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Protesto em São Paulo termina com feridos, detidos e depredação

Polícia precisou usar bombas de efeito moral e balas de borracha para conter manifestantes

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

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A manifestação contra os gastos da Copa do Mundo na noite desta quinta-feira (15) terminou com sete pessoas detidas, ao menos quatro feridos e uma concessionária de automóveis depredada. O ato, que começou por volta das 17h, reuniu cerca de 2 000 pessoas na Avenida Paulista, segundo a Polícia Militar. O protesto depois seguiu pela Rua da Consolação, onde lixeiras foram queimadas e usadas como barricadas para impedir o avanço dos policiais. Várias cidades do país enfrentaram situações semelhantes.

As sete pessoas que foram detidas no 78º DP, nos Jardins, já foram liberadas. Segundo a polícia, elas portavam martelos e coquetéis molotov.

O confronto dos policiais com os ativistas aconteceu por voltas das 19h15, quando um grupo tentou depredar uma loja na Consalação. A PM interveio com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. No embate, dois fotógrafos e um rapaz se feriram com estilhaços de bombas. Uma policial foi levada ao hospital após ter o olho atingido por uma pedra. Na Rua Augusta, vinte pessoas foram detidas sob suspeita de carregar coquetéis molotov. Parte delas foi liberada, mas sete continuaram presas por depredação de patrimônio.

A PM precisou agir também quando alguns vândalos cercaram um ônibus o qual pretendiam incendiar. Em outra parte da Consolação um grupo atacou uma concessionária da Hyundai, quebrando para-brisas e pichando a lateria de alguns veículos.

Após terem sido dispersados pela polícia, os ativistas seguiram para o Estádio do Pacaembu e depois para a Barra Funda, onde encerraram o ato. Lideranças do movimento disseram que uma nova manifestação está marcada para o próximo dia 24 na Praça da Sé.

PROFESSORES

Docentes da rede municipal também se mobilizaram nesta tarde e fecharam a Avenida 23 de Maio no sentido Centro. Aproximadamente 5 000 professores reivindicavam a adição imediata à folha de pagamento do bônus anunciado pelo prefeito Fernando Haddad no último dia 9. Os manifestantes terminaram a manifestação na Praça da Bandeira, no Centro.

SEM-TETO

Na manhã de ontem, ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e manifestantes de outros grupos bloquearam diversas vias de São Paulo.

Foram três as frentes de manifestantes do MTST, o que dificultou bastante o fluxo de veículos nas zonas Sul, Leste e Norte da cidade. Em frente ao Itaquerão, 2 000 integrantes da ocupação Copa do Povo também protestaram. A Tropa de Choque da PM foi acionada para proteger a entrada do estádio.

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O primeiro grupo caminhou em duas direções: da Avenida Interlagos para a Marginal Pinheiros e do terminal de ônibus João Dias para a região central. O segundo, por sua vez, seguiu para a Radial Leste. Já na Zona Norte, ficou bloqueado por mais de duas horas o Viaduto Domingos de Morais, que dá acesso à pista da Rodovia Anhanguera no sentido interior. Mais cedo, por volta das 7h, manifestantes fecharam o quilômetro 19 da via no sentido capital com barreiras de pneus em chamas.

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A pista central da Marginal Tietê também foi fechada na altura da Ponte Estaiadinha, assim como a Avenida Santos Dumont. Os bombeiros tiveram que apagar o fogo de uma barricada de pneus no local.

O MTST reivindica mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida e medidas para a prevenção de despejos forçados. Na semana passada, o movimento realizou protestos com a mesma estratégia, em diversos pontos da cidade e com invasões-relâmpago às sedes das construtoras OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Na Marginal Tietê, metalúrgicos da Alstom também realizaram um ato no começo desta manhã. Uniformizados, os funcionários andaram pela Rua São Tito e chegaram a bloquear a Ponte do Socorro, já liberada.

APITAÇO

Ainda na Avenida Paulista, cerca de 100 pessoas que fecharam a via no sentido Consolação no início da tarde e a deixaram por volta das 14h25, de acordo com a CET. Eles voltaram a interditar o caminho por volta das 16h40. O grupo era formado por funcionários que foram demitidos da Idort, que prestava serviços para a prefeitura. Eles fizeram um apitaço na altura da Rua Pamplona.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO