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A recuperação de Marco Antônio de Biaggi após enfrentar um câncer

O cabeleireiro das estrelas travou no hospital uma dura batalha contra um linfoma, além de enfrentar problemas pulmonares, cardíacos e renais

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Marco Antônio de Biaggi
Marco Antônio de Biaggi, em seu apartamento em Alto de Pinheiros: ele perdeu 20 quilos durante o período de internação (Foto: Paulo Vitale)

Após meses internado em um hospital, alternando períodos de coma absoluto com outros de alucinações devido ao excesso de remédios, o cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi, de 50 anos, começou a recuperar a consciência em setembro do ano passado. Estava feliz em poder falar e reconhecer as pessoas, mas levou um choque com a transformação de seu corpo. Não eram os vinte pontos no peito, aberto em razão das pontes de mamária e de safena, que mais lhe chamavam a atenção.

+ Conheça o blog do cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi em VEJA SÃO PAULO

Nem a traqueostomia realizada para aliviar a dificuldade de respirar, ou cateteres instalados no pescoço e no tórax, pelos quais recebia os medicamentos. Quando puxou o lençol de lado para observar as pernas, não reconheceu o que viu. Estava com 72 quilos, 20 a menos do que o normal. Suas pernas, de tão finas, fizeram-no perguntar imediatamente ao médico: “Eu vou voltar a andar?”.

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Devido à perda de tônus e de massa muscular, Biaggi não possuía forças para fazer movimentos simples. Seis enfermeiros tiveram de carregar o paciente de 1,93 metro quando ele precisou ir ao banheiro pela primeira vez, depois de retirar as sondas. Ao ficar diante de um espelho, percebeu que o efeito mais visível da quimioterapia realizada no início de 2015 para debelar um linfoma havia acabado: estava com alguns cabelos, com 3 centímetros de comprimento, e seus cílios e sobrancelhas também haviam ressurgido. Uma surpresa para quem se lembrava de ter chegado ali completamente careca. “Meu Deus, quanto tempo fiquei deitado numa cama!”, pensou na hora.

Conhecido como o cabeleireiro das estrelas da Globo e das socialites, Biaggi deu entrada no Hospital São José, na Bela Vista, em 28 de maio. Foi quando sofreu uma crise de falta de ar em seu apartamento, no Alto de Pinheiros. Na ocasião, tinha encerrado havia pouco tempo os seis ciclos de quimioterapia para vencer um tumor no sistema linfático, doença que pode destruir o órgão responsável pelas defesas do organismo. “Eu me sentia aliviado, meu corpo havia respondido bem às drogas. Não via a hora de meu cabelo voltar a crescer”, conta. Mal sabia ele o que estava por vir.

Em menos de doze horas de internação, Biaggi precisou ser entubado, devido a uma infecção pulmonar severa. Nos primeiros dias do tratamento, os antibióticos não conseguiam surtir o efeito desejado. A bateria de exames revelou outro problema: uma lesão no início da coronária esquerda. A descoberta evitou o pior. “Existia o risco de o paciente sofrer uma arritmia ou infarto e morrer a qualquer momento”, diz a cardiologista Viviane Veiga. O cabeleireiro acabou sendo submetido às pressas a uma cirurgia cardíaca. Os sustos, no entanto, não pararam por aí.

Marco Antônio de Biaggi e imagens de Nossa Senhora de Fátima
Católico praticante, Biaggi é devoto de Nossa Senhora de Fátima: muitas imagens foram preesenteadas por clientes (Foto: Paulo Vitale)

Em determinado momento, seu sangue estava com baixo índice de oxigenação (70%, quando a taxa normal é de pelo menos 90%). Os médicos chamaram a família para falar da gravidade do quadro e propor uma única alternativa: recorrer a uma máquina chamada ECMO, que funciona como um pulmão externo ao corpo. Mesmo com seu uso, a taxa de sobrevivência é menor do que 50%. Biaggi utilizou o aparelho por onze dias. Como se não bastasse, durante esse período os rins deram sinais de fraqueza e foi preciso lançar mão da hemodiálise. “Eu não me lembro de nada disso, só depois fui informado de que duas máquinas me mantiveram vivo”, afirma.

Por mais estranho que possa parecer, a essa altura do tratamento, o câncer no sistema linfático era o menor dos problemas. “Ele acabou sendo fichinha quando nos vimos diante dessas outras questões”, diz Sônia, a irmã mais velha do cabeleireiro. Ela dormiu ao lado de Biaggi todas as 139 noites em que ele ficou internado — e durante o dia dava expediente como gerente do luxuoso salão do profissional, o MG Hair, na Rua Estados Unidos.

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A via-crúcis médica começou em 25 de dezembro de 2014, quando Biaggi notou uma inflamação debaixo do braço direito (“Parecia um ovo”). Ele achou aquilo estranho e se dirigiu rapidamente a um hospital. Ali, disseram-lhe que era uma inflamação corriqueira. Depois de idas e vindas e de uma biópsia, Biaggi recebeu o diagnóstico do tumor. Durante a quimioterapia, o profissional, acostumado a cuidar das madeixas de algumas das mulheres mais lindas do país, a exemplo das atrizes Juliana Paes e Giovanna Antonelli, decidiu esconder de todos o motivo real de haver raspado o cabelo.

Católico praticante, tentou despistar a todos dizendo que a careca recém- adquirida era uma promessa pela saúde do pai, que de fato se recuperava de uma cirurgia cardíaca. Ao ver entrar no seu salão a cantora Anitta, artista com milhões de seguidores nas redes sociais, teve uma ideia para espalhar essa versão. “Pedi a ela que postasse uma foto nossa. Assim todos saberiam do meu novo visual”, lembra.

Marco Antônio de Biaggi e família
O profissional junto da família (Foto: )

Com o avanço dos efeitos da quimioterapia, a pele de Biaggi adquiriu a cor amarelada e o inchaço característicos do tratamento. Ele também perdeu as sobrancelhas e os cílios. “Sempre tem aqueles ‘espíritos de porco’ que perguntavam diretamente se eu estava com câncer”, recorda. “Mas as clientes, em sua maioria, falavam palavras carinhosas, davam imagem de Nossa Senhora de Fátima...

Era uma forma de dizer que estavam torcendo por mim.” Toda essa especulação em torno da saúde de Biaggi acontecia dentro de um salão de beleza, o habitat para o surgimento de fofocas. “Uma maluca chegou a espalhar que havia ido ao enterro do Marco, então foi aquela loucura de gente querendo saber o nome do cemitério e perguntando em qual igreja seria a missa de sétimo dia”, lembra Sônia.

O profissional hoje faz piada dessas situações. “Nunca achei que fosse morrer, e energia negativa não pega em mim.” Na porta de seu apartamento há um enorme olho grego, e, na sala, mais de trinta imagens de Buda. “A recuperação dele tem sido animadora e rápida”, conta o oncologista Phillip Scheinberg, chefe do Serviço de Hematologia do Hospital São José. “A expectativa era que fosse andar apenas daqui a dois meses, mas ele tem respondido bem às sessões de fisioterapia.”

Biaggi deixou o hospital de cadeira de rodas e, agora, locomove-se vagarosamente com a ajuda de uma muleta. Vem adquirindo independência aos poucos. Precisa ainda de alguém para acomodá-lo no sofá, deitá-lo na cama e trocar a sua roupa. Mas já consegue comer sozinho, colocar refrigerante no próprio copo e postar as suas fotos nas redes sociais.

Marco Antônio de Biaggi e Taina Muller
Ao lado da atriz Taina Müller: careca devido ao tratamento com quimioterápicos (Foto: Reprodução/Instagram)

A saída da reclusão, aliás, começou no mundo digital. Há duas semanas, no aniversário de 82 anos de seu pai, Aparecido, ele convidou amigos e médicos — além de Viviane e Scheinberg, o neurointensivista Salomón Rojas — para jantar no restaurante português A Bela Sintra, nos Jardins. Na ocasião, postou uma foto em seu perfil no Instagram com o novo visual. “Rolou uma comoção. Recebi mais de 800 comentários de pessoas que me desejam boa sorte e dizem que me amam”, conta.

Em casa, Biaggi tem sido mimado com todo tipo de comida. “Não há restrição alimentar para o meu filho. Pelo contrário, tenho a missão de fazê-lo engordar”, diz dona Alzira, que elabora pratos como estrogonofe de filé-mignon e panqueca de carne. Ela também faz vitaminas de whey protein. “Marco odeia o sabor, mas, nessas horas, não pode escolher muito.” Bem mais agradáveis de comer são os sonhos que recebe da confeitaria do Copacabana Palace. “A Andrea Natal, diretora do hotel, venceu um câncer de mama no passado. É ela quem despacha os doces do Rio de Janeiro aqui para São Paulo.”

Marco Antonio de Biaggi
Marco Antônio de Biaggi: nova vida (Foto: Veja São Paulo)

Ficar no apartamento tem seus momentos de tédio, ainda mais para alguém acostumado a trabalhar das 10 da manhã às 10 da noite. No fim do ano, Biaggi quis sair para ver a decoração de Natal pela cidade (“Que estava bem mixuruca por causa da crise econômica”). Ao passar pela região dos Jardins, não conteve a vontade e pediu à irmã para estacionar o carro em frente ao seu salão. Foi uma choradeira. Clientes deixaram a cadeira com o cabelo molhado e a tintura por fazer para poder vê-lo. “Não pude beijar ninguém porque os médicos pedem pouco contato neste momento de recuperação.”

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Como toda empresa ancorada na imagem de uma única pessoa, o endereço sofreu com a ausência do fundador. Ele tem 140 profissionais, entre os quais o colorista Juha Antero, que o visitou todas as manhãs no hospital. O faturamento é de aproximadamente 1 milhão de reais por mês. Mesmo que todos os funcionários dali sejam qualificados, parte da freguesia vai ao endereço para ver a estrela principal em ação. É como ir ao restaurante D.O.M. e admirar Alex Atala dando as coordenadas dentro da cozinha — faz parte do show. Biaggi admite que o salão perdeu 5% do movimento, mas alguns empregados dizem que 30% das frequentadoras teriam migrado para outros locais.

No período de internação, ocorreu uma trégua na constante batalha de egos e troca de alfinetadas entre os concorrentes. O cabeleireiro recebeu mensagens de carinho de quase todos os colegas, como Wanderley Nunes e Marcos Proença. A exceção foi Celso Kamura. Os dois não se falam desde 2005, quando Biaggi ironizou o rival em uma reportagem de VEJA SÃO PAULO. “O ‘outro’ cuida do cabelo da Angélica, mas quem a deixa linda nas revistas sou eu”, declarou.

Marco Antonio de Biaggi, cabeleiro com Daniella Cicarelli e Adriane Galisteu
O cabeleireiro rodeado por Daniella Cicarelli e Adriane Galisteu: querido por muitas celebridades do país (Foto: Alexandre Schneider)

Parte do magnetismo exercido pela personalidade de Biaggi é explicada pela amiga e cliente Marina Ruy Barbosa. “Tinha o sonho de ser arrumada por ele”, conta a atriz de 20 anos. “Eu o conheci aos 15, e ele marcou minha transição de menina para mulher. Aliás, ninguém deixa alguém tão seguro de si quanto ele.” No extenso currículo do profissional consta a produção de mais de 1 000 capas de revista.

Desses trabalhos, nasceram relações íntimas de amizade. Em 1995, virou unha e cutícula com Adriane Galisteu. Na ocasião, cuidou do visual da apresentadora antes de um ensaio para a capa de PLAYBOY. “Com a tesoura na mão, Marco é perfeccionista e rápido”, elogia a loira. “Como amigo, escuta, guarda segredo e está presente nas horas em que mais precisamos.”

Ela foi a única celebridade a visitá-lo no hospital — a contragosto dele e de sua família.“Estava angustiada e queria vê-lo, então decidi ir de qualquer jeito. Por sorte, não fui barrada”, brinca. Adriane apareceu por lá em duas ocasiões. Em uma delas, encontrou o amigo entubado. “Mas em nenhum momento pensei que não nos veríamos mais”, conta Adriane.

Marco Antônio de Biaggi e Marina Ruy Barbosa
Biaggi e Marina Ruy Barbosa: "Ele consegue transformar qualquer menina em mulherão" (Foto: Reprodução)

A expectativa de Biaggi é retomar o trabalho no fim de fevereiro. Para que isso seja possível, tem feito duas sessões de fisioterapia por dia. Não tem namorado fixo, mas vive uma espécie de bigamia: é casado com o trabalho e com a fama. “Abro o salão no fim de semana e já atendi clientes no meio da madrugada. Posto no Instagram fotos com as musas, sempre mostrando minha gola levantada. Faço o m-a-i-o-r sucesso, ganho muitos likes. Aliás, avisa aí na revista: quando voltar, ninguém vai me segurar.”

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  • Franceses

    Chef Rouge - Jardins

    Rua Bela Cintra, 2238, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3081 7539

    VejaSP
    5 avaliações

    Com a saída do chef francês Christophe Deparday, a casa deixou o patamar máximo das cinco estrelas — mas continua ótima. Recém-chegado à cozinha, o substituto Antoine Caestecker, de 28 anos, ainda não teve tempo de deixar o cardápio todo com a sua cara. Continua em cartaz um menu degustação em quatro etapas por R$ 190,00. Das criações antigas, ainda saem a ótima e untuosa terrine de foie gras, servida com geleia de abacaxi (R$ 97,00), e as costeletas de cordeiro com batata gratinada e cenourinhas (R$ 128,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Brado

    Rua Joaquim Antunes, 381, Pinheiros

    Tel: (11) 3061 9293

    VejaSP
    22 avaliações

    Instalada entre a Rua dos Pinheiros e a Avenida Rebouças, a casa tem um agradável ambiente com teto transparente, varanda e uma mesa comunitária lançada neste ano em frente ao endereço. Frequentemente, o chef Pedro Vita mexe no cardápio sem nacionalidade definida para incluir pedidas como o peixe bonito selado servido com espuma de shoyu, guacamole e chips de mandioca (R$ 58,00). Antes, um bom aperitivo é a lula salteada ao lado de creme de batata, ovo de gema mole e cubos de linguiça espanhola (R$ 29,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Pizzarias

    Bráz - Tatuapé

    Rua Apucarana, 1572, Tatuapé

    Tel: (11) 2268 2501

    VejaSP
    Sem avaliação

    Uma das mais queridas redes de pizzarias da cidade não para de se expandir. A mais nova unidade fica no Tatuapé. Em qualquer um dos cinco endereços paulistanos, o cardápio agrada em cheio ao público. Além de coberturas sazonais, elaboradas para cada estação do ano, há sugestões campeãs de pedidos. A mais famosa delas é a caprese, composta de rodelas de tomate-caqui cobertas por fatias de mussarela de búfala, pesto de azeitona preta e manjericão (R$ 82,00). Para beber, há um tinto de rótulo próprio, produzido pela vinícola gaúcha Salton, por R$ 78,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Praça São Lourenço

    Rua Casa do Ator, 608, Vila Olímpia

    Tel: (11) 3053 9300

    VejaSP
    17 avaliações

    Nos dias de sol, é o jardim arborizado que atrai primeiro as atenções do público que vem atrás do bufê de almoço (R$ 62,00, de segunda a sexta; R$ 107,00, nos sábados; R$ 116,00, nos domingos e feriados). De positivo, aparecem pedidas como a maminha braseada, a maçã ao curry e a couve- -for gratinada. Uma ou outra opção, no entanto, precisa de revisão, caso da salada de tomate, cebola-roxa e coentro, que costuma trazer folhas de rúcula murchas. No jantar, o lugar oferece apenas sugestões à la carte.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados / World Class Drink Festival

    bar.

    Rua Joaquim Antunes, 248, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3061 3810

    VejaSP
    15 avaliações

    Ponto de encontro de uma galera entre 20 e 30 e poucos anos, o endereço atende a diferentes interesses. Enquanto dá para papear e petiscar nas mesas do térreo, o primeiro piso é dedicado à badalação. A escura pistinha é animada por DJs e apresentações de pop rock entre quinta e sábado. Rapazes de camisa justa trocam olhares com moças de vestido curto. Turbinam esse clima animado a boa seleção de gins- tônicas preparada pela equipe do bartender Marquinhos Felix, vencedor da etapa nacional do concurso World Class 2016. Peça a deliciosa versão com fatias de caju, manjericão e bitter de grapefruit (R$ 31,00). Para comer, parta para as batatas-bolinhas fritas com a casca (R$ 23,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Aconchego Carioca

    Alameda Jaú, 1372, Cerqueira César

    Tel: (11) 3062 8262

    VejaSP
    21 avaliações

    A casa de Kátia Barbosa, fundada no Rio, fez tanto sucesso que ganhou esta sucursal paulistana. Boa de bolinho, a cozinheira sugere ótimas pedidas como o de cassoulet (massa de feijão-branco e recheio de carne de porco defumada; R$ 26,00 a porção). Fora da aladas frituras, porém, algumas pedidas decepcionam. É o caso do caldo de camarão (R$18,00), espesso e, em geral, insosso. Sócio da filial, o especialista em cerveja Edu Passarelli compôs a carta de rótulos. Dos 200 de antes, agora a lista contempla cerca de oitenta — a maioria dos títulos internacionais foi extirpadapor conta do aumento do dólar. Ele treinou bem a equipe, que sabe explicar as características da Amazon Taperebá, de Belém (PA), uma witbier de perfume frutado (R$ 18,00,355 mililitros).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Padarias

    Le Pain Quotidien - Vila Madalena

    Rua Wisard, 138, Vila Madalena

    Tel: (11) 3031 6977

    VejaSP
    21 avaliações

    São quatro os endereços da rede belga na cidade. Em todos, os balcões acomodam pães robustos, feitos de farinha orgânica. Mas quem não quer, por exemplo, levar para casa uma unidade inteira da versão de centeio (R$ 27,90) pode pedir metade (R$ 14,20) ou um quarto (R$ 7,10). Outra possibilidade é a baguete (R$ 9,70), igualmente boa. Para se sentar e tomar um lanche, as escolhas são muitas, e vão desde sugestões típicas de café da manhã como ovos mexidos com presunto e queijo (R$ 21,50) até uma tartine de salmão defumado, abacate, cebolinha e dill (R$ 38,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Como falar do perigo da indiferença (e do poder do brilho no olhar) para uma criança? A Cia. Ouro Velho dá conta desse recado em O Novo Rei de Beleléu — sem cair na armadilha do discurso vazio. Um time de seis atrizes sobe ao palco para contar a história do tal condado de Beleléu. Após a morte de seu líder, o lugar é tomado pela epidemia de uma grave doença chamada “tanto faz”, que tira a vontade de viver de todos os moradores. Três homens ambiciosos, Mister Midas (Danilla Figueiredo), Dr. Furaboulus (Aline Penteado) e o General Matraca (Thais Luna), decidem entrar em uma difícil jornada para conseguir o cargo cobiçado. Para impedir que a cidade caia nas mãos erradas, os últimos dois sonhos da população (interpretados por Tássia Melo e Aline Gonçalves) pedem ajuda a Gabriel (Lara Hassum), um artista revolucionário com outra visão de mundo, capaz de animar os doentes e salvá-los da terrível peste. Elementos da cultura popular, como o cordel, a folia de reis e até um boi-bumbá de bolso, completam o espetáculo. A boa química do elenco e a intimidade com instrumentos como sanfona, violão e pandeiro são pontos positivos. Com música ao vivo e em clima de festa, fica difícil deixar o teatro com a sensação de que tanto fez ter pago o ingresso para a peça. Recomendado a partir de 5 anos. Estreou em 16/1/2016. Até 21/2/2016.
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  • Sediado na Vila Maria Zélia, o Grupo XIX de Teatro retoma o diálogo com a arquitetura da antiga vila operária do Belém. O novo espetáculo, Teorema 21, é encenado nas ruínas da escola, hoje desativada, onde estudavam os filhos dos moradores no começo do século passado. A degradação da instituição colabora para fortalecer a metáfora da adaptação criada por Alexandre Dal Farra em torno da obra homônima do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) dirigida por Luiz Fernando Marques. Se a ambientação remete ainda às arenas das tragédias gregas, o ótimo elenco adota um realismo extremo para mostrar a derrocada moral sem freios de uma família burguesa. No drama, um casal (interpretado por Ronaldo Serruya e Juliana Sanches) volta com os filhos (vividos por Bruna Betito e Paulo Celestino) e a empregada (a atriz Janaina Leite) ao seu antigo lar e nada parece surpreender a rotina. A chegada de um estranho (o ator Rodolfo Amorim), que seduz um a um dos moradores, gera um atrito irremediável nessas relações. O clima de tensão não dá trégua ao espectador, assim como a crueza das cenas de violência e sexo. Em registros calculados, os atores dosam cada uma dessas intensões, evoluindo da apatia para a perplexidade até chegar algumas vezes ao desespero. Mesmo que os artistas transitem em torno do público, acomodado em banquinhos no cenário, o diretor Luiz Fernando Marques teve o cuidado para que não haja uma interação maior. A mensagem já é forte e pesada o suficiente para se exigir mais do espectador. Estreou em 22/1/2016. 
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  • Depois da bem-sucedida montagem de Killer Joe, que chegou a cumprir temporada no carioca Teatro Poeira, o diretor Mário Bortolotto e o grupo Cemitério de Automóveis investiram em outro exemplar da cena americana contemporânea. O drama policial O Canal, escrito por Gary Richards em 1993 e inédito no Brasil, repete a essência de opressores e oprimidos fora da lei na tentativa vã de retomar o caminho do bem. No centro da trama estão quatro homens envolvidos em desmanches de automóveis. Vinny (interpretado por Carcarah) herdou do pai uma oficina mecânica que virou fachada para carros roubados.  O ladrão drogado Willie (o ator Dudu de Oliveira) e o policial corrupto Jerry (papel de Bortolotto) viabilizam os esquemas, e Vinny  tenta encontrar uma maneira de se livrar das chantagens da dupla. Sua vida fica ainda mais complicada com a chegada de Chick (Jiddu Pinheiro, ótimo em cena), um playboy que ameaça despejá-lo do imóvel onde funciona o negócio. Bortolotto reafirma o domínio na construção de encenações realistas. Frases curtas, diálogos ágeis e situações surpreendentes dão o tom ao espetáculo. Desta vez, porém, a melancolia atropela o suspense e, enquanto o protagonista se afunda mais e mais, o espectador já não torce para que ele vença os vilões, mas que pene o menos possível. E, nessa barra-pesada, o ator Carcarah confirma o amadurecimento já verificado em Killer Joe. Estreou em 7/10/2015. Até 28/8/2016.
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  • Comédia

    Volpone
    VejaSP
    1 avaliação
    Personagem de múltiplas leituras, o protagonista da comédia do inglês Ben Jonson (1572-1637) desperta o interesse de grandes atores e chegou a ser o foco central da novela Um Sonho a Mais, com Ney Latorraca, em 1985. Sob a direção de Neyde Veneziano, a comédia Volpone,  tem, dessa vez, o papel-título representado por Chico Carvalho, um dos nomes de maior destaque da atualidade e de visível maturidade a cada trabalho. Escudado por seu fiel assistente Mosca (o ator Gabriel Miziara), o milionário falido arquiteta um plano para recuperar sua fortuna. Volpone espalha a falsa notícia de que está à beira da morte e deixará seus bens a um único herdeiro. Os interesseiros de plantão passam a bater em sua porta ávidos para se tornarem o beneficiado. Apesar do potencial, a montagem ainda mostra-se um pouco atrapalhada aos olhos do público. A plateia não se entrega às gargalhadas frequentes e tampouco racionaliza para compreender as associações possíveis entre os tipos corruptos e o noticiário brasileiro. O show, no entanto, é salvo pela azeitada parceira de Carvalho e Miziara. A química conquistada pela dupla deve ser, com o tempo, estendida ao resto do elenco e  a peça, cheia de qualidades técnicas, tende a crescer. Com Claudinei Brandão, Dirceu de Carvalho, Eliana Rocha, Fabio Espósito, Fabíola Moraes, Guryva Portela e o músico Fabio Martinelli. Estreou em 23/1/2016. Até 13/3/2016.
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  • Não faltam na música “promessas” ou “apostas” que nunca chegam ao status de consagradas. Mas a trajetória do quarteto goiano Boogarins prova que é possível, sim, dar esse passo (e rápido). Formada em 2012, a banda só precisou de dois discos para consolidar seu espaço entre os grupos com levada de rock psicodélico-progressivo-nostálgico dos anos 60 e 70. Fãs de Os Mutantes e Júpiter Maçã, eles abusam dos experimentalismos em seu segundo álbum, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos. Lançado em outubro passado, mereceu resenha até mesmo do americano The New York Times, ao comemorar a boa safra de bandas que têm a música psicodélica como marca registrada no som. Antes desse feito, a voz arrastada de Dinho Almeida e os riffs hipnóticos de Benke Ferraz já tinham viajado o mundo, com shows pela Inglaterra, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Suíça, Itália, Espanha, Portugal e França — ufa! Com o grupo de volta a São Paulo, o público pode esperar pelas faixas Avalanche, Tempo e 6 000 Dias (ou Mantra dos 20 Anos). Dia 31/1/2016.
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  • Talvez você conheça Dalton Trumbo como diretor do impactante (até hoje) Johnny Vai à Guerra (1971). Esse foi seu único trabalho na direção, e a história contada em Trumbo — Lista Negra abrange um período anterior na carreira desse roteirista, premiado duas vezes com o Oscar. Começa em 1947, quando Estados Unidos e União Soviética travavam a Guerra Fria e os socialistas eram tratados como traidores da pátria pela maioria dos americanos. Trumbo (1905-1976), filiado ao Partido Comunista, e outros nove artistas foram obrigados a prestar depoimento numa comissão parlamentar de inquérito e, em seguida, levados à prisão. Hollywood fechou as portas para Trumbo um ano depois, quando tentou voltar à ativa. Ele não baixou a cabeça e deu um “jeitinho” de manter a rotina. Sua mulher (Diane Lane) e os três filhos também sofreram as consequências. Inspirada no livro de Bruce Cook, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, a cinebiografia reluz em recriação de época competente e traz celebridades e suas posições no tempo da “caça às bruxas”. Entre os famosos estão os atores Kirk Douglas e John Wayne e o diretor Otto Preminger, além da colunista de fofocas Hedda Hopper (Helen Mirren). Já desapegado de Walter White, seu personagem no seriado Breaking Bad, o protagonista Bryan Cranston recebeu merecida indicação ao Oscar. Estreou em 28/1/2016.
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  • O que se passa dentro da cabeça das pessoas? É com essa premissa original que a Pixar concebeu um roteiro criativo para Divertida Mente. Não se pode acusar o estúdio, realizador de pérolas da animação como Toy Story, Monstros S.A., Procurando Nemo e Up, de preguiça ou desleixo. No quesito técnico, o novo trabalho se iguala aos outros. A história também se destaca pela inventividade, porém abusa, moderadamente, da piração. Vale o aviso: crianças menorzinhas podem ficar perdidas diante de tantos desdobramentos, diálogos “complexos” e situações imaginárias. A protagonista se chama Riley, tem 11 anos e mora em Minnesota com os pais. Dentro da mente da adolescente, cinco emoções tentam manter o equilíbrio. Como Riley se mostra sempre contente, a Alegria se coloca na posição de líder. Há ainda o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza (a mais carente e fofa personagem). Contudo, algo vai mudar o humor de Riley. A família muda para São Francisco e a menina não consegue se enturmar. Para piorar, Alegria e Tristeza saíram da mesa de controle, deixando Riley com os sentimentos confusos. O enredo cerebral (em todos os sentidos), mas salpicado de piadas espirituosas, encaminha-se para um desfecho comovente e, nos créditos finais, a graça predomina. Aí, sim, dá para notar a Pixar voltando aos tempos de glória. Estreou em 18/6/2015.
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  • É raro, muito raro, uma refilmagem resultar melhor do que a fita original. Isso ocorre mais uma vez com Caçadores de Emoção — Além do Limite, remake da memorável película de ação estrelada por Patrick Swayze e Keanu Reeves, em 1991. Basicamente, o enredo não mudou. Utah (Luke Bracey), um agente do FBI em treinamento, infiltra-se numa gangue para saber se seus integrantes são, realmente, ladrões. Antes, o bando praticava surfe na Califórnia e roubava bancos; agora, o grupo, liderado por Bodhi (papel do venezuelano Edgar Ramirez), curte desafios mortais pelo mundo para driblar a morte no mar, na terra e no ar. O roteiro quer complicar a simplicidade do passado e, para isso, “incrementa” a aventura com adendos dispensáveis: Bodhi e seus colegas mantêm uma postura espiritual e tiram dos ricos para dar aos pobres. No quesito adrenalina, porém, o novo longa-metragem se defende bem. Há sequências de tirar o fôlego com o realismo dos programas de esportes radicais, sobretudo se forem vistas em 3D. Estreou em 28/1/2016.
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  • Brad (Will Ferrell) se casou com Sara (Linda Cardellini) e herdou dois enteados. Acontece que as crianças Megan (Scarlett Estevez) e Dylan (Owen Vaccaro) não o têm como uma figura paterna, apesar de seus esforços. Algo, porém, vai tumultuar ainda mais a relação. De surpresa, Dusty (Mark Wahlberg) reaparece para 1) reaproximar-se dos filhos; 2) reconquistar a ex-mulher; e 3) fazer de Brad um babaca. Pai em Dose Dupla, trocadilho à parte, dosa bem o humor com o sentimentalismo em uma comédia de tom politicamente incorreto. Parceiros em Os Outros Caras (2010), Ferrell, como o padrasto humilhado, e Wahlberg, na pele do pai cheio de banca, têm boa química para não deixar a peteca cair. Estreou em 28/1/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO