Protestos em SP

Mais de 100 000 pessoas vão às ruas na sétima e maior manifestação

Após redução da tarifa, participantes entraram em confronto com militantes de siglas como PT, PSTU e PSOL, que foram expulsos

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

Na primeira manifestação após a queda do aumento da tarifa de transportes públicos, na quinta (20), mais de 100 000 pessoas fecharam a Avenida Paulista e vias como a Rua da Consolação e a Avenida 23 de Maio em nome das mais variadas causas, em mais um dia de agitações em todo o país. Na maior parte do tempo pacífico, o clima do protesto esquentou e houve confronto entre manifestantes, que pediam um ato apartidário, e militantes de partidos políticos, que foram hostilizados e expulsos da avenida.

O primeiro bate-boca ocorreu na concentração, por volta das 17h, na Praça do Ciclista, quando um grupo de militantes petistas chegou portando bandeiras do partido. Os manifestantes começaram a gritar “fora PT” e os petistas responderam aos gritos de “democracia”. Sindicalistas e militantes do PSTU também foram hostilizados ao tentar chegar ao local.

A passeata, então, se dividiu em diversos grupos. À frente, seguiram os que defendem manifestações apartidárias, com muitos integrantes levando bandeiras do Brasil e cantando o Hino Nacional. O Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou os protestos, guiava outra turma, mais condescendente com a presença das siglas.

Na avenida, também desfilaram cartazes pelas mais diversas causas. A PEC 137, que retira poderes de investigação do Ministério Público, e o projeto de lei do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, que determina o fim da proibição de tratamentos para reverter a homossexualidade, a “cura gay”, estavam entre os principais alvos. 

Manifestação 20 de junho: Paulista
Manifestantes queimam bandeira do PT (Foto: Lívia Roncolato/Veja São Paulo )

Pancadaria

O clima se acirrou quando houve o encontro das marchas partidárias e apartidárias, próximo ao cruzamento com a Av. Brigadeiro Luis Antonio. Divididos por um alambrado que separava as duas faixas, os grupos se enfrentaram e houve pelo menos um ferido, atingido pelo mastro de uma bandeira. Em menor número, no entanto, militantes de PT, PSTU, PSOL e de movimentos como CUT e MST acabaram se retirando. Bandeiras de partidos foram queimadas, e policiais militares que acompanhavam a passeata não interviram.

"O movimento é apartidário. Se eles estão aqui, devem estar pela causa e não pelo partido", defendeu a publicitária Victoria Freitas, parte do grupo que gritava palavras como “oportunistas” aos militantes. "Não dá pra fazer as coisas sem representação. Um sistema sem partidos é uma ditadura. Espero que eles não queiram isso", disse a engenheira Cláudia Stefani, militante do PT, que participou da manifestação para mostrar que todos têm o direito a voz.

Presidente da Comissão de Ética Estadual do PT, Danilo Camargo afirmou que, mesmo hostilizados, os militantes do partido seguirão participando das manifestações e devem ir em maior número às próximas. “PT, MST e CUT estão juntos porque ontem, depois que Mayara Vivian [integrante do MPL] anunciou no Jornal Nacional que o grupo vai lutar contra a reforma agrária e urbana, não tem como esses grupos não participarem.” 

Manifestação 20 de junho - Paulista _08
Manifestantes protestam contra o pastor Marcos Feliciano (Foto: Dubes Sônego / Veja São Paulo )

Tarifa zero

O MPL, que assumiu a liderança das manifestações antes da redução da tarifa, foi seguido por pessoas que reivindicavam transporte público gratuito. Em um discurso na Praça Oswaldo Cruz, um dos integrantes, o estudante Pedro Brandão, 27 anos, criticou os confrontos entre militantes de partidos políticos e manifestantes.

“O que vi foram militantes de extrema direita tentando usar essa mobilização para dar um caráter fascista ao movimento”, disse. Segundo ele, o MPL é apartidário mas tem consciência de que partidos de esquerda fizeram parte da luta pela queda do aumento da tarifa. Brandão acrescentou que o movimento deve se reunir para definir se irá continuar com as manifestações e quando será a próxima. “Hoje é um dia de comemoração. Conseguimos uma grande vitória na maior capital do país.”

Após a dispersão na Avenida Paulista, manifestantes também se espalharam pela Rua da Consolação, a Avenida 23 de Maio e até a pista local da Marginal Tietê. Não houve registros de confrontos com policiais, nem atos de vandalismo ou saques, como na última terça (18). Um homem foi detido com um coquetel molotov na esquina da Avenida Paulista com a Rua Bela Cintra.

Fonte: VEJA SÃO PAULO