O comandante do centenário

Mano Menezes: a nova era no Corinthians

Técnico trouxe o time de volta à Primeira Divisão, ganhou um Paulista e uma Copa do Brasil; desafio agora é a Libertadores

Por: Mauricio Teixeira - Atualizado em

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Mano Menezes, técnico do Corinthians, durante jogo entre Corinthians 1 x 0 Independiente Medellín, partida válida pela Copa Libertadores da América 2010, no estádio do Pacaembu (Foto: Renato Pizzutto)

Nascimento: Rio Pardo-RS, 11/6/1962

Período: desde 2008

Títulos pelo Corinthians: Campeonato Brasileiro Série B – 2008, Campeonato Paulista – 2009 e Copa do Brasil – 2009

Mano Menezes assumiu o clube em 2008 com a missão de levá-lo de volta à Primeira Divisão. Conseguiu, ganhou a Copa do Brasil e ainda carimbou o passaporte corintiano para disputar o torneio que é a principal obsessão do clube: a Libertadores. Está na sua terceira temporada consecutiva, feito que não acontecia no Corinthians desde a década de 60.

 

Depoimento:

“Embora as pessoas falem que o Corinthians é muito diferente, que é tudo muito especial, eu diria assim: é muito especial, realmente, mas não é tão diferente como é nos outros clubes, a não ser a relação com a torcida. Internamente, o Corinthians tem a mesma pressão por resultado que os outros clubes têm. Não tem jeito, todo mundo que torce para time grande acha que tem que ganhar todos os jogos. A relação com o torcedor do Corinthians é um pouco diferente porque o corintiano tem menos meio termo do que todos. Ele é extremista na paixão e na cobrança. A gente é cobrado na rua. Se você vai a um restaurante, o torcedor vem te abordar e, no primeiro momento, dá os parabéns pelo trabalho, aquela coisa toda. Mas, no finalzinho, ele sempre dá uma ‘letrinha’ e pede pra tirar alguém e colocar alguém. Vai além do contato normal. No clube, eu acho que o Corinthians tem mais dogmas a serem quebrados. É um clube que por tradição se apoia em frases e teorias para justificar determinadas situações. Quando eu cheguei ao clube, tinha uma frase que combati muito: ‘no Corinthians, tudo é diferente’. Poderia ser uma frase para retratar coisas positivas. Mas eu fui notando que a frase não era para retratar diferenças. Era para justificar desorganizações e falta de providências, que clubes mais organizados tomavam e que o Corinthians, por não querer tomar ou entender que não deveria, justificava em cima de frases como essa. Como muita gente está no clube há anos, isso acaba se tornando um perigo. Você acaba não evoluindo por conta de justificativas como essa. É uma luta diária para minimizar o impacto dessas frases. Não pode ser tão diferente assim. Tem que trabalhar, organizar, planejar, disciplinar e investir, como em qualquer outro lugar. O futebol do Corinthians era muito aberto e futebol não pode ser muito aberto. Tem que se fechar dentro de um vestiário, de um departamento de futebol, para que poucas pessoas tomem as decisões.

 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO