Política

Marta Suplicy: "PT esqueceu seus valores", diz senadora ao deixar o partido

Ex-prefeita de São Paulo divulga vídeo no qual explica suas razões para deixar sigla que ajudou a fundar

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

 

Ex-prefeita de São Paulo e senadora pelo estado, Marta Suplicy divulgou, nesta terça-feira (28), vídeo no qual explica suas razões para deixar o Partido dos Trabalhadores (PT). 

Um das fundadoras do partido que está há em seu quarto mandato na presidência da República, Marta afirmou que o "PT acabou se desviando do caminho e se contaminando com o poder".

No vídeo, que tem pouco mais de quarenta segundos, ela diz ainda que não se desviou de seus valores e que não esqueceu da luta por um país justo. "Eu ajudei a fundar o PT há mais de trinta anos. E me orgulho de ter lutado para melhorar a vida dos brasileiros mais pobres que nunca tiveram chance neste país. Deixo hoje o partido. Não para desistir do caminho que iniciei há trinta anos. Mas para continuar a segui-lo", afirmou ela. 

Em entrevista a VEJA nesta semana, Marta afirmou que o PT havia se distanciado de seus princípios éticos. "Não é o partido que ajudei a fundar. O PT se distanciou de seus princípios éticos, das suas bases e de seus ideais. Dessa forma traiu milhões de eleitores e simpatizantes", afirmou. 

Na manhã desta terça, Marta entregou no Diretório Municipal do PT sua carta de desfiliação. A ex-prefeita tem mantido conversas com o PSB, o PDT e PPS, mas ainda não definiu a sigla que irá integrar. 

Em nota conjunta assinada pelos presidentes do PT nacional, estadual e municipal, o partido diz que recebeu com "indignação" o pedido de desfiliação da senadora. "Apesar dos motivos enunciados, entendemos que as razões reais da saída se devem à ambição eleitoral da senadora e a um personalismo desmedido que não pôde mais ser satisfeito dentro de nossas fileiras. Por isso, resolveu buscar espaços em outros partidos", afirma o texto. Marta ainda não anunciou oficialmente, mas deve concorrer à prefeitura de São Paulo em 2016.

A carta, assinada por presidente nacional Rui Falcão, pelo presidente estadual Emídio de Souza e pelo presidente municipal Paulo Fiorilo, diz que Marta se mostra magoada por ter sido preterida nas eleições de 2012, quando o candidato escolhido foi Fernando Haddad.

O texto diz ainda que Marta desrespeita seus eleitores, mas não deixa claro se o partido vai ou não cobrar o mandato da senadora na Justiça. "Ao renegar a própria história e desonrar o mandato, Marta Suplicy desrespeita a militância que sempre a apoiou e destila ódio por não ter sido indicada candidata à prefeitura de São Paulo em 2012."

Fonte: VEJA SÃO PAULO