Cinema

'London River' conta drama de personagens à procura de seus filhos

Exibido no Festival de Berlim de 2009, longa levou o prêmio de melhor ator para o malinês Sotigui Kouyaté

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

London River - 2185
Sotigui Kouyaté e Brenda Blethyn em 'London River — Destinos Cruzados': sentados à beira do caminho (Foto: Divulgação)

Francês de origem argelina, o cineasta Rachid Bouchareb quase sempre direciona seu foco para os contrastes socioculturais. London River — Destinos Cruzados soma-se a uma filmografia que inclui, entre sete longas-metragens, ‘Dias de Glória’, indicado ao Oscar em 2007, e o recente ‘Fora da Lei’, atração da próxima Mostra Internacional. Exibido no Festival de Berlim de 2009, ‘London River’ saiu de lá com o prêmio de melhor ator, para o malinês Sotigui Kouyaté, morto em abril aos 73 anos.

A ação transcorre no início de julho de 2005, quando Londres foi sacudida por uma série de atentados terroristas. Preocupada com o sumiço da filha, a viúva Elisabeth Sommers (Brenda Blethyn) deixa sua fazenda para descobrir o paradeiro dela. Na capital inglesa, porém, há mais pontos de interrogação. A jovem estudante morava colada a um armazém árabe e saiu de casa sem deixar rastro. Ao conhecer Ousmane (Kouyaté), um senhor africano que vive em Paris e está em Londres à procura do filho, Elisabeth leva outro choque: sua menina, além de namorar o tal rapaz, vem buscando no islamismo uma nova religião.

Com a propriedade de quem já sofreu o preconceito racial na pele, Bouchareb, também roteirista, arma uma situação conflitante convincente. De um lado está uma senhora protestante branca e dona de si. Na outra ponta, um humilde muçulmano negro. Sem passado nem futuro em comum, eles precisam unir as forças atrás de informações no presente. Em meio a improvisos da dupla de atores e a cenas extraídas dos noticiários da época, a fita sobressai, sobretudo, pela formidável interpretação de sua protagonista — desde ‘Segredos e Mentiras’ (1996), Brenda Blethyn, de 64 anos, não encontrava um papel à altura de sua capacidade.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO