Justiça

Polícia prende mãe de menina torturada

Padrasto da garota de três anos está detido em Tremembé; para investigadores, parte do material é considerado pornográfico

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

Sara de Andrade Ferreira, mãe da menina de três anos filmada pelo padrasto comendo uma cebola, foi detida em Araçatuba às 17h30 desta quinta-feira (9). O pedido de prisão preventiva partiu do Ministério Público, que encaminhou à Justiça a denúncia contra a mãe e o padrasto da criança, o empresário Maurício Moraes Scaranello, de 35 anos, que já estava preso. Os dois devem responder pelos crimes de tortura e por guardar material considerado pornográfico.

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De acordo com a promotor Flávio Hernandez José, Sara participou de algumas filmagens. Em determinados momentos, parece incentivar a participação da filha. "Ela se omitiu em uma situação em que deveria proteger a criança." Até a tarde de quarta-feira (8), a menina de 3 anos permanecia sob os cuidados do Conselho Tutelar

Nesta quarta, o padrasto foi transferido para o presídio de Tremembé, onde ficam acusados de crimes de repercussão, como Roger Abdelmassih, Alexandre Nardoni e os irmãos Cristian e Daniel Cravinhos. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), a remoção foi feita para garantir a integridade física do preso. Ele permanecerá em regime de observação por dez dias e, neste período, só receberá visitas de advogados.

Assim que Scaranello partiu para a prisão, o advogado William Paula de Souza entrou com pedido de relaxamento de flagrante, negado pela Justiça. O advogado esperava a denúncia do Ministério Público para entrar com um habeas corpus.

Caso

Após receber denúncias anônimas de tortura, a polícia foi até o condomínio onde Maurício Scaranello mora com a criança e a mãe dela com um mandado de busca e apreensão na sexta-feira (26). Os agentes encontraram o empresário na portaria e a menina sozinha em um quarto da residência. Ela tinha marcas de queimadura por cola nas pernas e genitálias. Ele foi detido em flagrante e transferido para uma prisão em Penápolis.

Após a prisão, dois vídeos que o empresário fez com a criança circularam pela internet. Em um deles, a incentiva a comer cebola dizendo que é uma maçã. No segundo, o empresário assusta a menina, que cochila assistindo à televisão. Na terça-feira (30), o advogado William Paula de Souza, classificou as imagens como brincadeiras "de mau gosto", comparando a situação com as “vídeo-cassetadas”.

Fonte: VEJA SÃO PAULO