Memória

O adeus a Inezita Barroso

Apresentadora, cantora e historiadora da música de raiz brasileira, rainha caipira morreu aos 90 anos

Por: Maurício Xavier

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Inezita Barroso no começo da carreira, em 1959: o violão entrou em sua vida aos 7 anos (Foto: Acervo Pessoal)

Ícone da música caipira, a cantora Inezita Barroso morreu de insuficiência respiratória aguda no último domingo (8), menos de uma semana após completar 90 anos. Nascida na Barra Funda em 4 de março de 1925, um domingo de Carnaval, ela começou a estudar  violão na infância e interessou-se pelas tradições populares durante temporadas na fazenda da família, no interior paulista.

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Iniciou a carreira na década de 50 e desde então lançou cerca de 100 álbuns, atuou em nove filmes e conquistou mais de 200 prêmios, entre eles o da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 2010, e a indicação à Academia Paulista de Letras, em 2014 (seria empossada em 2015). Em 1954, acabou sendo a primeira cantora contratada pela TV Record — passou ainda pela extinta TV Tupi antes de desembarcar na TV Cultura em 1980 para comandar o Viola, Minha Viola.

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Com a flha Marta,na capital, nos anos 50: criada na Barra Funda (Foto: Acervo pessoal)

No programa, voltado para a música de raiz, com modas de viola, lendas e danças, gravaria mais de 1 500 edições. Formada em biblioteconomia pela USP, Inezita percorreu o Brasil resgatando “causos” e canções, o que lhe rendeu o título de doutora honoris causa em folclore pela Universidade de Lisboa. Em novembro do ano passado, sua vida virou livro, narrado em primeira pessoa.

Fonte: VEJA SÃO PAULO