Cidade

Manobristas de bares na Vila Madalena usam ruas como estacionamento

Os valets costumam utilizar as ruas ermas do bairro

Por: Daniel Salles - Atualizado em

Sérgio Bueno e seu carro_valet_2145
1) No último dia 4, o administrador Sergio Bueno entregou seu veículo ao valet do Posto 6 (Foto: Fernando Moraes)

Na noite do último dia 4, uma sexta-feira chuvosa, o administrador de empresas Sergio Bueno resolveu ir ao bar Posto 6, na Vila Madalena. Para estacionar seu Ford Explorer, ele recorreu ao serviço de manobrista da casa, terceirizado pela companhia Porto Vallet. A empresa, que cobra 15 reais em média e é parceira de pelo menos uma dezena de estabelecimentos, garante levar os carros até um posto de gasolina na esquina das ruas Mourato Coelho e Purpurina. Mas o automóvel de Bueno, assim como vários outros naquela noite, foi deixado em uma via erma do bairro, a cerca de 1 quilômetro do Posto 6 (veja a sequência de fotos ao lado). Alertado sobre o ocorrido, o administrador ficou indignado. “Se quisesse deixar meu veículo desprotegido, eu mesmo o teria parado na rua”, reclama.

 

Fernando Moraes
Sérgio Bueno e seu carro_valet_2145
1) No último dia 4, o administrador Sergio Bueno entregou seu veículo ao valet do Posto 6 (Foto: Fernando Moraes)
1) No último dia 4, o administrador Sergio Bueno entregou seu veículo ao valet do Posto 6

 

Atualmente, segundo estimativa da Associação das Empresas de Valet do Estado de São Paulo (Aevesp), atuam na cidade 600 companhias do gênero, que mobilizam cerca de 20 000 manobristas para atender a 3 milhões de carros por mês. A vida dos donos de valet foi facilitada em abril, quando a prefeitura liberou estacionamentos alternativos em prédios comerciais, postos e terrenos baldios. “Infelizmente, boa parte dos empresários ainda utiliza as vias públicas, o que é ilegal”, reconhece o diretor da Aevesp Leonardo Yamin. “Cabe aos donos de bares e restaurantes fiscalizar o serviço dos manobristas contratados, para evitar abusos do tipo.”

 

Fernando Moraes
valet2_carro estacioando_2145
2) O automóvel foi estacionado em uma esquina a 1 quilômetro do estabelecimento (Foto: Fernando Moraes)
2) O automóvel foi estacionado em uma esquina a 1 quilômetro do estabelecimento

 

Sócio do Posto 6, Fernando Costa Neto se disse surpreso com a notícia de que automóveis de clientes seus são deixados na rua. “É a primeira vez em que ouço falar disso”, afirma. “Sempre achei que os veículos fossem guardados em locais fechados.” Já Eliosvaldo Reis, o dono da empresa Porto Vallet, tenta justificar a cara de pau: “Todas as empresas de valet da Vila Madalena fazem o mesmo. Os estacionamentos da região são insuficientes para dar conta da quantidade de automóveis que recebemos”.

 

Fernando Moraes
Sérgio Bueno_conta_valet3_2145
3) Para deixar o carro de Bueno na rua, a empresa Porto Vallet cobrou 15 reais (Foto: Fernando Moraes)
3) Para deixar o carro de Bueno na rua, a empresa Porto Vallet cobrou 15 reais

 

Quem se sentir prejudicado pode recorrer ao Procon, que tem mecanismos para punir os estabelecimentos, com multas que variam de 200 a 3 milhões de reais.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO