Investigação

Mais dois casos de estupro na USP são denunciados

Falta de quórum adia a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar abusos sexuais nas universidades paulistas

Por: VEJA SÂO PAULO

Faculdade de Medicina da USP
Um dos casos foi registrado na Faculdade de Medicina da USP (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) recebeu duas novas denúncias de estupro contra alunas da Universidade de São Paulo (USP). A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar abusos sexuais nas universidades paulistas foi adiada nesta terça-feira (16) por falta de quórum.

Os dois relatos de abuso chegaram ao conhecimento dos deputados por meio de um e-mail criado pela comissão para receber denúncias. Os casos foram registrados na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em São Paulo, e na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba.

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O primeiro episódio aconteceu em 2008 em uma república, mas a vítima já havia sido assediada pelo agressor dentro da própria universidade. O segundo ocorreu no ano passado, também em uma república.

Quatro acusações de estupro na FMUSP já haviam sido feitas em audiências públicas da Comissão de Direitos Humanos no mês passado. A maioria dos registros teria acontecido em festas promovidas no câmpus.

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Os relatos levaram o presidente da comissão, deputado Adriano Diogo (PT), a propor a criação de uma CPI para investigar casos de estupro e outras violações de direitos humanos na USP e nas demais instituições paulistas.

Desencontro

A primeira sessão da CPI seria realizada na tarde dessa terça-feira  (16), mas foi remarcada por falta de quórum. Para que ela fosse aberta, era preciso a presença de cinco dos nove deputados estaduais titulares da comissão, mas apenas quatro compareceram.

Nenhum representante da bancada do governo estava presente na sessão no horário marcado, às 14 horas. Compareceram os deputados da oposição Marco Aurélio (PT), Sarah Munhoz (PCdoB), Carlos Giannazi (PSOL) e Diogo.

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Às 15 horas, o deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB) chegou à sessão, o que possibilitaria a instalação, mas a CPI não foi aberta porque o quórum deveria ter sido confirmado até 15 minutos após o início da sessão, de acordo com o regimento. Faltaram Bruno Covas (PSDB), Jorge Caruso (PMDB), José Bittencourt (PSD) e Ulysses Tassinari (PV), todos da situação.

Diogo acusou a bancada do governo de fazer manobra. "Tínhamos um acordo. Estou fazendo papel de bobo", disse ele. Bezerra negou a acusação de Diogo. "Não existe nenhuma manobra de esvaziamento, tanto é que estou aqui." (O Estado de S. Paulo).

Fonte: VEJA SÃO PAULO