2014, o boliviano especialista em ceviches assustou‑se com o baixo número de pessoas atendidas: apenas onze. No dia seguinte, ufa!, o lugar bombou. Hoje, recebe cerca de 150 clientes por dia e chega a servir 400 aos sábados. Durante a semana, o disputado balcão é ocupado por executivos da região e publicitários da Vila Madalena. Aos sábados, além de moradores do pedaço, as cadeiras são ocupadas tanto por gente riscada de tatuagem quanto por mulheres montadas no salto alto. Com um tíquete médio de 30 reais, o local fatura cerca de 140 000 reais por mês. Desde o início, uma das preocupações do chef envolveu a compra de insumos dos colegas do edifício. Os pescados vêm da vizinha peixaria Nossa Senhora de Fátima.

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O boxe Pampas, um dos novos negócios: produtos da Região Sul  (Foto: PAULO VITALE)

Depois de Gonzales, foi a vez de Rodrigo Oliveira desembarcar no pedaço. Em dezembro, ele levou para o endereço em Pinheiros o Mocotó Café, uma versão de bolso de seu restaurante Mocotó, localizado na Vila Medeiros. Como é dono também do premiado Esquina Mocotó e dedica atenção total às casas da Zona Norte, conhecidas pelas filas quilométricas na porta, escalou o chef Alex Gomes para tocar o negócio. “Temos o menor dos novos boxes, mas investimos 250 000 reais no projeto, que inclui refrigeração e exaustão”, diz Oliveira. A favor, conta o fato de poder esparramar as mesas por parte do deque. Ali se saboreia um baião de dois completo em pratinho descartável por 24 reais.

A chegada do trio de chefs ajudou a atrair mais profissionais para a área. Incentivados por Atala, estrearam junto com ele duas lojas com produtos dos pampas e do cerrado. A operação dos artigos do Sul está nas mãos de Marcos Livi, dono dos bares Quintana e Verissimo, na Chácara Flora e no Brooklin, respectivamente. O empresário coloca em seus estandes e refrigeradores os queijos serrano e colonial, além de uma ótima copa.

Na loja vizinha ficam os itens garimpados no Centro-Oeste, como castanhas-de-baru, ainda raridade na capital. Outro novo inquilino chegou porconta própria. Conhecido pelos sanduíches na extinta lanchonete Kod Burger, o chef Bruno Alves acaba de assumir o antigo ponto do Laticínios D’Oro. “Entramos há um mês, e faremos uma mudança gradual”, explica Alves. Embora esteja em fase de testes, o local já oferece gravlax de pirarucu e de pintado e queijo canastra defumado na madeira de cambará. Na reinauguração oficial, prevista para maio, o boxe passará a se chamar Delika.

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O chef Bruno Alves: espaço em fase de testes (Foto: MAURÍCIO FIDALGO)

Dona do edifício, a prefeitura bancou uma reforma de 1,6 milhão de reais, iniciada em outubro. As obras incluíram a remodelação do deque, pintura interna e externa e manutenção das redes hidráulica e elétrica, com instalação de iluminação de LED. “Uma preocupação foi dialogar com a associação dos permissionários para não descaracterizaro endereço”, diz o secretário municipal do Desenvolvimento,Trabalho e Empreendedorismo, Artur Henrique. Em contrapartida, Atala, um dos principais entusiastas do projeto de revitalização, conseguiu parceiros para colaborar na melhoria dos banheiros, que devem estar em funcionamento nesta semana, e cuidará da agenda cultural do mercado. “Traremos nossos produtores para ministrar cursos epalestras sobre a importância e o uso de ingredientes brasileiros”, afirma.

Esses encontros devem ocorrer na área livre em frente ao estande, onde antes funcionava um hortifrúti. Para marcar a nova fase, uma festa intitulada Conexão São Paulo-Biomas está programada para a próxima quarta (16), entre 13 e 17 horas. Haverá palestras, seminários e degustação, e o evento deve receber 500 convidados (confira a programação completa em vejasaopaulo.com.br/lorencato).

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Os irmãos Alexandre e Álvaro, da peixaria: 30% mais de faturamento (Foto: MAURÍCIO FIDALGO)

Localizado no número 89 da acanhada Rua Pedro Cristi — uma pequena via colada ao Largo da Batata e paralela à movimentada Rua Teodoro Sampaio —, o prédio de dois pavimentos e 4 196 metros quadrados tem no seu interior duas rampas e duas escadarias ligando o térreo ao mezanino. Nesse espaço, distribuem-se 38 boxes, onde podem ser encontrados produtos tradicionais como hortaliças e carnes. Há ainda entre os velhos ocupantes uma charutaria, que vende fumo de corda, e uma banca especializada em pertences para feijoada. Desde 2012, a frequência cresceu aproximadamente 40%. Atualmente, a movimentação é de cerca de 800 pessoas por dia, e chega a 1 200 aos sábados (não abre aos domingos).

A circulação de clientes também causou impactos nos ocupantes antigos. “Há uma clara mudança de visibilidade”, relata Alexandre dos Santos, presidente da associação de comerciantes do local. “Meu faturamento aumentou 30% em um ano, e hoje gira em torno de 250 000 reais por mês”, completa ele, integrante da terceira geração de donos da peixaria Nossa Senhora de Fátima, fundada por seu avô, Porfírio dos Santos, em 1963. Nem todos, no entanto, comemoram com o mesmo entusiasmo. Um dos negócios veteranos do pedaço, a Casa de Carnes RJ não registrou frenesi em sua caixa registradora. "O público vem só para comer, não para comprar", lamenta o proprietário, José Raimundo Alexandre, de 79 anos, no mercado desde 1957. "Atendo uns vinte clientes por dia."

A desconfiança em relação ao novo "astral" ganha coro entre alguns fregueses. Uma reunião chegou a ser marcada para discutir a ameaça de "gourmetização" do local, mas as conversas não avançaram. "Meu receio é que haja uma substituição da turma antiga", afirma a urbanista Laura Sobral, vizinha e frequentadora do mercado há anos. "Queremos continuar encontrando frutas e verduras", completa ela, uma das líderes do movimento A Batata Precisa de Você, que luta por melhorias na região. Os recém-chegados garantem que a velha-guarda permanecerá intocada. "Ocupamos espaços vazios. Essa história de expulsar os comerciantes tradicionais é lenda", assegura Checho Gonzales.

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O antigo Mercado dos Caipiras, no começo do século XX: o comércio de batata serviu para batizar a região (Foto: Raul Gold Schmidt)

A revitalização de mercados não é um fenômeno paulistano. Ocorre nas grandes metrópoles do mundo, onde eles se transformam em pontos turísticos. Em Londres, por exemplo, o Borough Market atrai multidões em busca de queijos ingleses orgânicos e outros itens. Na Espanha, o mais famoso desses entrepostos é o La Boqueria, de Barcelona, com incrível variedade de pescados frescos e cogumelos. Ainda no país ibérico, a capital, Madri, vem promovendo a recuperação de seus entrepostos, que passaram a receber legiões de consumidores. Dez aparecem em destaque em guias internacionais, mas nenhum se compara à joia arquitetônica do de San Miguel, ao lado da Plaza Mayor. Não era de estranhar que a onda chegasse a São Paulo.

Antes de descobrir sua vocação turística, o Mercado de Pinheiros teve longa trajetória. O comércio popular no entorno remonta ao século XIX. Por volta dessa época, carroceiros provenientes do norte e com destino ao oeste do estado — por rotas que futuramente se transformariam nas rodovias Anhanguera e Raposo Tavares — estacionavam às margens do então serpenteante Rio Pinheiros para vender seus artigos. Uma das hortaliças mais comuns oferecidas por esses fazendeiros era a batata, motivo pelo qual o largo dali seria batizado com esse nome.

Em 1910, a feira informal motivou a abertura do Mercado dos Caipiras, onde hoje está a estação de metrô. A construção da Avenida Brigadeiro Faria Lima levou à demolição do espaço, em 1971, com a transferência do comércio para o edifício atual. Os primeiros anos na nova sede foram de bonança. As vendas eram turbinadas com as refeições servidas aos operários das obras da imponente via da Zona Oeste e com o abastecimento da despensa de famílias da alta sociedade paulistana. Ao longo da década de 70, era comum esbarrar com a cantora Inezita Barroso e o empresário Paulo Machado de Carvalho apertando frutas pelos corredores. “Os carros com o motorista dos figurões estacionavam em fila aqui na rua”, lembra Adalberto Xavier, dono da Mercearia Grãos Integrais desde 1971. “Perdemos relevância nos anos 80 com a proliferação dos supermercados”, diz. A esperança dele, e a de seus colegas, é que a recente safra de inquilinos famosos ajude a amadurecer novamente os negócios.

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O comerciante Adalberto Xavier: há quase cinquenta anos ali  (Foto: MAURÍCIO FIDALGO)

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  • Latinos

    La Mar Cebicheria Peruana

    Rua Tabapuã, 1410, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3073 1213

    VejaSP
    15 avaliações

    Gastón Acurio, chef‑celebridade do Peru e criador desta franquia, ajudou a espalhar a culinária de seu país mundo afora com a abertura de várias unidades do La Mar. Prato nacional, o ceviche surge em versões como o misto (R$ 43,00), de peixe branco, lula, camarão e polvo. Outro clássico, o chupe é uma sopa de camarão, batata, ovo, fava e pedaços de queijo branco (R$ 45,00). O fecho é dado com a musse de limão com sorvete, merengue e crocante de amêndoa (R$ 19,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Brasileiros

    Brasil a Gosto

    Rua Professor Azevedo Amaral, 70, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3086 3565

    8 avaliações
  • Portugueses

    Rancho Português - Leitão à Bairrada

    Avenida dos Bandeirantes, 1051, Vila Olímpia

    Tel: (11) 2639 2077

    VejaSP
    10 avaliações

    Precedido por um grande empório, no qual podem ser comprados de vinhos a queijos e de louças a peças de decoração, é indicado para ir sem pressa. O leitão (R$ 143,00, para dois) que dá nome à casa vem bronzeado e de pele quebradiça sob a qual se esconde a carne macia. Chamado de joão do grão (R$ 209,00, para três), o ótimo bacalhau é apresentado com grão-de- -bico, batata, cenoura e brócolis verdinhos, mas cozido demais. No arremate, um doce divino e raro: o pão de ló de ovos como só se encontra em Portugal (R$ 18,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante / Pubs

    Camden House

    Rua Manuel Guedes, 243, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2369 0488

    VejaSP
    3 avaliações

    É um pub com pegada gastronômica. Vencedor da categoria cozinha de bar no ano passado, continua um ótimo lugar para comer e beber. Uma novidade da chef e proprietária da casa, Elisa Hill, são os rolinhos de massa folhada com uma ótima linguiça, para mergulhar no molho barbecue (R$ 35,00 a porção). Outra atração, os pedaços de barriga de porco fritos com generosidade na gordura são cobertos de purê de maçã (R$ 38,00 a porção). Só não se sai tão bem o bolovo, meio frio no interior, mas acompanhado de uma deliciosa maionese defumada (R$ 11,00). Além da seleção mutante de chopes, dá para pedir um uísque sour com tamarindo, ácido na medida (R$ 31,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante

    Bar da Dona Onça

    Avenida Ipiranga, 200, Centro

    Tel: (11) 3257 2016

    VejaSP
    31 avaliações

    No decorrer do ano, a chef Janaina Rueda apareceu em programas de TV, reformulou a merenda da rede estadual e ajudou o marido, Jefferson Rueda, a montar A Casa do Porco Bar. Mesmo tão ocupada, ainda conseguiu manter a qualidade desta casa. Reinam no menu receitas difíceis de não agradar, como a moela úmida de aperitivo (R$ 43,00) e o mexido de arroz, feijão, carne moída, couve e farinha coberto de ovo frito (R$ 49,00). Saboroso, o bloody mary (R$ 32,00) é uma ótima maneira de iniciar a petiscaria.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Infantil / Musical

    O Palhaço e a Bailarina
    VejaSP
    6 avaliações
    Eis uma ousadia: O Palhaço e a Bailarina é uma história de amor para o público infantil. Poderia dar (muito) errado, mas funciona graças ao gabarito dos atores envolvidos. Conhecida de musicais como Mamma Mia! e O Fantasma da Ópera, entre muitos outros, a atriz Kiara Sasso assumiu ao lado de Lázaro Menezes a direção e a produção da peça desde o início. Em cena, eles vivem a Bailarina e o Palhaço, que querem se reencontrar após o dono do circo Tombo (o ótimo Marcelo Goes) ter sequestrado a dançarina para deixá-la trancada em uma caixinha de música gigante. Apesar do enredo dramático, não tema declarações melosas ou cenas constrangedoras. Aqui, impera a sutileza, desde as músicas da banda até os singelos passos da Bailarina que enche o teatro com sua voz pra lá de potente. A trama funciona tão bem que até as maldades do vilão merecem algumas gargalhadas. Recomendado a partir de 3 anos. Estreou em 6/3/2016. Até 27/11/2016.
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  • “Quem vem pra beira do mar nunca mais quer voltar”, diz Dorival Caymmi em uma das oito faixas do LP Canções Praieiras. Lançado em 1954, o disco que leva os ouvintes a uma Bahia idílica inspira Aprendendo com Dorival Caymmi, mostra com curadoria de Paulo Miyada em cartaz no Instituto Tomie Ohtake. A voz aveludada do cantor e compositor compõe a trilha sonora do espaço, mas está longe de ser só uma música de fundo. A ideia é explorar como esse imaginário de sombra e água fresca, tão bem representado nas canções, virou tema de outras artes. Uma série de 33 deslumbrantes telas de José Pancetti retrata paisagens litorâneas e dá o tom do conjunto. Empregado na Marinha em 1922, ele pintava nos momentos de folga ou solidão em alto-mar. A dupla Caymmi-Pancetti já seria o suficiente para preencher olhos e ouvidos, mas há uma reunião primorosa de outros dezenove artistas que respondem à original proposta de Miyada. Fotografias em preto e branco de Alice Brill, Pierre Verger e Marcel Gautherot, tiradas nas décadas de 40 e 50, revelam a atmosfera lenta e preguiçosa do pescador, enquanto imagens contemporâneas de Cao Guimarães captam momentos de dorminhocos na praia. Para apreciar o clima contagiante, não deixe de relaxar na Poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, feita para ser vendida numa sonhada loja pé na areia, no Rio de Janeiro, que nunca saiu do papel.
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  • Museus

    Paço das Artes

    Avenida Da Universidade, 1, Butantã

    Tel: (11) 3814 4832

    1 avaliação

    O prédio de arquitetura modernista foi construído na década de 1970, dentro da Cidade Universitária para abrigar exposições de arte contemporânea, promover cursos e palestras. O espaço tem vocação experimental e promove, em sua Temporada de Projetos, artistas, curadores e críticos emergentes. 

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  • Comédia dramática

    Com Amor, Brigitte
    VejaSP
    4 avaliações
    Escrita por Franz Keppler, a comédia dramática Com Amor, Brigitte baseia-se em um episódio real vivido por Brigitte Bardot no Rio de Janeiro dos anos 60: sufocada pelo assédio da imprensa e dos fãs, a atriz passou quatro dias reclusa em um apartamento de amigos, antes de seguir para Búzios. Na ficção, a atriz (papel de Bruna Thedy) foge para o endereço de um sujeito aparentemente simplório, que trabalha como camareiro do hotel em que ela deveria ficar, interpretado por André Correa. Pouco convencional, a montagem dirigida por Fábio Ock usa uma câmera para captar e projetar ao vivo imagens de Brigitte/Bruna. O recurso, além de impor uma experiência pouco usual ao espectador, não o deixa esquecer que aquela mulher carrega o peso de estar sempre sob os holofotes e ser símbolo de uma época. Mas a peça vai além das obviedades biográficas. Em boa sintonia, os atores trafegam entre o humor e a emoção e vão entregando, aos poucos, que existem mais semelhanças do que diferenças entre os seus personagens, muito bem desenhados pelo autor da peça. A insegurança, o medo de se machucar e, principalmente, a solidão estão entre elas. Estreou em 26/2/2016. Até 31/7/2016.
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  • Comédia

    Portátil
    VejaSP
    Sem avaliação
    Não adianta procurar a sinopse do espetáculo Portátil, pois ela não existe. Trata-se de uma comédia de improviso, que é criada na hora por três integrantes do grupo de humor Porta dos Fundos, Gregorio Duvivier, João Vicente de Castro e Luis Lobianco, mais o ator colombiano Gustavo Miranda, que é especializado em técnicas de improvisação. Ao erguer a mão e topar contar como seus pais se conheceram, um espectador qualquer se torna o protagonista da trama. Inventar tudo ali, cena após cena, durante pouco mais de uma hora, não é tarefa das mais fáceis. É natural, portanto, que vez ou outra apareça uma piada sem graça. O que sobressai, contudo, é a harmonia, o timing cômico e a originalidade do quarteto e também de Andrés Giraldo — cabem a ele a luz, a música e outros efeitos sonoros que acompanham as cenas. A direção é de Bárbara Duvivier, irmã de Gregório. Estreou em 5/3/2016. Até 17/4/2016.
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  • Estamos passando por uma temporada de nostalgia. Primeiro, Olivia Newton- John celebrou aqui, no início de março, seus cinquenta anos de carreira. Na semana seguinte, o romântico Lionel Richie deu o ar da graça. Para continuar na onda retrô — e igualmente açucarada —, a cidade recebe agora os ingleses do Simply Red, que chegam com o show de trinta anos de trajetória. Ao contrário das duas atrações anteriores, focadas só em hits do passado, Mick Hucknall e sua turma mostram material fresco do álbum Big Love, de 2015. Antes disso, o vocalista havia anunciado aos quatro ventos que não faria mais turnês. Pagou a língua no ano passado, quando o disco, que foi lançado com a promessa de unicamente comemorar a data, ganhou a estrada. O trabalho recente contém doze faixas, todas escritas por Hucknall. São baladas melosas ou dançantes cheias de influência de soul e groove, perfeitas para uma viagem ao clima da década de 80. Bom exemplo é a canção Shine On ou a disco Daydreaming. Com a voz intacta, o músico presta uma homenagem ao seu pai na simples e emocionante Dad. Para dançar juntinho, aguarde a faixa-título, Each Day ou Love Wonders. Não precisa suspirar pela ausência de Money’s Too Tight (to Mention), Hold Back the Years e If You Don’t Know Me Right Now. Para o alívio dos fãs, elas também devem ter seu espaço na noite. Dia 15/3/2016.
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  • Lisa Simone, de 53 anos, demorou para enveredar pelo caminho da mãe, Nina Simone, ícone da música dos Estados Unidos. Antes, serviu na Força Aérea americana e participou de montagens como Aida e Les Misérables. Foi só em 2009 que seguiu de vez o DNA da família pelo jazz. Ela apresenta seu primeiro disco-solo, All Is Well, com uma mescla de soul e música popular na Sala São Paulo. Espere também por uma versão linda de Ain’t Got No Life. Dia 15/3/2016.
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  • Ficção científica

    Convergente
    VejaSP
    Sem avaliação
    Virou moda. Assim como em Crepúsculo e Jogos Vorazes, o último capítulo da cinessérie Divergente, inspirada na trilogia de livros de Veronica Roth, foi dividido em duas partes. Convergente estreia agora e o fim da história, chamado Ascendente, ficou para junho de 2017. Trata-se, portanto, de mais um miolo da trama, típica sequência para interessar aos fãs. Ao menos, ao contrário de Insurgente, de 2015, aqui há um roteiro polpudo, revelações e surpresas. No filme anterior, Tris (Shailene Woodley) e seu namorado, Quatro (Theo James), estavam prestes a sair de Chicago, destruída e dividida em facções, e pular um alto muro em busca de uma nova vida. Dito e feito. O casal foge para, finalmente, saber o que existe do lado de lá e ganha a companhia do dissimulado Peter (Miles Teller), de Christina (Zoë Kravitz) e de Caleb (Ansel Elgort), irmão de Tris. Segue a jornada rumo ao desconhecido. A sociedade distópica (muito parecida com a de Jogos Vorazes) tem jovens na linha de frente trabalhando para um senhor controlador (papel de Jeff Daniels). A ambiência do futuro ganha as cores de planeta vermelho com construções e naves espacias de modelos arrojados. Efeitos visuais ajudam a contornar uma ou outra passagem em que a narrativa cai no ponto morto. Inexpressiva (muito por causa do momento apático da personagem), Shailene Woodley abre espaço para seu parceiro, Theo James, arregaçar as mangas e bancar o herói. A conclusão? Só nos resta esperar mais de um ano para saber qual será o desfecho. Estreou em 10/3/2016.
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  • O diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf (de A Caminho de Kandahar) diz ter se inspirado nos líderes derrubados na Primavera Árabe, no Oriente Médio e no norte da África, para fazer O Presidente. Portanto, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. A sequência de abertura ilustra bem o poder desmedido do chefe de uma nação fictícia — as filmagens ocorreram na Geórgia. Com o pequeno neto (Dachi Orvelashvili) no colo, o velho ditador (Misha Gomiashvili) manda apagar todas as luzes da cidade. Não tarda, porém, para levar o troco, após anos de um regime que deixou o povo na miséria. Após sua família fugir do país, ele tenta voltar ao palácio, mas as ruas já estão tomadas por confrontos entre a polícia e os revolucionários. Sem saída e com a cabeça a prêmio, o presidente e o neto se disfarçam para não ser capturados. Filmando e vivendo fora do Irã, Makhmalbaf deixou seu cinema com uma cara mais, digamos, universal. Seu protagonista tem o comportamento e a postura de muitos governadores dos regimes totalitários. O realizador incita uma reflexão na tortuosa trajetória do garoto e do avô. Embora haja um olhar ingênuo para a situação (sob o ponto de vista do menino), predomina o caos da realidade em um clima tenso e pesado, muitas vezes didático. No caldeirão aceso por discussões plurais, os soldados, a população e os torturados políticos têm opiniões divergentes, e, da falta de entendimento, nasce o impasse. Assim está o mundo. Estreou em 10/3/2016.
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  • Quem perdeu alguns dos melhores filmes de 2015 tem uma nova oportunidade de vê-los. Até o dia 25, o Centro Cultural São Paulo apresenta a mostra Breves e Inéditos, com dezoito longas-metragens, alguns inéditos e outros que entraram em circuito restrito. Entre as boas pedidas estão As Maravilhas, Party Girl e Quando Meus Pais Não Estão em Casa. Também vale investir na original comédia francesa Uma Nova Amiga, estrelada por Romain Duris e programada para quinta (17/3), às 17h15. O ingresso custa R$ 1,00. De 10 a 25/3/2016. Confira a programação: Quinta, 10 de março 15h - Homem Comum (2014), de Carlos Nader 17h - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo (2015), de Bennett Miller 20h - As Maravilhas (2014), de Alice Rohrwacher Sexta, 11 de março 15h10 - Respire (2014), de Mélanie Laurent 17h10 - Nocaute (2015), de Antoine Fuqua 19h30 - Love (2015), de Gaspar Noé Sábado, 12 de março 15h - Amor à Primeira Briga (2015), de Thomas Cailley 17h - Uma Nova Amiga (2014), de François Ozon 19h10 - De Cabeça Erguida (2015), de Emmanuelle Bercot Domingo, 13 de março 15h10 - Winter Sleep (2014), de Nuri Bilge Ceylan 19h - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo (2015), de Bennett Miller Terça, 15 de março 14h - Winter Sleep (2014), de Nuri Bilge Ceylan 17h40 - Sicario - Terra de Ninguém (2015), de Denis Villeneuve 20h - De Cabeça Erguida (2015), de Emmanuelle Bercot Quarta, 16 de março 15h - Amor à Primeira Briga (2015), de Thomas Cailley 17h - Malala (2015), de Davis Guggenheim 19h30 - Descompensada (2014), de Judd Apatow Quinta, 17 de março 15h - Quando meus Pais não Estão em Casa (2013), de Anthony Chen 17h15 - Uma Nova Amiga (2014), de François Ozon 19h30 - Homem Comum (2014), de Carlos Nader Sexta, 18 de março 15h30 - As Mil e Uma Noites, Volume 1 - O Inquieto (2015), de Miguel Gomes 18h - Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (2014), de Roy Andersson 20h - Love (2015), de Gaspar Noé Sábado, 19 de março 15h - Malala (2015), de Davis Guggenheim 17h30 - Quando meus Pais não Estão em Casa (2013), de Anthony Chen 19h30 - Sicario - Terra de Ninguém (2015), de Denis Villeneuve Domingo, 20 de março 15h30 - Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (2014), de Roy Andersson 17h30 - As Mil e Uma Noites, Volume 1 - O Inquieto (2015), de Miguel Gomes 20h - Descompensada (2014), de Judd Apatow Terça, 22 de março 15h10 - As Maravilhas (2014), de Alice Rohrwacher 17h30 - Respire (2014), de Mélanie Laurent 19h30 - Nocaute (2015), de Antoine Fuqua Quarta, 23 de março 16h30 - As Maravilhas (2014), de Alice Rohrwacher 19h - Winter Sleep (2014), de Nuri Bilge Ceylan Quinta, 24 de março 16h - Party Girl (2013), de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis 18h - Sr. Sherlock Holmes (2015), de Bill Condon Sexta, 25 de março 17h - Sr. Sherlock Holmes (2015), de Bill Condon 20h - Party Girl (2013), de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis
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  • Numa pequena cidade da Califórnia, em meados dos anos 40, Pepper Flynt Busbee (Jakob Salvati) virou vítima das chacotas de outros meninos por causa de sua baixa estatura. Seu único amigo, portanto, é seu pai (Michael Rapaport). Quando este parte para juntar-se aos aliados na II Guerra, o pequeno embarca numa maré de revolta. Consegue, porém, ser contido por um padre, que o obriga a cumprir alguns “mandamentos” a fim de resgatar a fé. A primeira missão consiste em aproximar-se do senhor Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa), maltratado pela população por causa de sua origem. Little Boy — Além do Impossível, lançamento exclusivo da rede Cinépolis, segue o filão do filme cristão e tem uma fórmula capaz de cativar quem procura entretenimento do gênero. Como pano de fundo de uma melosa (e previsível) mensagem edificante, surge um tema bem mais interessante: o preconceito dos americanos contra japoneses radicados nos Estados Unidos naquela época. Estreou em 10/3/2016.
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  • Tomas Eldan (James Franco) isolou-se da namorada (Rachel McAdams) para poder escrever seu novo livro em paz. Mas, por um revés do destino, sua vida toma outro rumo quando, acidentalmente, ele atropela um garotinho, filho caçula da ilustradora Kate (Charlotte Gainsbourg). Dois anos depois, a mãe ainda sente sequelas do drama, mas conseguiu se reerguer na companhia do primogênito (Jack Fulton). O escritor, contudo, continua em busca de uma saída para sua crise existencial. Grande diretor alemão de obras-primas como Paris, Texas (1984) e Asas do Desejo (1987), o alemão Wim Wenders adapta para o cinema um roteiro do norueguês Bjorn Olaf Johannessen. De um ponto de partida extremamente impactante, a história vai perdendo a carga emocional e se encaminhando para fazer jus ao título e ficar tudo bem. A trama atinge o clímax catorze anos depois do trágico episódio num reencontro marcante, porém gélido demais para causar comoção. Estreou em 10/3/2016.
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  • Guerreiras

    Atualizado em: 10.Ago.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO