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“Eles viviam o melhor momento da vida deles", diz namorada de Dinho do Mamonas

Valéria Zoppello tem 42 anos, é fotógrafa e proprietária de uma agência de produção de elenco em São Paulo 

Por: Ana Luiza Cardoso - Atualizado em

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Valéria hoje, aos 42 anos (Foto: Raphael Macek)

A paulistana Valéria Zoppello até hoje guarda as cartas que recebeu após a morte do namorado Dinho, vocalista da banda Mamonas Assassinas. Algumas ainda estão seladas. Às vezes, abre uma e lê. São mensagens escritas por fãs do grupo que se comoveram com a morte do quintento - o avião dos músicos caiu na Serra da Cantareira, em São Paulo, em 2 de março de 1996. “É uma história triste, uma tragédia. Até eu morrer, se não perder a memória, vou lembrar disso”, disse.

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Hoje, aos 42 anos, Valéria vive na mesma serra onde Dinhos e seus colegas morreram. Fotógrafa profissional, ministra workshops na área, organiza viagens e tem uma agência de produção de elenco. Porém, até chegar aí, trabalhou como piloto de automobilismo, modelo e atriz. Morou na Itália por alguns anos. Não casou, optou por não ter filhos. “Minha vida sempre foi tão dinâmica que não coube ter filhos e agora passou do tempo. Mas isso não me incomoda, é uma opção”, disse.

Embora o namoro com Dinho tenha durado apenas cerca de oito meses, as pegadas do relacionamento continuam na sua vida. Afirma que até hoje mantém contato com a família do músico. "É família, né, vai ser pra sempre”, disse. Ao ser entrevistada, conta a história, do início, com uma clareza de quem a repetiu muitas vezes.

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Valéria e Dinho se conheceram em um bar e começaram um relacionamento que durou até a morte do cantor, em 1996 (Foto: Reprodução/Facebook)

Valéria e Dinho se conheceram em um bar, na Serra da Cantareira. Ela tinha 21 anos e ele 24. Ela tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, onde trabalhava como modelo e guia em um parque da Disney. Ela não sabia ainda quem era o rapaz que ocupou o espaço do DJ e começou a cantar, arrancando aplausos e gritos do público. “Ele queria me impressionar”, disse. Na época, ela namorava outro rapaz e não queria papo. Ele insistiu. “Aquele jeitinho Dinho de ser”, disse Valéria.  “Ele me acompanhou até em casa e não queria ir embora até que eu o beijasse.”

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Apaixonada, deixou de lado a faculdade de veterinária, desacelerou a carreira de modelo e viajava sempre com a banda nas turnês. “A gente morava em aviões e hotéis”, contou. Falavam em casamento e ter filhos. Ela o acompanhava em shows e entrevistas. Se não aparecia, recebia ligações perguntando sobre a sua ausência. “Eles estavam vivendo o melhor momento da vida deles”, afirmou Valéria. “Era um grande sonho.”

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No dia 2 de março de 1996, Dinho voava de Brasília a São Paulo com a banda. Eles planejavam viajar para Portugal no dia seguinte para promover o disco e depois sairiam de férias. O cantor ligou para Valéria de dentro da aeronave dizendo que chegaria em uma hora e quarenta minutos.

Pediu que ela arrumasse as malas para acompanhá-lo na turnê e buscá-lo no aeroporto. Ela foi com os pais de Dinho, que utilizaram outro carro para buscar os instrumentos.  “O avião estava atrasado, eu comecei a ficar agitada, o pai do Dinho também”, disse. “Foi confuso, não tenho certeza do que aconteceu a partir daí.”

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Valéria disse que foi até a torre de controle para pegar informações sobre um avião pequeno que tinha pousado no aeroporto, queria saber se era o mesmo usado pelos Mamonas. Os funcionários informaram que tratava-se de outra aeronave. “Eu me lembro de ver ele [um funcionário] anotando um endereço na Serra da Cantareira.” Ela então ligou para os bombeiros, que disseram que havia uma explosão no local. “A gente concluiu que o avião tinha caído, foi um desespero.” 

Por anos, Valéria foi associada à memória de Dinho, que conquistou muitos fãs em poucos meses com os Mamonas Assassinas. “Depois de muitos anos, decidi que, para preservar tudo de bom que eu tinha vivido, eu precisava me calar”, disse Valéria. 

“Eu não vivo ligada a isso. Só falo sobre esse assunto com pessoas próximas, quando eu quero falar. Tomei essa decisão de viver a minha vida e guardar essa história na caixinha dourada das minhas memórias e ali vai ficar." 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO