Arte

Em processo de renovação, Masp traz de volta cavaletes de vidro

O museu, que renegociou 61 milhões de reais em dívidas, inaugura na sexta (11) o novo estilo de exposição, um marco de sua nova gestão

Por: Daniel Bergamasco e Julia Flamingo

Masp
Cavaletes de vidro no segundo andar do prédio fazem as obras "flutuarem" pelo espaço (Foto: Tomás Arthuzzi)

Para criar o poderoso acervo do Museu de Arte de São Paulo, em 1947, o empresário Assis Chateaubriand envolveu endinheirados paulistanos em uma chantagem descarada: promovia em seus jornais campanhas difamatórias contra os figurões até que liberassem dinheiro para a aquisição de pinturas assinadas por Van Gogh, Renoir, Monet, Rembrandt eoutros mitos. Na definição de uma reportagem da revista Time, publicada em 1954, sob o título “Senhor Robin Hood”, ele era “o homem que rouba Cézannes dos ricos para dar aos pobres”.

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Passados quase setenta anos, outros nomes da elite da cidade estão ajudando a transformar esse patrimônio de forma mais espontânea: em um ano, desembolsarammilhões de reais, lançaram mão de contatos e arregaçaram as mangas para resolver dívidas, promover mudanças estruturais e tentar trazer o cartão-postal de volta aos tempos áureos. Um marco importante dessa nova fase acontecerá na sexta (11), com o retorno dos cavaletes de vidro ao 2‚ andar, fechado desde junho para a reforma, que guarda as principais joias da coleção.

Concebidos por Lina Bo Bardi, esses suportes transparentes, que se tornaram icônicos, ganharam destaque internacional em 1968, quando o Masp inaugurou sua terceira e atual sede, desenhada pela arquiteta, na Avenida Paulista. São placas de vidro encaixadas em pequenos blocos de concreto.

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Detalhe dos cavaletes formados por bloco de concreto, madeira e vidro (Foto: Tomás Arthuzzi)

Presas à transparência, as telas parecem flutuar no ambiente, um prato cheio para visitantes que gostam de posar junto das obras e compartilhar o resultado em suas redes sociais. A proibição de fotografar a mostra permanente, vigente durante anos, foi derrubada. Saíram de cena também as marcas no chão que definiam a distância entre o público e o quadro— é possível aproximar- se por todos os lados.

No verso das telas, vê-se o fundo original das molduras, muitas vezes com selos de exposições nas quais estiveram ao longo de sua história. “A ideia é que o espectador escolha um caminho pelas obras e crie sua própria narrativa”, afirma Adriano Pedrosa, o atual diretor artístico. Em 1996, quando o museu estava sob o comando do arquiteto Julio Neves, os cavaletes foram extintos e deram lugar a paredes convencionais, agora derrubadas.

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Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, trabalha com curadores fixos do museu e outros curadores-adjuntos (Foto: Eduardo Ortega)

A volta às origens será celebrada com um coquetel para convidados na quinta (10), um dia antes da reabertura à população. Deve comparecer ao evento boa parte dos 83 membros do conselho, um colegiado de poderosos que passou a incluir nomes como Carlos Jereissati Filho (Grupo Iguatemi), Flávio Rocha (Riachuelo) e José Roberto Marinho (Organizações Globo). Eles foram atraídos pelo presidente do museu, Heitor Martins, eleito em setembro do ano passado.

O novo capitão assumiu o gigante com dívidas estimadas em 70 milhões dereais, e uma das primeiras regras foi que cada um dos conselheiros doasse 100 000 reais de imediato e 25 000 reais anuais. “Mas a questão vai muito além do dinheiro”, diz Martins. “Abrimos espaço para que todos pudessem, de fato, participar das mudanças.” Os membros são divididos em comitês consultivos, que discutem de programação a orçamento.

Além disso, são convidados constantemente a acionar seus contatos. Exemplo: com um telefonema de Geyse Diniz, mulher do empresário Abilio Diniz, o cantor Gilberto Gil topou fazer umshow gratuito para arrecadar fundos. Nos bastidores, diretores da organização conversam com o apresentador Luciano Huck para que se torne conselheiro. Avaliam que ele ofereceria um tipo único de influência à instituição.

Heitor Martins
O presidente Heitor Martins ganhou prestígio após seu trabalho à frente da Bienal de São Paulo entre 2009 e 2013 (Foto: Ricardo D'Angelo)

Filho de um obstetra e uma linguista especializada na literatura de Guimarães Rosa, Martins, de 48 anos, é casado com Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte, a principal feira do setor no país. A casa dos dois no Morumbi tem cara de galeria, repleta de obras de nomes como Adriana Varejão e Alfredo Volpi. Ele passou a ser cotado para o Masp após o trabalho à frente da Fundação Bienal de São Paulo entre 2009 e 2013, no qual organizou as contas.

+ Saiba como se tornar um amigo do Masp

Para a nova missão, buscou até mesmo figurões que não tinham vivência no mecenato, recrutadosde forma casual. “Ele me ligou dizendo que estava passando na Marginal Pinheiros e gostaria de tomar um café”, conta Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório de advocacia Pinheiro Neto, um dos primeiros “seduzidos” pela ideia e hoje membro da diretoria. Na visita, ouviu à queima roupa: “O que acha de fazermos um take over (assumir o comando) do Masp?”. A primeira medida do advogado foi analisar as responsabilidades legais que os voluntários poderiam ter, “inclusive em questões de patrimônio pessoal”.

Acabou cada vez mais interessado pelo tema e adquiriu peças de pintores como Paulo Pasta. Para Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa & Segurança, o convite veio em um almoço no restaurante Parigi. O resultado, além do engajamento na causa, foi o início de uma coleção particular, que inclui de Hélio Oiticica a Anita Malfatti. O trabalho criou uma espécie de “clube”.

No começo de 2016, os conselheiros devem ser recebidos em almoço na casa de Olavo Setubal, do Itaú, na luxuosa Fazenda Boa Vista, a cerca de 100 quilômetros da capital, com bons exemplares de arte brasileira. Planejam ainda viajar juntos para estudar pintura europeia (o Masp, por sinal, possui a melhor coleção estrangeira do continente, se excluídos os museus dos Estados Unidos).

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Jackson Schneider, da Embraer, e Alexandre Bertoldi, do Pinheiro Neto Advogados são alguns dos figurões envolvidos no trabalho voluntário (Foto: Ricardo D'Angelo)

Para Alfredo Setubal, vice-presidente do conselho do museu, a empreitada vem sendo “muito prazerosa”. “Mas tivemos de lidar com alguns esqueletos no armário”, conta. Segundo Lucas Pessôa, diretor de operações, a contribuição previdenciária dos funcionários não era recolhida. Entre diversas ações trabalhistas, uma delas caiu como bomba: a de Teixeira Coelho, curador desde 2006 e substituído na atual gestão por Pedrosa.

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As reivindicações de Coelho, estimadas na casa de 8 milhões de reais, incluem de saláriosatrasados a indenização por danos morais. Procurado, ele informa que “está tudo resolvido”, mas, de acordo com o museu, havia uma audiência agendada para a última sexta (4). “É um ingrato”, alfineta um conselheiro. No dia a dia, os problemas se mostraram os mais variados. No início do ano, durante manifestações contra o governo federal, um susto e tanto: um caminhão estacionou no vão livre do prédio e criou uma fissura nesse pavimento, que é o teto do 1º subsolo.

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Cartão-postal inaugurado em 1968: a principal coleção de arte europeia do mundo fora da Europa e dos Estados Unidos (Foto: Barbara Aguiar)

O maior fantasma, porém, era bem conhecido: um imbróglio judicial em torno do prédio ao lado. Em 2004, a companhia telefônica Vivo doou o espigão para que se transformasse em um anexo. Isso nunca aconteceu, e a empresa entrou na Justiça para reaver seu investimento, que chegou a ser calculado, com correção monetária, em 45 milhões de reais. Em setembro, um acordo foi selado: 10 milhões acabaram convertidos em prestações até 2036 e o restante ganhará forma em publicidade da marca em placas e cartazes.

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Os diretores Miguel Gutierrez, Juliana Siqueira de Sá e Lucas Pessôa: criação de programas de incentivo até empréstimo de obras (Foto: Tomás Arthuzzi)

Assim, resolveu-se a pior herança da gestão de Júlio Neves, que assumiu a presidência em 1994 e ficou lá por catorze anos. Em sua administração, foram emblemáticos o corte de luz do prédio, em 2006, e o roubo de quadros de Picasso e Portinari, no ano seguinte. Por outro lado, ele liderou uma reforma de 20 milhões de reais. “Lembro-me de ver, antes desses reparos mais recentes, funcionários posicionando baldes para aparar as goteiras”, diz Beatriz Camargo, gestora da entidade entre 2013 e 2014. Sobre o legado de endividamento, Neves justifica: “O problema de recursos sempre acompanhou a história do Masp”.

+ Café Suplicy abre duas unidades dentro do Masp

Pesa a seu favor o recorde de público: a exposição Monet — O Mestre do Impressionismo recebeu cerca de 400 000 pessoas em 1997. Com oscilações desde então, o total de visitantes chegou a 289 000 em 2014 e, neste ano, passou de 300 000, mesmo com o reajuste do ingresso, de 15 para 25 reais. A expectativa é crescer 50% em 2016.

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Nova livraria do Masp vende produtos da própria marca; os catálogos têm preço sugerido de 10 reais (Foto: Eduardo Ortega)

Para os frequentadores, a fase de melhorias vai além dos cavaletes de vidro. Em 2016, será feita, com o patrocínio do fabricante, a reforma dos elevadores, que se tornarão panorâmicos e serão reposicionados a fim de facilitar o fluxo de entrada. O café, antes com cara de cantina de escola, ganhou a bandeira Suplicy e uma segunda unidade. A loja passou a ter produtos próprios, de canecas a catálogos.

Até então inexistente, o programa de amigos do Masp, com ingresso livre e outras vantagens por uma anuidade de 140 reais (70 reais para estudantes e 100 reais no caso de pessoas acima de 60 anos), soma quase 900 adeptos, e a expectativa é crescer perto do Natal, já que é possível dar a inscrição de presente a alguém (saiba como ganhar 20% de desconto na filiação). “Um time forte é aquele que tem torcida”, compara a diretora jurídica, Juliana Siqueira de Sá. “Frequentadores engajados ajudam a atrair outros”, reforça o diretor financeiro, Miguel Gutierrez.

Para cuidar da programação, Pedrosa convidou cinco curadores adjuntos, divididos em áreas que vão de arte europeia a moda. A venezuelana Julieta González, responsável por peças modernas e contemporâneas, reeditará em março a mostra Playgrounds, só com obras interativas, feitas especialmente para o evento. Em abril, o italiano Luciano Migliaccio organiza Histórias da Infância, com quadros que retratam o universo infantil desde o Renascimento.

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Assis Chateubriand e Pietro Maria Bardi em inauguração da sede do museu na Avenida Paulista (Foto: Biblioteca e Centro de Documentação do Masp)

O acontecimento arrasa-quarteirão, porém, deve levar mais de dois anos para ser viabilizado, com telas de Van Gogh produzidas no tempo de sua estada em hospício de Saint-Rémy, em 1889. O Masp tem três exemplares desse período do holandês, e para a exposição precisará recorrer a instituições como os museus d’Orsay, de Paris, Van Gogh, de Amsterdã, e Metropolitan, de Nova York.

+ Entrevistamos a curadora-adjunta Lilia Schwarctz, responsável pelo núcleo de narrativas do Masp

O acervo poderoso do Masp (com 8 000 unidades, estimado entre 2 e 3 bilhões de reais) é crucial na negociação, pois as entidades estrangeiras também costumam operar na direção contrária, batendo à sua porta em busca de favores. Um episódio vivido pelo diretor operacional ao assumir o cargo, aliás, tornou-se sintomático daquilo que precisava ser mudado. O Metropolitan preparava uma mostra com uma série específica de cinco quadros de Cézanne — só faltava um que estava em posse do Masp para viabilizar a ideia. “O pedido, feito mais de um ano antes, estava sem resposta”, conta Pessôa.

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A rainha Elizabeth II na inaguração da atual sede (Foto: Biblioteca e Centro de Documentação do Masp)

“Quando liguei confirmando que mandaríamos esse Cézanne, quase choraram de emoção.” Hoje, estão em negociação um Édouard Manet, de interesse do Hamburger Kunsthalle, na Alemanha, e uma bailarina emblemática de Edgar Degas para a Galeria Nacional de Victoria, na Austrália. Quando essas raridades cruzam o oceano, ajudam também a tornar o nome do Masp mais conhecido do público internacional. Para os paulistanos, que sempre se orgulharam do cartão-postal, a nova fase do espaço certamente reforçará esse antigo caso de amor entre o museu e a cidade.

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  • Cozinha contemporânea

    Maní

    Rua Joaquim Antunes, 210, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3085 4148

    VejaSP
    14 avaliações

    O luxo de dois grandes chefs se encarregarem do mesmo menu tem um preço: R$ 470,00 — no caso, pela degustação completa assinada por Helena Rizzo e Daniel Redondo. As pedidas variam segundo a vontade da dupla, mas sempre têm combinação de sabores inesperados, como o nhoque de batata e gorgonzola no caldo de cebola adocicado e a garoupa cozida a baixa temperatura com escamas de peixe fritas (sim, você leu certo e elas são uma delícia). No menu fixo, o ótimo arroz de chorizo espanhol com grão-de-bico e peixe sai por R$ 105,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Pizzarias

    Pizza Bros - Moema

    Avenida Moema, 684, Moema

    2 avaliações
  • Espanhóis

    Museo Veronica

    Rua Tuim, 370, Moema

    Tel: (11) 5051 2654

    VejaSP
    19 avaliações

    O visitante não é atraído apenas pelo ambiente, de paredes vermelhas e quadros charmosamente tortos, mas pelo cardápio com preços que não machucam a carteira— a mesma qualidade do Maripili, casa dos mesmos sócios. Das pedidas com lula, o arroz incrementado por camarão carece de sabor (R$ 39,00), erro não repetido nas almôndegas de carne bovinas tingidas pela tinta do molusco (R$ 32,00). Nos dias de calor, vai bem uma sugestão sazonal, a salada murciana, de tomate, cebola, azeitona, atum e pimentão (R$ 20,00). Para encerrar, prove a torta de ricota e requeijão com passas ao anis (R$ 10,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Tatu Bar & Palco

    Rua Alves Guimarães, 153, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 3003

    VejaSP
    1 avaliação

    Mentalize: praia, totens, colar de fores, drinques coloridos. Pronto. Você já captou o espírito da cultura tiki, inspirada na Polinésia e no Havaí, que fez sucesso nos Estados Unidos no século passado.Toda semana, o experiente barman Márcio Silva veste a camisa florida para o novo projeto no Tatu Bar & Palco, que fica no subsolo do restaurante Jacarandá. Ao som de ritmos, digamos, praianos, Silva se encarrega de preparar coquetéis refrescantes como o queen’s revenge (rum, gim, xarope de hibisco com framboesa e folhas de melissa; R$ 26,00) e o jolly roger (R$ 26,00), que leva três tipos de rum, limão, hortelã e angustura. Para tomar num gole só, o leite de baleia (R$ 8,00) mistura cachaça, vodca, cremes de leite e de coco, maracujá e essência de framboesa com uma cereja por cima.

    Preços checados em 1º de dezembro de 2015.

     

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  • Sanduíches

    Frevo - Cerqueira César

    Rua Oscar Freire, 588, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3082 3434

    VejaSP
    5 avaliações

    Mesmo após a mudança para um imóvel do outro lado da Rua Oscar Freire, a lanchonete preserva o salão do jeitinho como foi inaugurado há seis décadas. Estão lá o balcão com quinze banquetas fixas, os azulejos amarelinhos e os garçons nem sempre tão simpáticos. Estrela do lugar, o beirute é preparado em diferentes versões, mas nenhuma supera em pedidos o tradicional (R$ 33,40; R$ 18,80 o míni), que exibe equilíbrio perfeito entre as duas fatias fininhas de pão torradas no limite e o rosbife da casa, além de queijo derretido e tomate. Um chope, servido com colarinho espesso no copo rabo de peixe (Brahma; R$ 8,70), é sempre uma boa companhia para aguardar a chegada do sanduíche.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • A diretora e autora do texto Cláudia Schapira acertou na dose de excentricidade em 1,2,3.... Quando acaba começa Tudo Outra Vez. Ela escolheu falar sobre a morte do ponto de vista de uma criança. Os adultos podem querer fazer uma pausa para pegar um lencinho só de ouvir o tema, é verdade. Mas não se impressione. Os meninos e meninas na plateia logo se encantam com a história de Joana, que acaba de perder seu avô. Com delicadeza, o  papel da garota é representado ao mesmo tempo pelas atrizes Luiza Romão e Carolina Nagayosh, em boa sincronia no palco. Os demais integrantes do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos encarnam personagens fantásticos que se desdobram para afugentar o medo da protagonista. O ponto alto acontece quando as roupas velhas de Joana (Nilceia Vicente, Felipe Gomes, Túlio Crepaldi, Rafael Faustino, Thiago Freitas e Ana Antunes) se tornam animadas e se unem para falar sobre as transformações da vida. A alegria toma conta da montagem de vez no momento em que o divertido time de atores solta a voz ao vivo (60min). Rec. a partir de 6 anos. Estreou em 28/11/2015.
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  • Em sua estreia como dramaturgo com o thriller Manual para Dias Chuvosos, no ano passado, o diretor Dan Rosseto partiu de uma situação cotidiana para chegar ao íntimo de três personagens. Com o drama Antes de Tudo, o segundo texto, um caminho inverso é percorrido. Primeiro, ele psicologiza a relação de um artista plástico com o trabalho para, a seguir, relacioná-lo com  o meio em que se encontra inserido. Na trama, o pintor Jules (papel de Gustavo Haddad) corre contra o tempo para montar uma exposição sobre corpos carimbados em telas. Um rapaz interiorano e um pugilista (interpretados por Lucas Romano e Mateus Monteiro) são os modelos usados na experiência e, aos poucos, a situação foge do controle de todos. Em uma performance intensa, Haddad imprime um narcisismo psicótico do artista. Ele encontra resposta nos desempenhos de Romano e, especialmente, Monteiro, que tem mais chances de se sobressair e foge das obviedades. As surpresas maiores, no entanto, ficam por conta da dramaturgia. Mesmo que Rosseto, como autor e diretor, esboce uma série de estereótipos, todos são descartados ao longo do espetáculo. Mais do que uma peça sobre conflitos pessoais, Antes de Tudo se mostra um desenho do vale-tudo incorporado aos dias de hoje. Estreou em 6/11/2015. Até 13/12/2015.
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  • Inspirado no poema do americano Wallace Stevens (1879-1975), o também ator Alberto Ghiraldelli escreveu Desilusão das Dez Horas e traz à tona uma discussão sobre homens e mulheres confrontados com a carência. No centro do drama, uma família vive à sombra da ausência do pai e dos maridos, todos marinheiros, que passam longos períodos fora de casa. O aparente conformismo da mãe (interpretada por Mônica Granndo) contrasta com a ansiedade e o latente desejo sexual da filha (papel de Marcela Grandolpho). Tudo é narrado do ponto de vista de um menino (representado por Ghiraldelli), o caçula da família, e atinge novos contornos com a entrada em cena de um velho marinheiro (o ator Helio Cicero), o bicho-papão que abala as estruturas do trio. Ghiraldelli construiu uma dramaturgia repleta de simbologias, aberta a diferentes leituras. O sucesso da montagem deve-se muito às soluções propostas pelo diretor André Garolli. Além de humanizar o perfil dos personagens, o encenador trouxe um caráter lúdico capaz de aliviar o peso das situações e fornece ferramentas para o público abrir mão de julgamentos sobre a conduta de cada um (70min). 14 anos. Estreou em 14/10/2015. Até  23/10/2016.
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  • Não é bairrismo dos cearenses do Cidadão Instigado. Lançado em abril, o intenso álbum Fortaleza usa as referências à capital do estado do grupo para questionar a decadência e os jogos de poder em todo o país. Ao ouvir os primeiros versos da faixa homônima — “Fortaleza, eu te conheço desde o dia em que eu nasci” —, brinque de trocar o nome por São Paulo ou Rio de Janeiro. Dá no mesmo. Tendo em sua formação o virtuoso guitarrista Fernando Catatau, que também assume os vocais, além de Regis Damasceno (baixo), Rian Batista (violão), Dustan Gallas (guitarra) e Clayton Martin (bateria), a banda apresenta essa e outras canções da nova safra. Repleto de referências do rock progressivo dos anos 70, o trabalho lista ainda Quando a Máscara Cai, Dizem que Sou Louco por Você e Perto de Mim. Do disco antecessor, Uhuuu! (2009), aparece Homem Velho, enquanto o álbum de estreia O Ciclo da Dê.Cadência (2004) cede Lá Fora Tem ao repertório. Dia 13/12/2015.
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  • Não faltam na música “promessas” ou “apostas” que nunca chegam ao status de consagradas. Mas a trajetória do quarteto goiano Boogarins prova que é possível, sim, dar esse passo (e rápido). Formada em 2012, a banda só precisou de dois discos para consolidar seu espaço entre os grupos com levada de rock psicodélico-progressivo-nostálgico dos anos 60 e 70. Fãs de Os Mutantes e Júpiter Maçã, eles abusam dos experimentalismos em seu segundo álbum, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos. Lançado em outubro passado, mereceu resenha até mesmo do americano The New York Times, ao comemorar a boa safra de bandas que têm a música psicodélica como marca registrada no som. Antes desse feito, a voz arrastada de Dinho Almeida e os riffs hipnóticos de Benke Ferraz já tinham viajado o mundo, com shows pela Inglaterra, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Suíça, Itália, Espanha, Portugal e França — ufa! Com o grupo de volta a São Paulo, o público pode esperar pelas faixas Avalanche, Tempo e 6 000 Dias (ou Mantra dos 20 Anos). Dia 31/1/2016.
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  • Não se pode dizer que Angelina Jolie Pitt (sim, agora ela assina com o sobrenome do marido, Brad) é uma mulher medrosa. Mãe de seis filhos e engajada em ações humanitárias pelo mundo, a bela, além de atuar, virou diretora de ficções, em 2011, com Na Terra de Amor e Ódio. Apenas um ano separa Invencível, seu segundo longa-metragem atrás das câmeras, do novo À Beira-Mar. Angelina também escreveu o roteiro e pegou o papel principal, mas deu a seu marido espaço para brilhar mais. A história, ambientada no início da década de 70, se passa num vilarejo litorâneo do sul da França (as filmagens, porém, foram em Malta) e mostra o desgaste do casamento dos americanos Roland (Brad Pitt) e Vanessa (Angelina). Eles pouco se falam. Hospedados num deslumbrante hotel à beira-mar, buscam “passatempos” opostos. Enquanto o escritor Roland prefere encher a cara e recolher histórias para seu novo livro na companhia de um velho barman (Niels Arestrup), Vanessa faz raras caminhadas e se entrega ao ócio e às pílulas para depressão. Os dois atravessam uma má fase após catorze anos juntos. Pode dar certa esperança a Roland e Vanessa a chegada ao local dos franceses Lea (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupaud), jovens, recém-casados e com o fogo da paixão em alta. Angelina se amparou em técnicos de primeira linha, entre eles Gabriel Yared (de O Paciente Inglês), autor da trilha sonora, e Christian Berger, diretor de fotografia de A Fita Branca. É difícil encontrar algum deslize na fabulosa recriação de época. A trama, embora termine de forma previsível, tem bons (e ousados) achados, como o voyeurismo a que se entregam os protagonistas. Contudo, o registro da intimidade de personagens sofridos carece de emoção. Em narrativa fria (quase gélida), Angelina conduz o drama abrindo mão do calor em nome da estética perfeita. Estreou em 3/12/2015.
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  • Suspense / Drama

    O Presente
    VejaSP
    1 avaliação
    Ator de O Grande Gatsby e Êxodo — Deuses e Reis, o australiano Joel Edgerton estreia como diretor de um longa-metragem com um surpreendente suspense dramático. O Presente, também escrito por ele, começa como tantas outras histórias no gênero Atração Fatal. Edgerton interpreta Gordo, um sujeito solitário e taciturno que reencontra, em Los Angeles, um ex-colega de escola. Simon (Jason Bateman) saiu de Chicago para ter um empregão e uma bela mansão na Califórnia. Ele e sua mulher, Robyn (Rebecca Hall), se sentem até incomodados com as constantes visitas do novo amigo. Para se aproximar deles, Gordo se mostra extremamente prestativo, mas, por trás de tantos presentes e gentilezas, há segundas intenções. Na sucessão de reviravoltas e surpresas, a tensão de um thriller se transforma em um drama aflitivo em que as aparências enganam. Vale o aviso: prepare-se para um desfecho arrasador e polêmico. Estreou em 3/12/2015.
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  • Na comparação com outras comédias nacionais recentes, Bem Casados tem alguns diferenciais. Além de uma dupla de protagonistas em sintonia (Alexandre Borges e Camila Morgado), o humor encontra um bom tom no politicamente incorreto. Ponto também para o diretor Aluizio Abranches, vindo de dramas pesados como As Três Marias (2002) e Do Começo ao Fim (2009) e, aqui, à vontade para driblar o trivial com sagacidade. Na trama, o solteirão Heitor (Borges) é dono de uma produtora especializada em filmar casamentos. Sua próxima missão será gravar a cerimônia da filha (Luíza Mariani) de um senador com um playboy metido a Don Juan (papel de João Gabriel Vasconcellos). Durante o trabalho, Heitor conhece a maluquete Penélope (Camila), amante do noivo. Ao saber de sua gravidez, ele vai dar um jeito de ajudá-la a entrar, secretamente, na festa. Embora divirta no início, o filme perde o fôlego (e a graça) da metade para a frente e desaba em um desfecho chocho. Estreou em 3/12/2015.
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  • O cinema do americano Larry Clark sempre foi pautado no universo dos adolescentes — vide Kids (1995), Bully (2001), Ken Park (2002) e, claro, o novo O Cheiro da Gente. O realizador faz uma participação como o velho morador de rua Rockstar e flagra, em Paris, um grupo de skatistas que bate carteiras atrás do Palais de Tokyo. O foco recai, sobretudo, em dois amigos. Math (Lukas Ionesco) e JP (Hugo Behar-Thinières) vendem o corpo e encontram, em suas aventuras, velhos clientes pervertidos. Embora façam programas com gays, os garotos transam também com meninas, entre elas a estudante Marie (Diane Rouxel). Sexo (algumas vezes explícito), drogas, muito álcool e rock pesado são ingredientes constantes em um roteiro à deriva e nada convencional. Clark se põe a observar o cotidiano dessas desregradas vidas amargas com olhar de voyeur. Nos closes de corpos e genitálias, faz aflorar seu fetichismo inerente. Estreou em 3/12/2015.
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  • É 1984. Estela (Clara Gallo), estudante de 17 anos, deseja fazer uma viagem com Carlos (Caio Blat), seu querido tio jornalista que mora na Califórnia. Em São Paulo, a garota, virgem e tímida, sente-se atraída pelo surfistinha do colégio, mas se aproxima de JP (Caio Horowicz), um tipo de estilo gótico e esquisitão. Califórnia, segundo longa-metragem de Marina Person (o primeiro foi o documentário Person), tem como pano de fundo alguns acontecimentos daquela época, como a campanha das Diretas Já e os primeiros casos de aids. Os temas são tratados superficialmente, e há uma justificativa para isso: o roteiro ganha sempre a visão adolescente de Estela, que sente, sim, a tristeza pela doença do tio, mas também as incertezas da paixão e a insegurança da primeira transa. O peso do filme, contudo, reside no baú de memórias visuais e musicais da diretora. Dos objetos de cena (boneco do E.T., cubo mágico etc.) e da trilha sonora (Bowie, The Cure, Joy Division, New Order, Titãs), brotam um nostálgico registro de uma geração. Estreou em 3/12/2015.
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  • Inspirado na experiência do Instituto Baccarelli na comunidade de Heliópolis e tendo como ponto de partida a peça Acorda Brasil, do empresário Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014), Tudo que Aprendemos Juntos é um típico filme sobre superação. Não faltam boas intenções nem há falhas na cuidadosa produção dos irmãos Caio e Fabiano Gullane. Mas, justamente pela estética certinha, com todos os detalhes previamente ajustados, o filme não transpira autenticidade, algo fundamental numa história do gênero. Lázaro Ramos, em bom desempenho, interpreta o violinista Laerte. Após perder a chance de ocupar uma vaga na Osesp, ele aceita o desafio de ser professor de música para uma turma de adolescentes na favela de Heliópolis. Os primeiros encontros são desastrosos, mas, aos poucos, o mestre consegue “domar” seus alunos. Estreou em 3/12/2015.
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  • Incerta idade

    Atualizado em: 4.Dez.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO