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A maior luta de Maguila

O mais bem-sucedido peso-pesado da história do boxe nacional está internado há quase três meses e briga contra o Alzheimer, o processo de demência e um tumor no pulmão

Por: Alexandre Nobeschi

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Em 20 de abril, parentes e amigos se reuniram no Cemitério Parque Flamboyant, na cidade de Campinas, para o enterro de Luciano do Valle, vitimado por um infarto aos 66 anos. Uma das pessoas presentes chegou caminhando com dificuldade. O corpo, antes uma fortaleza, revelou-se alquebrado. A fala saía quase inaudível. Apesar das precárias condições, o ex-lutador José Adilson Rodrigues dos Santos, de 56 anos, fez questão de sair de sua casa, no bairro paulistano da Penha, para prestar uma última homenagem ao locutor esportivo que narrou os seus combates e empresariou o principal período de sua carreira. Foi a última aparição pública de Maguila.

O mais bem-sucedido peso-pesado da história do boxe nacional trava uma luta maior e mais dramática: a doença de Alzheimer e um processo de demência são seus principais adversários agora. Embora tenham sido diagnosticados em 2010, só mais recentemente esses problemas começaram a debilitar muito sua saúde. A decadência física se acelerou nos últimos meses e a situação preocupa médicos e família. Na semana passada, quando o nocaute para o americano Evander Holyfield em Lake Tahoe, nos Estados Unidos, completou 25 anos, derrota que acabou com o seu sonho de disputar o título mundial com Mike Tyson, o supercampeão da época, Maguila contabilizava também quase três meses de internação hospitalar.

 

Cinco dias depois de comparecer ao sepultamento de Luciano do Valle, ele deu entrada na Santa Casa de Misericórdia, no bairro de Santa Cecília, com pneumonia e desidratação. As primeiras horas de tratamento se tornaram ainda mais tensas após o resultado de uma ressonância magnética mostrar um tumor no pulmão direito. O nódulo mede 2,6 centímetros de largura por 2,1 centímetros de altura. A gravidade permanece uma incógnita, pois essa definição depende de uma bateria de exames que ainda não puderam ser realizados.

 

Se o tumor for maligno, os profissionais encarregados do caso terão dificuldades para usar contra a doença as armas mais eficazes da medicina, devido ao frágil estado de saúde atual do paciente, e se concentrarão apenas nos cuidados paliativos. O câncer de pulmão é um dos tipos mais agressivos, com letalidade superior a 90%. “Estes têm sido os piores dias da minha vida”, desabafa a esposa, Irani Pinheiro, de 48 anos.

 

Nascido em Aracaju, Sergipe, aos 12 anos de idade Maguila veio para São Paulo. Trabalhou como servente de pedreiro antes de tentar a sorte no ringue. Sua carreira decolou nos anos 80, quando passou a ser empresariado pela Luqui, que tinha Luciano do Valle como um dos sócios. Antes da derrota para Holyfield, acumulava no currículo 35 vitórias, entre as quais 27 por nocaute, e apenas dois reveses. O esforço para alavancar seu nome o colocou diante de uma série de adversários de quinta categoria, incluindo amadores como um metalúrgico, um cantor de cassino e um operário da construção civil. Muitos desses combates pareciam farsas armadas, mas Maguila foi avançando no esporte e aproveitou a onda.

A fama conquistada nas lutas transformou-o em uma figura pop. Virou garoto propaganda de empresas que exploravam nos comerciais seu jeitão simplório e carismático (“Esta porta é mutcho resistente!”, dizia ele numa das peças de maior sucesso na época, anunciando as qualidades do produto da Eucatex). Ele também estrelou programas televisivos (figurou até de “comentarista econômico” no Aqui Agora, do SBT), lançou CD de samba e tentou se eleger deputado federal em 2010, recebendo menos de 3 000 votos, número insuficiente para emplacar na Câmara.

 

O esporte que o consagrou, suspeitam os médicos, é também o principal responsável por levá-lo à lona. A exemplo do que ocorreu com a maior figura do boxe nacional, Eder Jofre, de 78 anos, Maguila pode ter sido golpeado pela chamada demência pugilística, distúrbio ocasionado por pancadas sucessivas na cabeça. A comprovação desse diagnóstico só pode ser feita por meio de dois procedimentos: a biópsia, com retirada de parte do tecido cerebral, ou a necrópsia.

Conhecido por seu bom humor e pelo jeito espirituoso, ele passou nos últimos tempos a ter surtos de agressividade. Em um dos acessos, em 2009, discutiu com um segurança do Parque Ecológico do Tietê. Acabou na delegacia por tê-lo agredido. Outro caso de cólera ocorreu em uma passagem pelo Hospital das Clínicas para ajuste de sua medicação, quando teve de ser contido pela equipe de enfermagem. Eram os primeiros sinais de que ele estava saindo do prumo. A irritabilidade é um dos traços da doença e, para controlá-la, após uma recusa inicial, Maguila passou a tomar três remédios diariamente, entre eles o calmante clonazepam, mais conhecido como Rivotril, o que tem surtido efeito, diz o geriatra Renato Fabbri, que acompanha o caso. “No máximo, ele solta alguns palavrões”, afirma.

 

A memória de Maguila, embora falhe, ainda não apresentou abalos significativos. Os lapsos mais comuns até agora são os relacionados ao senso de orientação. Um dos seus irmãos, José Maurício Rodrigues dos Santos, de 62 anos, conta que, em 2010, ao se dirigirem para a casa da mãe, Jolinda Rodrigues dos Santos, em Itaquaquecetuba, a 30 quilômetros de São Paulo, o ex-boxeador esqueceu o que estava fazendo. Em outra ocasião, saiu para andar de bicicleta pela Penha e, depois de vagar por horas, ligou para sua própria residência perguntando onde estava. Por outro lado, sua capacidade para recordar experiências de um passado mais remoto não foi afetada. Ele guarda o nome e a fisionomia das pessoas com quem sempre teve contato.

Maguila é um paciente sem previsão de alta, razão que o levou a ser transferido na metade do mês de maio da Santa Casa para o Hospital Geriátrico Dom Pedro II, no Jaçanã, Zona Norte. Está em um apartamento individual. Um grupo multidisciplinar, formado por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas, tenta retardar os efeitos das doenças degenerativas e irreversíveis. Diariamente, por exemplo, Maguila submetese a exercícios destinados à fala e à deglutição. Um dos treinos consiste em ficar mandando beijinhos, para reforçar a musculatura da face e do pescoço. No começo, o paciente resistia ao tratamento, mas passou a colaborar mais de uns tempos para cá.

O vigor físico do auge da carreira já havia dado lugar a uma silhueta roliça depois de 2000, quando parou de lutar. Nessa fase, chegou aos 145 quilos. Nos últimos seis meses, devido às complicações da doença, seu peso foi caindo paulatinamente e passou de 106 quilos para os atuais 86. Nos bons tempos, dono de um apetite pantagruélico, Maguila organizava churrascos cuja fartura era tamanha que até os cachorros ganhavam picanha — na época era patrocinado pelo falecido Marcos Bassi, do Templo da Carne.

Hoje, ele não sabe mais o que é mastigar. Desde que foi internado, é alimentado por sonda. A cada três horas, entre 300 e 400 miligramas de um composto alimentar passam pelo cateter e chegam diretamente ao estômago do ex-campeão. Ficar sem comer o deixa impaciente. “Digo a ele para ter calma”, conta Irani. “Se pudesse cozinhar para o Maguila, faria carne de panela com mandioca.”

Há cerca de dez dias os médicos tratam de uma infecção que causa febre e deixa o ex-pugilista mais cansado. “É um dos problemas típicos de uma internação de longa duração”, explica Renato Fabbri. “A imunidade mais baixa permite o ataque de doenças oportunistas.” Para acelerar a recuperação do paciente, o contato com ele, que já havia sido bem restringido pela família, temerosa de expor a imagem do ex-campeão neste momento de fragilidade, ficou ainda mais difícil.

 

Na segunda (14), um padre que passa nos quartos para falar com os doentes foi orientado a não entrar nas dependências onde Maguila está. Na tentativa de bloquear a curiosidade de parentes e amigos de outros internados, um biombo foi instalado em frente à porta do dormitório do enfermo famoso. Apesar de todos esses cuidados, o programa Brasil Urgente, da Band, divulgou na quarta passada (16) cenas do ex-lutador dormindo no quarto. “Alguém gravou as imagens com um celular, e isso não vai ficar assim”, diz Irani, que registrou no mesmo dia um boletim de ocorrência no 73º Distrito Policial por invasão de privacidade.

Ela subiu ao altar com Maguila há 26 anos, o segundo casamento dele. Tiveram Adilson Rodrigues Júnior, hoje com 23 anos (da união anterior, o ex-pugilista tem outros dois filhos; um deles, Adenilson Rodrigues dos Santos, o Maguilinha, tentou, sem sucesso, seguir os passos do pai). Antes da internação, Irani já cuidava de praticamente tudo na vida do marido. Escolhia até mesmo a roupa que ele usava no dia a dia.

Maguila não conseguiu fazer fortuna com o esporte. Uma de suas maiores bolsas, a da luta contra Holyfield, estimada em 150 000 dólares, mal fez diferença em sua conta. “Fiquei só com 5 000 dólares”, revelou à época o lutador, que se disse enganado por empresários e advogados naquela ocasião. Para protegê-lo de problemas semelhantes, ela foi cursar direito com o intuito de cuidar dos contratos do boxeador e hoje tem um escritório na Avenida Paulista.

Maguila também distribuiu casas e veículos aos irmãos, ajudou a ex-mulher e torrou dinheiro em negócios que não prosperaram, como um posto de gasolina e uma loja de laticínios. Com os problemas recentes de saúde dele, a situação financeira da família ficou mais apertada. Por causa da contenção de gastos, a ONG mantida pelo casal desde 2005 acabou sendo afetada. Batizada de Amanhã Melhor, a entidade, sediada no bairro do Butantã, tem como objetivo ajudar menores carentes por meio do esporte. Chegou a ter 150 crianças, mas hoje, por falta de recursos, só atende 27.

Alheio a problemas como esse, Maguila tem pouco a fazer em seu quarto. Fica boa parte do dia na cama, vê televisão, recebe algumas visitas e dorme. É um contraste marcante em relação ao tempo em que o peso-pesado corria 10 quilômetros nas primeiras horas da manhã e fazia com que os sparrings desaparecessem dos treinos por causa de sua mão pesada. “Ele se encontra em uma situação bastante complicada, mas está se tratando”, diz o presidente da Federação Paulista de Boxe, Newton Campos, de 89 anos. Os dois se conheceram no início da década de 80 na Forja dos Campeões, torneio que garimpa jovens talentos do boxe. “Ele sempre mostrou fibra. Não corria dos adversários. Não vai fazer isso com a doença.”

As pessoas próximas relatam que, em alguns dias, Maguila se mostra mais sonolento e introspectivo. Em outros, parece animado. “Mesmo com a dificuldade de falar, ele tem aquela coisa de fazer umas tiradas, bolar umas frases engraçadas, continua brincalhão. Sempre foi assim e é bom que continue, para, quem sabe, deixar o hospital mais rápido”, descreve Josmar Bueno, de 80 anos, um dos amigos de longa data.

“Já vi pacientes com casos mais graves voltando para casa, mas isso depende de certa infraestrutura na residência, que precisa ter um esquema de home care, com equipe de enfermeiros e uma nutricionista, entre outras coisas”, pondera o médico Renato Fabbri. Irani sonha levá-lo de volta para casa, mas reconhece que isso ainda pode estar distante. “Meu dia a dia agora é ajudá-lo a enfrentar seus rivais mais difíceis”, conta. “Tenho certeza de que ele vai vencer mais essa.”

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    O espaço apertado está repleto de mesas cobertas por toalhas branquinhas. O couvert, composto de pão, manteiga, queijo fresco e salgadinhos fritos, vale os R$ 21,90. Sugestão de prato, o bacalhau à brás (R$ 88,00) pode fazer parte do menu executivo no almoço de segunda a sexta (R$ 59,00, com entrada e sobremesa). Bem úmido, o rocambole de laranja merece cada garfada (R$ 20,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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    AK Vila

    Rua Fradique Coutinho, 1240, Pinheiros

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    Rua Peixoto Gomide, 1658, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3062 5557

    VejaSP
    1 avaliação

    Desde a inauguração, um saboroso detalhe do couvert (R$ 7,00) é difícil de esquecer: uma manteiga rosa, feita com morango. Ainda para abrir o apetite, vai bem o mix de cogumelos com geleia de pimenta (R$ 25,00). Trazido no ponto solicitado, o bife ancho alto vem acompanhado de escarola e palmito (R$ 61,00). Para um prato vegetariano, invista na berinjela à parmigiana com mussarela, parmesão e um toque inconfundível de ricota defumada (R$ 51,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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    Gelateria Dri Dri

    Rua Padre João Manuel, 903, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3061 9646

    VejaSP
    9 avaliações

    Filial de uma gelateria aberta por um italiano em Londres, sobressai pelos saboresde fruta, como açaí, goiaba e limão. Também investe em combinações ultrarrefrescantes, como a de tangerina, manjericão e um toque de morango e a de manga, gengibre e hortelã. Para quem quer algo mais “gordinho”, há o sorvete de creme com biscoitos e uma boa versão de baunilha. No pote, dois sabores custam R$ 10,00 e três, R$ 12,00. Quem pede a casquinha feita ali mesmo paga um pouco mais caro: R$ 12,00 e R$ 14,00, respectivamente.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Adaptada do livro homônimo escrito pela atriz Lu Lopes, Desmiolações tem três palhaços no elenco: Rubra (vivida pela própria Lu), Adão (Paulo Federal) e Comendador Nelson (Luiz Fernando Bolognese). Eles se revezam entre encenar e narrar os nove curiosos casos curtinhos presentes na montagem. Para isso, usam de recursos simples, como bonecos, aos mais elaborados, a exemplo da videoarte. No conto Bilhete, por exemplo, é por meio das sombras que Gabriel deposita um recado embaixo da porta do banheiro para sua mãe. Em Cabelos, é apresentada a história de Gutto. O garoto descobriu que seu tio careca tem cabelos, só que eles crescem para dentro. Bonitas ilustrações projetadas no fundo do palco mostram que os fios fazem cócegas no cérebro dele. Está aí a explicação para o tal tio dar tanta risada. E não é só ele. A plateia se diverte com as palhaçadas e fica encantada com tramas tão inusitadas. Estreou em 29/6/2014. Até 22/2/2015.
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  • Em 1941, ao ficar impressionado com Guernica, a famosa tela de Pablo Picasso, na época em exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York, Candido Portinari (1903-1962) decidiu trazer a força da pincelada cubista para seus trabalhos. O resultado pode ser observado na série Bíblica, composta de oito pinturas em tons de cinza, que retrata passagens do Novo e do Velho Testamento. A influência, tão clara, chega a sugerir certa falta de originalidade. Ainda assim, é tocante a dramaticidade de cada cena, em que sobram lágrimas e expressões de desespero, como em A Ressurreição de Lázaro (1944). As peças, exibidas no subsolo do Masp, aparecem junto de três obras da série Retirantes. Trata-se da mesma mostra que esteve em cartaz no Masp há pouco mais de um ano. São telas que valem ser vistas ou relembradas pela relevância do conjunto. A partir de 21/6/2014.
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  • Em 2002, a atriz Stella Miranda protagonizou South American Way, superprodução comandada por Miguel Falabella. Na pele da cantora Carmen Miranda (1909- 1955), ela faturou o Prêmio Shell e, agora, retoma a personagem em um musical de bolso — aquele sem uma superprodução — carregado de ritmo e balangandãs. Batizada de Miranda por Miranda, a peça traz o intimismo do clima dos cafés-concerto dos anos 40 e 50. Também responsável pela encenação, Stella dialoga com o público para costurar fragmentos de sua biografia a com a de Carmen, como o apogeu em Hollywood e a rejeição dos brasileiros ao seu sucesso. Os atores Renato Bellini, Cayo Caesar, Guilherme Moscardini e Will Anderson, além de três instrumentistas sob a direção musical de Tim Rescala oferecem um eficiente suporte. O espetáculo traz ao todo 22 canções, como Disseram que Eu Voltei Americanizada e Na Batucada da Vida. Estreou em 5/7/2014. Até 19/4/2015.
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  • Em um intervalo da turnê do espetáculo Tríptico Samuel Beckett, a atriz carioca Nathalia Timberg encontrou fôlego para tirar da gaveta um projeto muito pessoal, o monólogo Paixão. Com dramaturgia de Betty Milan e direção de Wolf Maya, o solo lançado em 1994 reúne fragmentos de poemas de Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Florbela Espanca para falar das alegrias e dores do amor. Tudo amparado pela trilha do maestro Júlio Medaglia. Estreou em 21/10/1994. As três sessões, de sexta (25/7) a domingo (27/7/2014), servem de interessante pretexto para a inauguração do Teatro J. Safra, sala de 633 lugares localizada na Barra Funda. 
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  • O músico Kiko Dinucci é o elo entre o Metá Metá e o Passo Torto, dois dos projetos mais interessantes que surgiram na cena paulistana nos últimos anos. Enquanto o primeiro, um trio formado por ele, Juçara Marçal (voz) e Thiago França (saxofone), busca infuência na cultura africana, a banda formada por, de novo, ele, Rodrigo Campos (cavaquinho, guitarra e voz), Rômulo Fróes (violão e voz) e Marcelo Cabral (baixo acústico) é mais voltada para o samba. Mas há algo comum na sonoridade: um certo peso roqueiro, fruto do tempo de adolescente de Dinucci, quando o guitarrista integrava conjuntos do gênero antes de conhecer e se apaixonar pelo som de Noel Rosa e de outros compositores. Em exibição única, os dois grupos tocam juntos e relembram canções dos respectivos repertórios. Obá Iná, Cobra Rasteira e Vias de Fato, gravadas pelo Metá Metá, dividem espaço com O Buraco, Tempestade e A Cidade Cai, presentes no disco Passo Elétrico (2013). O baterista Sérgio Machado, que já tocou com o rapper Criolo, os acompanha no palco. Dia 26/7/2014.
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  • Vale viajar até Campos do Jordão para acompanhar o trabalho de uma orquestra brasileira em ascensão: a Filarmônica de Goiás. Criada em 1989, a companhia teve idas e vindas até se firmar, em 2012, e começar turnês pelo país (só no ano passado, foram cinquenta apresentações). Desde 2014 sob a regência do inglês Neil Thomson, o grupo é esperado na 47ª edição do Festival de Inverno. Eles executam Concerto para Piano e Orquestra Nº 1, de Sergei Rachmaninoff, com o brasileiro Jean Louis Steuerman no solo de piano, e Retirada da Laguna, de César Guerra-Peixe. A programação ainda tem no mesmo auditório a Osesp com Giancarlo Guerrero, no sábado (9/7), por R$ 88,00, e a Orquestra Sinfônica de Heliópolis, com regência de Isaac Karabtchevsky, no domingo (10/7/2016), por R$ 22,00. Na Praça do Capivari, no centro da cidade, haverá uma série de concertos grátis. Recomendado a partir de 7 anos. Local: Auditório Cláudio Santoro. Endereço: Avenida Doutor Luís Arrobas Martins, 1800, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão. Tel.: (12) 3662-2334. Data: Sexta (8/7), 20h30. Valor: R$ 50,00. Bilheteria: a partir das 17h30 (sexta).
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  • Duas mudanças fazem a diferença no longo quarto capítulo da franquia. Além de os robôs estarem muito mais definidos tecnicamente, a saída do antipático Shia LaBeouf e a entrada do carismático Mark Wahlberg contam pontos em Transformers — A Era da Extinção. De cara amarrada e coração mole, o personagem de Wahlberg, Cade Yeager, é daqueles perdedores pelos quais as pessoas torcem. Inventor de talento, mas financeiramente quebrado, ele tem de driblar o confisco de sua propriedade rural e a fase de namoro da filha, Tessa (Nicola Peltz). A coisa ainda vai piorar. Ao comprar um velho caminhão, Cade descobre tratar-se de Optimus Prime, o líder gigante das máquinas Autobots. Os Estados Unidos, porém, baniram esses alienígenas e, ao saberem da existência de Optimus, agentes da CIA partem para cima do protagonista. Não se pode esperar coerência num enredo de fantasia ilimitada. Tanto a porção, digamos, dramática (o pai rejeita o pretendente de Tessa) quanto as revigorantes cenas de ação funcionam bem. Apostando na grandiosidade, o diretor Michael Bay dá o que o espectador quer: um espetáculo de explosões, barulho e efeitos visuais de primeiríssima linha. Estreou em 17/7/2014.
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  • Mesmo sem o encanto e a graça dos grandes sucessos da Disney, o já mediano Aviões ganhou uma sequência rápida e rasteira um ano depois de lançado. A trama do segundo episódio traz de volta o teco-teco Dusty Voorasante. Por causa de uma peça avariada no motor, o aviãozinho tem de encerrar a carreira de corredor. Aconselhado pelos amigos, Dusty ganha uma segunda chance nos ares ao ser treinado para combater incêndios em florestas. Não há vilão nem personagens carismáticos, a exemplo de outras animações do estúdio do Mickey. O que o original tinha de bom retorna aqui: cenas aéreas empolgantes e a reprodução perfeita das paisagens americanas. Estreou em 17/7/2014.
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  • Adam Sandler é criticado por fazer sempre o mesmo filme. Mas se o cara encontrou a receita do humor familiar, que mal há nisso? Nesta nova comédia, o ator repete a dose e segue os passos de Esposa de Mentirinha (2011). Ele interpreta Jim, viúvo, pai de três filhas e funcionário de uma loja de artigos esportivos. A fim de achar uma nova cara-metade, Jim marca um encontro às escuras com Lauren (Drew Barrymore), recém-separada e mãe de dois moleques. Não há química entre eles e o bate-papo vira um desastre. Uma dessas coincidências da vida volta a uni-los. Num deslumbrante resort na África do Sul, as famílias de ambos se cruzam. Lauren odeia  Jim — e vice-versa. Aos poucos, como manda o figurino das comédias românticas, ela enxerga nele um paizão dedicado e ele encara a necessidade de ter uma mãe para aconselhar suas garotas. Há muitos risos garantidos e um tanto de cenas apelativas, entre elas a corrida em cima de um avestruz. Não contente com um longa-metragem para a família, Sandler insiste na grosseria e aí a receita desanda. Estreou em 17/7/2014.
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  • Em 1984, um barco deixa o porto na Islândia. Leva uma turma de pescadores para mais uma jornada no mar aparentemente igual a todas as outras. À noite, a embarcação vira e deixa os homens em pânico. Três deles conseguem flutuar por alguns minutos, mas apenas um chega vivo até a costa. O sobrevivente é Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), considerado um herói por ter nadado cinco quilômetros durante seis horas em águas para lá de geladas. Considerado inédito por cientistas e médicos, o caso passa ser objeto de estudo. O drama, comandado com pulso firme por Baltasar Kormákur (já levado para Hollywood onde realizou Contrabando e Dose Dupla), foi o candidato islandês a uma vaga no Oscar 2013. Na recriação da agonia do protagonista, descortina-se uma fascinante história da luta pela vida. Junto aos créditos finais, surgem imagens verídicas dos testes feitos em Gulli. Estreou em 17/7/2014.
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  • O italiano Giuseppe Tornatore, de 58 anos, jamais repetiu o sucesso de público e crítica de sua obra-prima, Cinema Paradiso (1988). Também não será com este drama de suspense que o diretor reconquistará o prestígio. Contudo, Tornatore sabe bem como envolver a plateia em uma trama misteriosa e de desfecho surpreendente. Tem algo de “old fashioned” no enredo e no formato embolorado da realização, mas nada capaz de estragar o programa. A história cobre a trajetória de Virgil Oldman (Geoffrey Rush). Esse renomado e inescrupuloso leiloeiro é um almofadinha solteiro, dono de uma coleção secreta de telas valiosas — são retratos de mulheres comprados, na base da trucagem, por um preço abaixo do mercado. Muito requisitado, Virgil recebe o telefonema de uma herdeira com uma proposta irrecusável: ela quer os serviços dele para avaliar e leiloar todos os bens da família. A jovem Claire (Sylvia Hoeks), no entanto, vive reclusa e se nega a encontrar qualquer um pessoalmente. Aos poucos, o solitário protagonista se afeiçoa à cliente tentando ajudá-la a superar seus medos. Estreou em 17/7/2014.
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  • Comportamento

    Agora, eleições

    Atualizado em: 18.Jul.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO