Cinema

Malvino Salvador: cinema agora, novela no segundo semestre

Ator fala sobre a estreia do filme “Qualquer Gato Vira-Lata” e do próximo papel na televisão, na novela “Fina Estampa”

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Malvino Salvador
Malvino Salvador aparece nas telonas na comédia “Qualquer Gato Vira-Lata” (Foto: Marcelo Faustini)

Nascido em Manaus há 35 anos, Malvino Salvador coleciona alguns tipos engraçados nas telenovelas, como o Vitório, de “Alma Gêmea”, e o Régis, de “Sete Pecados”. Promovido a galã e protagonista desde “Caras & Bocas”, o ator estará na próxima novela das 8, “Fina Estampa”, e, a partir de sexta (6), chega aos cinemas sua nova comédia, “Qualquer Gato Vira-Lata”, em que divide a cena com Cleo Pires e Dudu Azevedo.

VEJA SÃO PAULO — Chegou a ver a peça de Juca de Oliveira em que seu filme se baseia?

Malvino Salvador — Não vi, mas a peça do Juca era muito em cima da comédia. No filme, isso poderia ficar simplório e, por isso, preferimos dar mais humanidade aos personagens. E também queríamos que as relações das pessoas fossem pautadas na realidade. Achamos que se elas fossem mais verdadeiras, o espectador teria envolvimento maior com a história.

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VEJA SÃO PAULO — É impressão ou você, antes conhecido como ator de comédias, está se voltando para o drama?

Malvino Salvador — Para mim, é tão gostoso fazer uma cena dramática quanto de humor. Tem gente que sai destruído de uma cena forte. Eu, ao contrário, sinto-me como se tivesse feito uma massagem. É um cansaço libertador. Mas não tenho preferência por nenhum gênero, embora as pessoas se lembrem de mim pelas comédias. Meus personagens mais famosos são o Tobias, da novela “Cabocla”, e o Vitório, de “Alma Gêmea”, que eu fazia com a Drica Moraes e tinha um bigodão. Já em “Caras & Bocas”, um personagem difícil de compor, às vezes ia pra comédia, às vezes para o dramalhão. Em “A Favorita”, o papel era totalmente dramático.

VEJA SÃO PAULO — Depois do sucesso de público e crítica de “Mente Mentira”, pretende voltar com sua peça para São Paulo?

Malvino Salvador — Fui atrás de um sonho e produzi um tipo de teatro que gosto de fazer e de ver. Foram cinco anos até captar recursos e montar a peça. Quando o [diretor] Paulo de Moraes topou, ficou mais fácil envolver outras pessoas. Também sou produtor de “Mente Mentira”, ainda quero rodar o Brasil com o espetáculo, levar para cidades que não tenham grande variedade cultural. Quis voltar para São Paulo, mas, como houve quatro baixas no elenco, não tive tempo hábil para os ensaios, sobretudo porque estou para começar a gravar “Fina Estampa”. Vamos segurar e voltar com o espetáculo só depois da novela.

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VEJA SÃO PAULO — Não gosta de fazer TV e teatro ao mesmo tempo?

Malvino Salvador — Prefiro evitar. Durante as filmagens de “Qualquer Gato Vira-Lata”, foi uma loucura. Dormia quatro horas por noite. Quando Mente Mentira estreou, filmava durante a semana e estava no teatro de sexta a domingo. Ambos os papéis demandavam tempo e muita dedicação. Como já tinha aceitado o convite para fazer o filme, não tive como dizer não. Fiquei num estado de transe e agi muito na intuição. O meu trabalho no filme era no set. Não tinha tempo de levar dever para casa, que eu usava para ensaiar e me preparar para a peça.

VEJA SÃO PAULO — Como será seu personagem em “Fina Estampa”?

Malvino Salvador — É minha primeira novela do Aguinaldo Silva e meu personagem, ao contrário dos outros que fiz, será meio introvertido. Estou curtindo. Quando você faz algo que dá certo, as pessoas te enxergam dessa maneira e querem aproveitar ao máximo o estereótipo. Se você não arriscar, nunca vai sair da zona de conforto. Vai sempre se repetir. Gosto de desafios, de explorar algo diferente.

VEJA SÃO PAULO — O que tem feito nas férias?

Malvino Salvador — Como trabalhei em seis novelas praticamente seguidas, fiquei sem muito tempo para visitar Manaus, minha terra natal. Portanto, fui cinco vezes para lá, visitei Buenos Aires, os Estados Unidos e fiquei muito com minha filha de 2 anos (fruto de um breve relacionamento com Ana Ceolin Silva), que mora em Brasília.

VEJA SÃO PAULO — Tem algum sonho no teatro?

Malvino Salvador — Muitos. O teatro sempre será um lugar onde pretendo atuar ao lado das pessoas que admiro. Aí as chances de errar serão menores. Penso em fazer um Tennessee Williams, quem sabe “Um Bonde Chamado Desejo”. Mas não sei se a hora é agora porque o personagem é parecido com o de “Mente Mentira”. Talvez fosse o momento de partir para algo diferente. Faria uma comédia, mas não daquelas que só tem gags. Tem que ter algo inteligente, algo que surpreenda, como “Os 39 Degraus”, com Dan Stulbach e Danton Mello, que vi recentemente e adorei. Posso encher meu bolso de dinheiro fazendo humor mais popular, mas essa não é minha intenção.

VEJA SÃO PAULO — Gostou do tempo que viveu em São Paulo?

Malvino Salvador — Eu tinha 25 anos quando saí de Manaus e vim para São Paulo, em 2001. Fiquei até 2004 estudando intepretação. Só fui para o Rio de Janeiro por causa da TV Globo. São Paulo é a única cidade cosmopolita do Brasil, tem uma efervescência cultural interessantíssima. Como quero construir minha identidade de artista, preciso transitar pelo Rio, mas venho muito para cá, onde tenho apartamento, muitos amigos e frequento a noite paulistana.

VEJA SÃO PAULO — Como encara o assédio dos fãs?

Malvino Salvador — Numa boa. E estranho quando não acontece. Mas tem de ter limite. Por exemplo, quando as pessoas não conseguem perceber a hora certa de pedir para tirar uma foto. Todo mundo tem de estar disponível para aceitar um não. Quando estou no aeroporto e atrasado para pegar meu voo, se uma pessoa me para no meio do caminho, eu peço desculpa, mas digo que estou embarcando. Se eu fosse atender todo mundo, não sairia do aeroporto [risos]. Mas tem gente que fica irritada só por levar um não. Elas não conseguem se colocar no lugar do outro. Na hora que estou comendo, num ambiente com amigos, também é muito chato ser importunado. Mas, na maioria das vezes, sou gentil.

VEJA SÃO PAULO — Tem vontade de filmar no exterior, como fizeram Rodrigo Santoro e Juliana Paes?

Malvino Salvador — Se pintar a oportunidade, será maravilhoso. Mas estou com a carreira em ascensão no Brasil e isso está sendo importantíssimo. Tenho tantas coisas para fazer por aqui que realmente não tenho tempo de pensar em algo fora do país.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO