Trânsito

À margem da lei

Ambulantes se aglomeram sob a Ponte do Morumbi e são um risco à segurança dos motoristas

Por: Daniel Salles - Atualizado em

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Cenas da última segunda (4): vendedores dividem pistas com carros e motos (Foto: Fernando Moraes)

A cena se repete de segunda a sexta-feira, por volta das 18 horas, em diversas ruas da cidade que sofrem com congestionamentos. Basta o trânsito complicar-se para vendedores ambulantes, vindos sabe-se lá de onde, surgirem ao lado dos carros oferecendo toda sorte de quinquilharia. Na Marginal Pinheiros, onde cerca de 180 000 veículos trafegam todos os dias, esse tipo de comércio ilegal se intensificou nos últimos meses, principalmente embaixo da Ponte do Morumbi, sentido Interlagos.

Na última segunda (4), VEJA SÃO PAULO esteve no local e constatou a presença de doze camelôs. De mochila nas costas, e geralmente de chinelo, eles preferem se postar entre a segunda e a terceira das quatro faixas da pista expressa, percorrida a toda a velocidade por motoqueiros mesmo durante engarrafamentos. Quase todos oferecem porções de amendoim embrulhadas em papel sulfite a 1 real. Por preços parecidos, alguns negociam refrigerantes e biscoitos de polvilho. O faturamento diário gira em torno de 25 reais. A reportagem também flagrou, estacionada no canteiro central ao lado da Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, uma Kombi branca na qual eram preparados pastéis e caldo de cana por 2,50 reais cada um. “Aqui a clientela é garantida”, afirmou o proprietário do veículo, que não quis se identificar.

Marginal Pinheiros camelôs
Ambulantes transitam entre as faixas, por onde motoqueiros passam a toda velocidade, mesmo nos horários de pico (Foto: Fernando Moraes)

Desnecessário dizer que a venda de produtos nas ruas da capital funciona à margem da lei. A fiscalização fica a cargo da Guarda Civil Metropolitana, mas não é suficiente para resolver o problema. A presença de ambulantes em trechos da Marginal Pinheiros aumenta a sensação de insegurança no trânsito. Embora não existam estatísticas sobre o tema, há registro de assaltos cometidos em pontos da via ocupados por esses vendedores. “Os criminosos aproveitam a distração dos motoristas para vasculhar o interior dos veículos, quebrar vidros e roubar bolsas e celulares”, afirma a tenente Alcione Nicanor, relações-públicas do 16º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. Um policiamento ostensivo e uma fiscalização mais efetiva da prefeitura desencorajariam o comércio irregular na região. E ajudariam a aumentar a segurança e a fluidez no trânsito.

Fonte: VEJA SÃO PAULO