Gastronomia

Rua Doutor Melo Alves ganha uma série de bons restaurantes

Novos estabelecimentos ligados ao universo da boa mesa transformaram a rua nos Jardins num minipolo gastronômico

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

Le Jazz
A filial do Le Jazz: agito desde a inauguração, em agosto (Foto: Fernando Moraes)

Duas paixões motivaram a mudança do siciliano Domenico Mira para São Paulo. A empresária Adriana Mafra foi uma delas. Os dois se conheceram na Europa e se casaram por aqui, em 2009. Na vinda para cá, ele trouxe o sonho de abrir um restaurante italiano. O projeto demorou um pouco para se concretizar, mas acaba de sair do papel. Com inauguração prevista para quinta (8), a casa, que consumiu um investimento de 3,5 milhões de reais e acabou batizada com o nome do dono, ocupa um imóvel de 500 metros quadrados no último quarteirão da Rua Doutor Melo Alves, no Jardim Paulista, entre as ruas Estados Unidos e Oscar Freire. “Quando escolhi o local, há quase um ano, fiquei preocupado porque não tinha a badalação típica do bairro, mas hoje o cenário aqui está bem diferente”, diz Mira.

Domenico Mira
Mira, do Domenico: 3,5 milhões de reais investidos (Foto: Fernando Moraes)

A vizinhança do ponto confirma as impressões do restaurateur. Ali por perto, surgiram nos últimos tempos vários endereços ligados ao universo da boa mesa, transformando a Melo Alves num minipolo gastronômico. Nesse trecho, o pioneiro foi o francês La Paillote, que deixou o Ipiranga em 2010. Entre novatos e veteranos do pedaço, há dez boas alternativas numa distância de apenas quatro quarteirões. Em agosto, a via ganhou a filial do bistrô Le Jazz, que funciona em Pinheiros desde 2009. “Como estamos sempre lotados, queria uma unidade que fosse perto da matriz e achei que aqui conseguiríamos manter a atmosfera de descontração”, afirma o sócio Gil Carvalhosa. Especializada em doces alemães, a Leckerhaus abriu as portas em março entre as alamedas Lorena e Tietê. “Ainda não havia nenhuma loja com esse perfil na região, o que foi ótimo. Estou muito satisfeita com o movimento”, conta a proprietária, Fernanda Wainer. Quase na esquina com a Oscar Freire, surgiu recentemente a Magnum Store, idealizada para funcionar só até dezembro, que oferece variações do picolé da Kibon. O movimento serviu também para mexer com os brios de alguns dos antigos do pedaço. Surgido por ali em 2003, o restaurante Chakras, com menu contemporâneo, promete expandir seus negócios em breve. “Vou começar ainda neste ano as obras para a inauguração de um hotel na mesma área do Chakras e de um imóvel vizinho”, conta o dono, Miguel Reis. O prédio terá 42 quartos, investimento de 44 milhões de reais e deve ficar pronto até abril de 2013.

Leckerhaus
A Leckerhaus: em funcionamento desde março (Foto: Mario Rodrigues)

A movimentação faz parte de uma onda maior de inaugurações no bairro. “Há cada vez mais gente jovem morando aqui, e isso mudou a cara dos estabelecimentos, que agora estão mais descolados e modernos”, comenta Carvalhosa, que também é morador do pedaço. Até pouco tempo atrás, o trecho da Melo Alves nas proximidades da Estados Unidos, epicentro da atual onda, era eminentemente residencial. Os imóveis espaçosos e os preços mais baixos que osde outras ruas do bairro ajudaram a atrair os comerciantes. “Se eu tivesse optado pela Oscar Freire, o gasto extra no investimento inicial chegaria a 1,5 milhão dereais, entre luvas do ponto e pagamento de aluguel”, diz Mira. Como política de boa vizinhança, o empresário instalou um sistema especial de coifa que filtra e lava a fumaça, impedindo que o cheiro da comida se espalhe pela rua.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO