Memória

'Memórias de um Gigolô' ganha os palcos como musical

Romance de Marcos Rey já inspirou filme e minissérie

Por: Dirceu Alves Jr.

Memórias de um Gigolô
Lauro Corona, Bruna Lombardi e Ney Latorraca: produção da Globo em 1986 (Foto: TV Globo/Eduardo França)

Com a estreia do musical Memórias de um Gigolô, dirigido por Miguel Falabella, o nome daquele que talvez seja o paulistano por excelência entre os escritores ganha nova atenção. Nascido no Brás, Edmundo Donato adotou o pseudônimo de Marcos Rey (1925-1999) e criou tramas de fácil compreensão ambientadas nos arredores dos Campos Elíseos, Luz, Barra Funda e Bixiga sem escorregar em estereótipos ou perfis óbvios da metrópole.

Lançado em 1968, Memórias de um Gigolô tornou-se o mais popular de seus romances e mostra o glamour — e a derrocada — da boemia e dos cabarés nas décadas de 20 e 30 por meio de um triângulo amoroso. O jovem Mariano se apaixona pela prostituta Lu, mas o cafetão da moça, Esmeraldo, batalha para minar o romance. O trio é representado no palco pelos atores Leonardo Miggiorin, Mariana Rios e Marcelo Serrado. O livro já originou um filme, em 1970, e uma minissérie da Rede Globo protagonizada por Lauro Corona, Bruna Lombardi e Ney Latorraca, em 1986.

Marcos Rey
Marcos Rey em 1996: histórias ambientadas na capital (Foto: Rogério Montenegro)

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A garotada também teve a chance de descobrir o prazer da leitura com suas narrativas. O Mistério do Cinco Estrelas, Sozinha no Mundo e O Rapto do Garoto de Ouro, publicados na década de 80, apresentavam a cidade como cenário de ágeis histórias de ação e suspense. O olhar meticuloso do escritor transformou-o em cronista de VEJA SÃO PAULO, e por sete anos ele reproduziu o cotidiano na revista. Marcos Rey morreu de um câncer fulminante aos 74 anos e, em uma de suas últimas entrevistas, afirmou que a vocação sempre esteve acima da vaidade. “Não penso na posteridade. Se eu conseguir escrever para o meu tempo, já acho muito”, disse ele, que vendeu 5,5 milhões de livros. A surpreendente vida de Rey pode ser conhecida na biografia Maldição e Glória, lançada pelo jornalista Carlos Maranhão em 2004.

Fonte: VEJA SÃO PAULO