Paulistano Nota 10

Maquiador dá cursos gratuitos para mulheres com deficiência visual

Com mais de trinta anos de profissão, Marcos Costa ensina que não é preciso olhar no espelho para se maquiar

Por: Felipe Neves

Marcos Costa
"Quero dar um exemplo de como se pode transformar as pessoas com ações simples", diz Marcos Costa (Foto: Rodrigo Dionísio)

Marcos Costa decidiu iniciar um trabalhovoluntário depois de ouviruma reportagem no rádio em 2008. Ela retratava os problemas vividospor deficientes visuais em atividades corriqueiras. Naquele momento, pensou que o mesmo ocorria em sua área de atuação, a maquiagem. “Eu me lembrei na hora de uma mulher cega que mora perto de casa”, conta. “Sempre me perguntava como ela se produzia antes de sair.”

+ Publicitária promove oficinas educativas para crianças com câncer

Alguns dias depois, Marcos a encontrou e resolveu tirar a dúvida. A vizinha lhe contou que precisava da ajuda de alguém para passar batom. “Propus ensiná-la a cuidar disso sozinha”, afirma. O negócio logo se espalhou entre as amigas da aluna que enfrentavam a mesma dificuldade. Em alguns dias, já havia reunido uma turma inteira.

Nascia ali o Maquiagem para Todas, curso gratuito para mulheres com algum grau de deficiência visual. Em sete anos, cerca de 600 estudantes passaram pelo local. A maior parte das atividades ocorre no apartamento de Marcos, no bairro dos Jardins. São duas horas diárias de aula para classes de até doze mulheres, ao longo de seis meses.

+ Jovens encenam capítulos de Harry Potter em orfanatos da capital

A base da pedagogia que o próprio profissional desenvolveu está no tato. Quem participa dos exercícios aprende a controlar a intensidade dos dedos para obter um bom resultado final. “Todas são muito ansiosas”, diz o professor. “Às vezes, chegam aqui querendo aprender apassar delineador. Aí eu preciso acalmálas e ensinar o bê-á-bá.”

Com trinta anos de profissão, o maquiador tem em seu currículo trabalhos para estilistas como Ronaldo Fraga e para a marca de cosméticos Natura. As aulas de seu curso costumam render experiências emocionantes. Uma das pupilas atuais, a arquiteta Lucia Florio, possui somente 8% da visão nos dois olhos. Todos os dias, ela pede ao professor que lhe envie dicas para postar no blog que abriu após iniciar as aulas. Dedicada, também manda fotos para demonstrar o progresso que conseguiu com o passar do tempo. “No início, ela só usava batom claro. Hoje já passa vermelho sem medo”, diz ele, orgulhoso.

“Só quero dar um exemplo de como se pode transformaras pessoas com ações simples.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO