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Run, forest, run!

Além de superarem distâncias, maratonistas querem outro desafio: correr nos cenários mais exóticos do planeta

Por: Denise Bobadilha - Atualizado em

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Maratona do Círculo Polar, na Groenlândia: a neve cobre parte dos 42 quilômetros (Foto: Divulgação)

Quem corre vive encontrando metáforas, comparações e lições de vida de seus quilômetros arduamente cumpridos. Pois então aqui vai mais uma, verdadeira como quase todas as outras: se você quer realmente conhecer uma cidade, corra nela. Pode ser com outros milhares de corredores, pode ser num treino solitário. Depois de desviar de buracos, descobrir esquinas menos conhecidas e respirar diferentes odores, aquela cidade nunca mais será vista da mesma forma. A boa notícia é que há cada vez mais opções para correr com segurança e apoio em todo o mundo. As provas de corrida, dos mais diversos níveis de dificuldade, multiplicaram-se na última década. Com elas, uma cadeia de serviços de suporte ao corredor e a oferta de destinos diferenciados também crescem na mesma proporção.

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Na íngreme e irregular Muralha da China, local cada vez mais procurado por brasileiros: desafio duplicado (Foto: Divulgação)
Em Istambul, por exemplo, é possível fazer um running tour pelas atrações locais, às margens do Estreito de Bósforo, guiado pelas dicas de um corredor experiente. Há programas do gênero em quase todas as grandes cidades, em qualquer época do ano — até mesmo no inverno da Escandinávia, com desafiantes ventos de 10 graus negativos no rosto. A administradora gaúcha Carolina Otero, de 32 anos, que acaba de voltar de uma temporada de dois anos em Barcelona com o marido, testou um running tour em Paris numa manhã de inverno — e adorou. “Foi inesquecível ver a cidade amanhecendo, com pouco movimento na rua, praticamente só nossa, e dividir curiosidades que apenas quem mora lá, como o guia corredor, conhece”, conta ela. Carolina alimenta um site, o Correr pelo Mundo (www.correrpelomundo.com.br), com relatos de corridas em diversos pontos do globo. O advogado paulista Joel dos Santos Leitão, 43 anos, foi outro que se deliciou ao explorar as ruas vazias da Cidade Luz às 5h30 da manhã, na primavera. “Eu sonhava em correr à beira do Sena antes de participar da minha primeira maratona no exterior”, diz. Joel não viaja para praticaro esporte, mas sempre dá um jeito de encaixar uma corrida quando visita algum lugar, seja a trabalho, seja a passeio. Na França, participou de uma nas montanhas de Milly-La-Forêt e ganhou um troféu especial por ser o único brasileiro — e um dos raros estrangeiros — a completar os 23 quilômetros. Na Holanda, pegou um trem e foi a Leiden para fazer uma maratona (42 quilômetros), sem entender uma palavra da língua local. “As provas menores são mais simpáticas porque dão a chance de conhecer melhor as pessoas e o lugar onde se pisa”, afirma. “As grandes corridas são impessoais e muito parecidas entre si.

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Maratona Big Five, na África do Sul: inusitada plateia selvagem (Foto: Divulgação)

As maiores maratonas do mundo seguem critérios similares de organização, mas algumas oferecem atrações extras que valem a pena conhecer. É o caso das wine runs, corridas em vinhedos que já viraram tradição na Europa e na Califórnia. Elas tiveram sua primeira edição brasileira em setembro, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves (veja mais sobre wine runs aqui). Em Viena, há uma prova precedida pela apresentação de uma orquestra sinfônica.

Com 23 maratonas no currículo, o aposentado capixaba Nelson Mendes, de 54 anos, coleciona medalhas vindas de lugares como a savana africana — onde correu a Big Five Marathon ao longo do Rio Limpopo e ao lado de girafas, antílopes, elefantes, hipopótamos e leões — e a Noruega, onde participou da Midnight Sun Marathon, que acontece na noite sem fim do verão. A próxima possivelmente virá da Solar Eclipse Marathon, em Port Douglas, na Austrália. A experiência mais incrível até agora, no entanto, ocorreu perto daqui, durante a Mountain Do, no Deserto do Atacama, no Chile. “Dunas, areia, cavernas, frio, calor, sal, subidas, descidas, paredões e asfalto. Eu me senti muito pequeno diante daquelas erosões, das paisagens, do pôr do sol e das salinas”, descreve ele.

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O capixaba Nelson Mendes, no Atacama: a mistura de clima e paisagens fez desta sua maratona predileta (Foto: Arquivo pessoal)
Outras opções de prova exótica passam pelo tórrido Saara, pelo vazio gelado da Antártica ou por entre os arranha-céus de Tóquio. “Ainda que a Maratona de Nova York seja a mais procurada para a primeira experiência no exterior, tenho clientes interessados nas provas de Madagáscar, Jerusalém ou da lha de Páscoa”, conta Bet Olival, sócia da Kamel Turismo, agência especializada em corrida. Ana Coltro, da X-Travel, também focada em atender maratonistas, ressalta dois destinos que estão entre o clássico e o exótico e rivalizam com Nova York na preferência dos corredores: Paris e Veneza. “São belezas que emocionam. A maratona de Veneza é diferente de tudo, como a própria cidade — começanos arredores, passa por fazendas e chega aos poucos ao labirinto de canais. A travessia do mar é inteiramente feita pela balsa e há pontes por todo o trajeto”, diz.

PROGRAME-SE

30/3/2013 — TWO OCEANS MARATHON

Na Cidade do Cabo, na África do Sul, percursos de 21 e 56 quilômetros. Quem leva: X-Travel, a partir de 1 103 dólares (terrestre), cinco dias, ☎ (11) 2155-6400, xtravel.com.br

13/4/2013 — PATAGONIA RUN 2013

Na Argentina, seis opções de percurso: 10, 21, 42, 63, 84 e 100 quilômetros. Quem leva: LCTour, a partir de 1 925 dólares (aéreo e terrestre), seis dias, ☎ (21) 3497-2100, lctour.com.br

18/5/2013 — THE GREAT WALL MARATHON

Na Muralha da China, percursos de 7,5,21 e 42 quilômetros. Quem leva: Kamel Turismo, a partirde 1 975 dólares (terrestre), sete dias, ☎ (21) 2275-0146, kamelturismo.com.br

29/9/2013 — PARIS-VERSAILLES

Em Paris, na França, percurso de 16 quilômetros. Quem leva: TAM Viagens, a partir de 2 500 euros (aéreo e terrestre), cinco dias, ☎ (11) 4002-5700, tamviagens.com.br

Fonte: VEJA SÃO PAULO