Especial

Mafalda Colonelli Gurzoni, 101 anos

No último domingo, Mafalda Colonelli Gurzoni comemorou com uma festa o seu aniversário

Por: Giuliana Bergamo - Atualizado em

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Mafalda nasceu em São Paulo (SP), em 2/5/1909; tem três filhos, nove netos e quinze bisnetos (Foto: Fernando Moraes)

No último domingo, teve festança no salão do edifício em Moema onde Mafalda Colonelli Gurzoni mora com a filha e o genro. O motivo da comemoração eram os seus 101 anos. Estavam lá: os dois filhos vivos (um morreu há vinte anos), o genro e uma das noras, sete dos nove netos e treze dos quinze bisnetos (na foto ao lado, prontos para o Parabéns a Você). “Eles todos vieram para me ver”, diz, contente, a aniversariante.

“A festa foi muito boa, principalmente pelo nhoque. Uma delícia!” Comer é um dos prazeres da filha de italianos nascida no Bom Retiro. Sua taxa de glicemia está um pouco acima do desejado, e, por isso, ela não deveria abusar dos doces. “Mas mamãe esconde bombons no armário, na gaveta, e come quando ninguém está vendo”, conta a filha Yara.

A revelação é acompanhada por uma alta risada de Mafalda. Animada, ela repete a reação sempre que discorre sobre suas peripécias. A centenária conheceu o marido, João Gurzoni Netto, no Parque da Luz “tirando linha” (gíria da primeira metade do século passado para paquerar). “A gente tinha sempre de levar uma solteirona junto. Que horror!”, afirma.

Quando ficou noiva, passou a ganhar mesada do futuro marido e parou de trabalhar. “Achei bom, mas comecei a engordar porque não tinha mais de caminhar para chegar ao meu emprego.” Em 1924, deixou o Bom Retiro. Naquele ano, o bairro, assim como outras regiões da cidade, foi palco de batalhas entre militares e jovens descontentes com a Primeira República. A família de Mafalda mudou-se, então, para a Pompeia. Quando ficou viúva, aos 64 anos, ela já morava em Moema. “Aproveitei para começar a viajar, coisa de que meu marido não gostava”, diz. Na ocasião, foi para Miami e, depois, até os 90 anos, diversas vezes à Itália. “Adoro dar uma passeadinha.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO