POLÍTICA

Após depor, Lula volta para casa e diz que PT precisa erguer a cabeça

Ex-presidente afirma ainda que está disposto a percorrer o país e que pode concorrer à Presidência em 2018

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Lula depoimento
Lula, no diretório do PT, após prestar depoimento na Polícia Federal (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

Depois de se pronunciar na sede do PT na capital paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu para sua residência em São Bernardo do Campo (SP). Segundo diretores do Instituto Lula e dirigentes petistas, ele manifestou desejo de ver a esposa Marisa Letícia e os filhos - que também foram alvo da 24ª fase da operação Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira (4).

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Ainda não é certo se o ex-presidente vai voltar para o ato marcado pela CUT e movimentos sociais previsto para as 18h na Quadra dos Bancários.

Pouco antes de deixar o diretório nacional do PT, Lula desceu à rua por instantes para se aproximar da militância. Ele, no entanto, foi envolvido pela multidão e recuou para dentro do prédio depois de cerca de um minuto. Centenas de manifestantes tentavam se aproximar de Lula aos gritos de "Lula, guerreiro do povo brasileiro" e de "Lula, cadê você, eu vim aqui pra te defender". Na sequência, Lula saiu de carro.

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Em discurso para petistas e apoiadores na sede do PT em São Paulo, Lula disse que esperava se aposentar após a presidência, mas, diante dos fatos, está disposto a rodar o país a convite de movimentos populares. "Quem quiser acertar um discursinho do Lula, é só acertar a passagem de avião", afirmou.

Ele disse que descobriu, agora, que nem tudo está acabado, como pensou que estivesse, e disse que o PT precisa levantar a cabeça. O ex-presidente afirmou que a natureza é implacável com pessoas de sua idade (70 anos), mas não descartou uma candidatura presidencial em 2018.

Durante sua fala, o ex-presidente pediu desculpas à sua esposa Marisa Letícia e aos filhos pelo constrangimento pelo qual sua família está passando. Lula disse que está sendo vítima de preconceito e lembrou sua origem humilde e das dificuldades até chegar à Presidência.

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Após a fala do ex-presidente Lula, centenas de militantes do lado de fora da sede do PT gritaram "Lula, guerreiro do povo brasileiro" e "Ole, ole, olá, Lula Lula". Também houve gritos de "Não vai ter golpe" e de "Partido, partido, é dos trabalhadores".

Muitos acompanhavam pelos celulares a fala do presidente, transmitida ao vivo pelas redes de TV. Os militantes olhava pra cima na esperança de ver Lula acenar na janela e agitavam bandeiras do partido.

A deputada do PCdoB Jandira Feghali chegou por volta das 15h30 à sede do Diretório nacional do PT. Na entrada, se uniu rapidamente aos gritos dos manifestantes levantando o punho.

Dilma

Em resposta à operação da Polícia Federal que mirou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff manifestou, em nota, seu "integral inconformismo com o fato de um ex-presidente da República que, por várias vezes, compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos perante às autoridades competentes seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar um depoimento".

Para a presidente, o "cumprimento da Constituição é a única via segura para o bom exercício das funções públicas e o respeito aos direitos individuais". "O respeito aos direitos individuais passa, nas investigações, pela adoção de medidas proporcionais que jamais impliquem providências mais gravosas do que as necessárias para o esclarecimento de fatos", disse a presidente em nota.

A presidente frisou que seu governo garantiu a autonomia dos órgãos responsáveis por investigações de atos de improbidade e de corrupção, mas que sempre exigiu "respeito à lei e aos direitos de todos os investigados".

Na nota, a presidente voltou a criticar vazamentos ilegais de informações e prejulgamentos. "Vazamentos ilegais, prejulgamentos antes do exercício do contraditório e da ampla defesa, não contribuem para a busca da verdade, mas apenas servem para animar a intolerância e retóricas antidemocráticas", disse.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO