Moda

Masp inaugura mostra com 79 peças de roupas antigas

As vestimentas foram produzidas nos anos 1960 por grandes nomes da arte plástica brasileira

Por: Julia Flamingo - Atualizado em

Rhodia
Roupa do pernambucano Francisco Brennand faz referência à arte popular brasileira (Foto: Eduardo Ortega)

Desde o ano passado, o Masp vem tomando medidas drásticas para deixar para trás a crise que vem afundando a sua reputação como um dos melhores museus da América Latina. A mudança em toda a equipe começou em setembro de 2014, quando o empresário Heitor Martins – que já passou pelo conselho da Fundação Bienal de São Paulo – foi eleito presidente da instituição.

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Heitor Martins
Heitor Martins: mudanças no Masp já podem ser usufruídas pelo público (Foto: Ali Karakas)

Não demorou muito para que as suas mudanças pudessem ser usufruídas pelo público. Com a criação do núcleo de moda, sob responsabilidade da jornalista Patrícia Carta, a próxima exposição do museu apresenta uma coleção que ficou escondida em seu acervo por mais de quarenta anos. Arte na Moda: Coleção Masp Rhodia, reúne 79 peças produzidas nos anos 1960 por artistas brasileiros como Alfredo Volpi, Manabu Mabe, Franscisco Brennand e Nelson Leirner.

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“Os núcleos estão resgatando a vocação que o museu sempre teve de propor um diálogo com o cotidiano”, afirma Patrícia Carta sobre as divisões curatoriais criadas pelo diretor artístico Adriano Pedrosa.

Rhodia
Roupa pop de Nelson Leirner (Foto: Eduardo Ortega)

Doadas em 1972 para a instituição, as roupas foram produzidas a partir de uma ação da empresa francesa Rhodia, que queria introduzir o fio sintético no país. “Até essa época, esse tipo de fio só era usado em lingeries”, explica Patrícia. Lívio Rangan, então gerente publicitário da Rhodia, sabia que precisaria criar o desejo pelo fio. Foi aí que convidou artistas plásticos consagrados para desenhar roupas arrojadas e extravagantes: elas revolucionaram a história do vestuário no país.

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Rhodia
Hércules Barsotti tem desenhos ligados à geometria (Foto: Eduardo Ortega)

Para os artistas, era uma oportunidade interessante de criar experiências estéticas fora das artes plásticas. As roupas passaram a participar dos chamados desfiles-shows: na Feira Nacional da Indústria Têxtil (FENIT), Rangan juntava moda com arte, música e teatro num espetáculo que atraía qualquer mulher brasileira.

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As vestimentas também viajavam o mundo, exibindo e enaltecendo a produção nacional para o mundo. “Esse foi o início da profissionalização da carreira de modelo no Brasil”, afirma Tomás Toledo, também curador da mostra. A última vez que o Masp trouxe a moda para seu espaço foi foi festival de Moda em 1971. Antes disso, já havia acontecido o desfile de Christian Dior, em 1951, e o desfile de moda brasileira em 1952.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO