Exposições

Mariana Serri apresenta a mostra 'Áporo' na Galeria Marilia Razuk

Artista se inspirou em poema de Carlos Drummond de Andrade e abusa das cores em doze obras

Por: Bruna Ribeiro - Atualizado em

Mariana Serri
Mariana Serri expõe doze pinturas em telas e papel, na Galeria Marilia Razuk (Foto: Arquivo Pessoal)

Com um trabalho focado nas cores, Mariana Serri, 30 anos, apresenta a exposição Áporo até 15 de junho na Galeria Marilia Razuk. Quinze pinturas em telas e papel são inspiradas no poema de mesmo nome de Carlos Drummond de Andrade.

A artista conta que a palavra tem diversos significados, como "um problema insolúvel", um "inseto que cava a terra" e uma "orquídea verde". "O que me encanta é a maneira como o Drummond articula as ideias de modo que o inseto “cava” toda a poesia em labirinto que inesperadamente se desata e faz brotar uma orquídea", analisa Mariana.

Em meio a tantas influências, ela criou lugares imaginários, que parecem paisagens, mas são, na verdade, superfícies de cor que formam uma "paisagem-coisa", como gosta de definar a artista.

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Confira abaixo entrevista com a pintora mineira:

Como foi a pesquisa para este trabalho? O título da exposição é Áporo, uma homenagem a um poema homônimo de Drummond e também a essa palavra e seus três diferentes significados: um problema insolúvel;  uma espécie de inseto que cava a terra e uma orquídea verde. A relação das pinturas com os poemas não é direta. Não se trata de ilustrar a poesia. O que me encanta é a maneira como o autor articula as palavras. Nesse sentido, vejo uma relação com a dinâmica do ateliê e com o meu embate com a pintura, na exploração da planaridade da tela, nos desafios com a cor e o desenho.

A cor é o fator determinante? O interesse maior continua sendo a cor. Mas não quero dizer que a composição, o assunto ou a forma sejam menos importantes ou aleatórios. É uma pintura muito reflexiva em relação à cor e ao desenho. Associo o processo de construção das pinturas a um fenômeno geológico. Tanto com relação aos planos que constroem a paisagem, quanto com a maneira como são feitas, como uma sedimentação. Em outras obras, eu modifiquei alguns projetos de circuitos e sistemas hidráulicos pintando diferentes orquídeas sobre eles.

Qual tem sido a reação do público? As pessoas têm gostado bastante. Fazer uma exposição é importante no sentido de fechar um ciclo - tirar as obras do ateliê e organizar o pensamento por meio da montagem em um espaço específico. O trabalho precisa ser visto. É uma etapa tão importante quanto a feitura dele. E também é muito gostoso compartilhar este momento.

De onde vem a ideia dos cenários imaginários das suas obras? Pinto paisagens há bastante tempo. A inspiração para a construção destes lugares acontece no meu cotidiano de diversas maneiras, principalmente pela literatura, pelo cinema e por meio de caminhadas diárias em diferentes locais. Fotografo, desenho e faço registros que acabam se transformando em pinturas.

Fonte: VEJA SÃO PAULO