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Dez motivos para ver "Roma — A Vida e os Imperadores"

A exibição segue até o próximo dia 22, no Masp

Por: Adriano Conter

Guido Clemente - Roma - A Vida e os Imperadores
Guido Clemente: curadoria italiana para brasileiros (Foto: Adriano Conter)

Com curadoria do professor italiano Guido Clemente, da Universidade de Florença, a ótima mostra "Roma — A Vida e os Imperadores" reúne no Masp 370 relíquias provenientes de instituições importantes, como o Museu Nacional Romano.

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Em cartaz até o próximo dia 22, a montagem é didática ao mesmo tempo em que evita simplificações. Entre outros objetos, joias, mosaicos, esculturas, vestimentas e até um cotidiano banco dobrável revelam o dia a dia do império.

Segundo Clemente, que foi diretor do Instituto Italiano de Cultura em São Paulo entre 2000 e 2005, a exibição sana uma deficiência cultural. "O brasileiro se vê como um povo latino, mas não tem conhecimento sobre as raízes desta cultura."

Confira abaixo dez motivos para visitar a exposição.

1. Logo na entrada da exibição, uma série de itens deixa claro que a mostra vai além dos bustos de mármore. Um diploma militar datado de 93 d.C. chama a atenção. A peça, formada por dois retângulos de bronze, é um de muitos decretos emitidos pelo imperador. O documento concedia aposentadoria aos soldados que eram dispensados depois de vinte ou mais anos, atestando os honráveis serviços prestados.

2. Mais a frente, o politeismo do império surgido um século antes de Cristo é apresentado no módulo "O mundo de Augusto. A cidade de Roma e seus monumentos". Segundo o curador, os deuses serviam para dar segurança ao povo. Aqui está a "Vênus Agachada", símbolo da arte romana na representação da divindade como mulher; e a favorita de Clemente, a "Deusa da Fortuna", em três peças: um trono decorado; uma cornucópia — ou chifre da abundância —, na mão esquerda; e a própria figura da deusa.

Estátua de Vênus Agachada  - Roma — A Vida e os Imperadores
"Estátua de Vênus Agachada": símbolo da arte romana na representação da divindade como mulher (Foto: Arquivo do Museu Nacional de Napoles)

3. Motivo de risos para as dezenas de alunos que visitam a atração, a estátua de um falo dedicada ao deus da fertilidade ou virilidade Príapo é difícil de não ser notada. O objeto é mais um que pretende ensinar um pouco sobre a cultura daquele povo. "Os romanos não cultivavam essa nossa atitude sexofóbica", explica Guido Clemente.

4. Entre bustos endeusados que aparecem como anjos, destacam-se algumas esculturas mais realísticas, como a representação de Nero, de I a.C., que revela um "jovem debochado", como define o professor.

5. A exposição ainda tem a única groma romana ainda existente. O utensílio, que servia para medir ruas e terrenos, é de material muito frágil, de difícil conservação.

6. Um elmo e um par de proteções para as pernas formam parte da armadura de um gladiador, em um módulo que trata apenas das atividades de "pão e circo".

7. Em mármore, as diversas máscaras trágicas expostas serviam para adornar os teatros. As feições imitam as máscars que eram usadas em encenações daquela época.

Roma — A Vida e os Imperadores
Elmo: peça faz parte de módulo que trata apenas das atividades de "pão e circo" (Foto: Arquivo do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles)

8. O "Monumento Funerário com Jovem" é uma sepultura restaurada em Roma especialmente para a exposição brasileira. Entre outros artigos funerários, repare no gestual dos casais representados. As mãos direitas dadas representam o casamento.

9. Pouco antes do fim, um afresco mostra, em pequenas cenas, tudo o que uma taverna poderia oferecer: sexo, jogo e bebida.

10. Representações da deusa egípcia Ísis e da cabeça de um jovem negro, na última parte da exposição, mostram as variadas origens dos costumes romanos (de tribos africanas a comunidades asiáticas).

Fonte: VEJA SÃO PAULO