Cinema

“W.E. — O Romance do Século”: segundo longa dirigido por Madonna

Filme conta história de amor entre o rei Eduardo VIII e americana de comportamento liberal

Por: Miguel Barbieri Jr.

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O rei Eduardo VIII (James D’Arcy) e a americana Wallis (Andrea Riseborough): amor velado (Foto: Divulgação)

Não há como negar: Madonna é mesmo um fenômeno. Quando seus detratores torcem por uma escorregada, a popstar ressurge ainda mais esfuziante e enxuta. Os 114 milhões de americanos que a viram pela televisão durante o intervalo do jogo no Super Bowl, no início de fevereiro, testemunharam uma apresentação histórica. Não contente em ser “apenas” cantora e, esporadicamente, atriz, Madonna, de inacreditáveis 53 anos, virou diretora de cinema. “Filth and Wisdom” (2008), seu primeiro filme, nem sequer passou pelo Brasil. Sua segunda investida atrás das câmeras foi igualmente tratada com desdém no Festival de Veneza no ano passado. Não era para tanto. “W.E. — O Romance do Século”, em pré-estreia na cidade e com lançamento previsto para sexta (9), pode ter alguns momentos pretensiosos, mas, no fim das contas, resulta num longa-metragem envolvente.

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Parte da trama foi abordada em “O Discurso do Rei”, premiado em 2011 com quatro estatuetas no Oscar. Em 1936, o rei britânico Eduardo VIII (1894-1972), interpretado por James D’Arcy, abdicou do trono em favor de seu irmão, Bertie, o gago. O motivo: Edward estava apaixonado por Wallis Simpson (1896-1986), papel de Andrea Riseborough, uma americana casada pela segunda vez e de comportamento muito liberal para os padrões da realeza. Escrito por Alek Keshishian em parceria com a diretora, o roteiro faz um paralelo dessa história do passado com o amargo cotidiano de Wally (Abbie Cornish) na Nova York de 1998. Essa dona de casa, infeliz no casamento e fascinada pelo amor do duque e da duquesa de Windsor, se vê diante de um impasse afetivo ao ser paquerada por um segurança russo (Oscar Isaac).

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Os figurinos da estilista Arianne Phillips, indicados ao Oscar, são apenas um aperitivo do esmero estético da fita. Além de servir-se de registros documentais de época, Madonna, em leve tom feminista, busca na figura de Wallis o exemplo de uma mulher à frente de seu tempo, o oposto da Wally contemporânea. Sem se perder no vaivém da narrativa, a realizadora, assim como seus protagonistas, mantém-se firme no propósito de apostar na paixão e no romantismo.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO