Dança

Lu Favoreto fala sobre o novo espetáculo da Cia. Oito Nova Dança

Xapiri Xapiripë é resultado de uma pesquisa sobre os povos ameríndios. Performance fica em cartaz até dia 26 no Sesc Pinheiros

Por: Luisa Coelho - Atualizado em

Espetáculo de dança 'Xapiri Xapiripë', sob direção de Lu Favoreto e Cibele Forjaz
Lu Favoreto, em 'Xapiri Xapiripë', da Cia. Oito Nova Dança (Foto: Adriano Milan)

Xapiri Xapiripë, Lá Onde a Gente Dançava Sobre Espelhos: esse é o nome do novo espetáculo de Lu Favoreto com a Cia. Oito Nova Dança. A referência é aos povos ameríndios que fazem parte da ancestralidade dos membros do próprio grupo. Após uma pesquisa profunda sobre rituais, línguas e cantos, o resultado é uma performance intensa que mistura linguaguens musicais e de teatro.

 

Na entrevista abaixo, a diretora, coreógrafa e dançarina Lu Favoreto fala sobre o processo de criação:

Qual foi a inspiração para Xapiri Xapiripë? Partimos da ancestralidade de cada um. Depois, o antropólogo Renato Sztutman fez toda a fundamentação teórica do trabalho e nos ajudou a achar paralelos com povos ameríndios que tivessem alguma correspondência com essas ancestralidades individuais. Escolhemos, então, oito grupos e cada intérprete-criador tomou um como referência. Depois entramos em um processo bem profundo de pesquisa sobre os rituais, as línguas e os cantos.

O que aprenderam de novo nesse processo? O que há de mais novo é a linguagem teatral. Estou fazendo a direção praticamente em conjunto com a Cibele [Forjaz, que assina direção cênica e criação de luz, além da concepção, em parceria com Lu Favoreto]. Nós já somos parceiras há cinco anos, mas sempre cada uma na sua área. Dessa vez, o espetáculo é totalmente híbrido.

+ Assista a trecho de coreografia da Cia. Oito Nova Dança

A trilha sonora da perfomance é impactante. Os artistas em cena participam da musicalidade. A companhia sempre teve forte presença da música, com músicos em cena, criando junto. Temos um diretor musical, que está em cena [Gregory Slivar], e trouxe os cantos e os instrumentos. Experimentamos tudo junto. E também há a cantora Ná Ozzeti. É um trabalho de colaboração e parceria muito grande.

Qual é a diferença entre um intérprete-criador e um dançarino? Interprete-criador não repete e faz o que o outro fala para ele fazer. Não recebe apenas a informação e executa. Ele cria junto toda a matéria de expressão. É tão autor do trabalho quanto o diretor e o coreógrafo, quando existe um.

E os próximos projetos? Acho que vamos entrar ainda mais nos trabalhos de campo. Temos dois projetos em processo de edital. Um é levar o espetáculo para o Norte e se aproximar mais dos povos indígenas. O outro é com os guaranis que estão na Ilha do Cardoso, na Boraceia. Queremos uma experiência “in loco”, para nos dar matéria para criar

Fonte: VEJA SÃO PAULO