Música

Don Juan do funk, MC Livinho faz sucesso no YouTube

Com dois anos de carreira, vídeos do funkeiro chegam a atingir mais de 80 milhões de visualizações

Por: Vinicius Tamamoto

MC Livinho
O funkeiro: em dois anos de carreira, dois apartamentos e dois carros de luxo (Foto: Rogério Albuquerque)

Se você já se perdeu com a quantidade de funkeiros que estouraram nos últimos anos, prepare-se: o nome da vez tem corpo tatuado, barriga tanquinho e bigode à la Don Juan. O paulistano Oliver Decesary Santos, de 21 anos, conhecido como MC Livinho, virou hit. Seu videoclipe Cheia de Marra, lançado em maio, tornou-se um fenômeno do YouTube, a despeito do enredo politicamente incorreto (ele aparece seduzindo filha, mãe e avó). A peça alcançou mais de 67 milhões de visualizações em dois meses. Para se ter uma ideia da façanha, o famoso Beijinho no Ombro, de Valesca Popozuda, levou dois anos para atingir a mesma marca.

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O garoto tem uma biografia peculiar. De família evangélica, começou a se interessar por música na igreja que frequentava, no Jardim Peri, na Zona Norte. Ali, aprendeu a tocar violino e a ler partituras. Desistiu do gospel aos 15 anos, quando passou a fazer vídeos amadores cantando funk no YouTube, mas só ficou famoso aos 19, depois de seguir o conselho do produtor DJ Perera, popular por lançar MCs, e compor letras que descrevem situações pornográficas, cheias de palavrões. Assim nasceu a autoexplicativa Mulher Kama Sutra e uma versão boca-suja da canção-tema do desenho Branca de Neve intitulada Picada Fatal.

No fim de 2015, o MC decidiu pegar menos pesado nas composições. “Vi muita criança indo assistir aos shows, e não pegava bem.” Antes de Cheia de Marra, emplacou os hits Tudo de Bom e Bem Querer, com 83 milhões e 70 milhões de views até agora, respectivamente. “Quero conquistar o mundo”, ambiciona ele, que comprou dois apartamentos em Santana, num total estimado de 1 milhão de reais, e dois carros — um Ford Edge 2012 e um Range Rover Evoque zerinho.

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Livinho é um fenômeno musical exclusivo da internet e não aparece no topo das paradas radiofônicas. Os vinte shows mensais (com cachê a partir de 20 000 reais) costumam acontecer em casas noturnas da periferia, mas lotam. “Sou louca por ele”, afirma a estudante Natalia Leandra de Moraes, de 25 anos. Ela fez duas tatuagens em homenagem ao cantor e virou uma madrugada em frente a um condomínio para lhe desejar feliz Ano-Novo — só conseguiu cumprimentá-lo no dia seguinte.

ASCENSÃO METEÓRICA

Números colecionados em dois anos de carreira

2,7 milhões de seguidores no Instagram, na maioria mulheres

20 shows por mês, média de cinco por semana

20 000 reais é o valor mínimo do cachê (30 000 reais em alguns casos)

Assista ao videoclipe de Cheia de Marra:

Fonte: VEJA SÃO PAULO