Festival

Saiba como foi o primeiro dia do Lollapalooza

Estreia do festival em novo endereço foi marcada por longas filas, empurra-empurra no caminho entre palcos e bons shows

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

A mudança de endereço do Lollapalooza do Jockey Club para o Autódromo de Interlagos dividiu a opinião do público. Com o aumento do espaço (o festival ocupa 600 000 metros quadrados do local, cinco vezes o tamanho da área usada anteriormente), a distância entre os palcos aumentou. Com isso, a caminhada ficou mais penosa, principalmente sob sol forte, e aquele velho costume de “dar uma passadinha” em outro show ficou para trás.

Com 90 000 pessoas se deslocando para lá e para cá, foi inevitável o empurra-empurra. O desconforto do público começou logo na chegada. Foi preciso enfrentar longas filas para entrar e para retirar ingressos, tudo isso sob um sol de 30 graus. A viagem de trem foi rápida, apesar dos vagões lotados. Quem veio de carro enfrentou trânsito muito lento nos arredores. 

O festival também mudou o perfil: o novo Lolla tem cara de gringo. São muitas as atrações de entretenimento entre os palcos, como o ringue de patinação de um dos patrocinadores e a feirinha gastronômica Chef’s Stage. As tendas para descanso e o gramado abundante também foram um ponto positivo.

Nessa nova estrutura, os palcos foram posicionados em vales, o que permite ver os shows de longe. No entanto, não é de qualquer lugar que se consegue ouvir bem as apresentações. Atração mais esperada do dia, a banda inglesa Muse fez um show mediano, marcado por problemas vocais de Matt Bellamy, que cancelou uma apresentação paralela semana na cidade por causa de uma laringite. Por sua vez, Lorde surpreendeu pela voz potente e Phoenix voltou a fazer um set competente, ainda que repetindo o formato do espetáculo que mostrou há quatro anos no festival Planeta Terra.

Dicas para domingo

- Saia cedo de casa, pois as filas para entrar no Autódromo são longas, assim como o caminho até os palcos. E vá de tênis.

- Prefira ir de trem.

- Traga protetor solar e um casaquinho para quando o sol se pôr.

- Nem pense em tentar ver dois shows no mesmo horário.

Pontos altos

- Os palcos Skol e Onix estão posicionados em vales dentro do Autódromo, oferecendo uma visão panorâmica dos shows; que podiam ser vistos mesmo a distância.

- A feirinha gastronômica Chef’s Stage, novidade da terceira edição do festival, foi aprovada pelo público.

- Era grande o número de vendedores ambulantes de bebidas e comidinhas por todos os cantos do Autódromo.

- Chegar ao festival de trem foi uma boa escolha. Apesar de cheios, o serviço atendeu a demanda.

Pontos baixos

- Falhas pontuais no som dos palcos Skol, Onix e Interlagos

- Apesar da posição dos palcos permitir ver os shows de qualquer lugar, não era de qualquer ponto que era possível ouvir as apresentações

- O deslocamento do público entre os palcos foi bastante sofrido; houve empurra-empurra na saída dos shows da Lorde e do Phoenix

- Longas filas: para entrar no festival, para retirar ingressos comprados pela internet e nos banheiros químicos

Acompanhe a cobertura completa do Lollapalooza pelo Twitter @vejasp e confirma como foi o primeiro dia do festival.

CAGE THE ELEPHANT – 15h05 às 16h05 (Palco Onix)

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Na edição de 2012 do Lollapalooza, o Cage the Elephant entrou em cena como uma banda muito bem apadrinhada (foi elogiada por integrantes do Foo Fighters, a atração principal daquele ano), mas ainda pouco conhecida. Com um performance eletrizante à la Kurt Cobain, o vocalista Matt Shultz deixou uma impressão tão boa que voltou ao festival com cacife para lotar um dos palcos do evento. Para quem esperava apenas uma reprise daquela apresentação, os americanos surpreenderam com um show com mais nuances, psicodelia e pausas, ainda que sempre caloroso – o ‘band leader’, aliás, subiu no palco sem camisa e já pingando de suor. O disco mais recente, Melophobia (2013), mostrou um grupo com ambições sonoras que vão muito além do grunge e do pós-punk. O show deste sábado (5) provou que o Cage the Elephant está conseguindo crescer musicalmente sem perder o espírito juvenil.

Funcionou: A atitude rock ‘n’ roll do incansável Matt Shultz é santo remédio para salvar qualquer grande festival da monotonia.

Não funcionou: As músicas mais lentas, ainda que interessantes, fizeram o público sentir o calor e perder um pouco a paciência.

O que faltou: Hits mais memoráveis. Nesse quesito, o Cage the Elephant ainda soa como uma banda indie de segunda divisão.

(Tiago Faria)

JULIAN CASABLANCAS – 16h10 às 17h10 (Palco Skol)

Foi sob os gritos das garotas de shortinho e regata que Julian Casablancas, o líder da banda indie Strokes, subiu ao palco principal do festival para mostrar seu projeto-solo. O rock pesadão provocou estranhamento na galera, que se empolgou mesmo com Take it or Leave it, dos Strokes. No setlist também estavam Dare I Care, 11th Dimension e Glass, entre outras. Quem acompanhou as notícias sobre o Lollapalooza Chile, onde o músico também foi atração, não se espantou. A imprensa e o público do país vizinho detonaram a apresentação do roqueiro. É, não foi dessa vez, Julian.

Funcionou: Deitado ou sentado sobre cangas, o público aproveitou para garantir um lugar pertinho do palco para os shows do Phoenix e do Muse.

Não funcionou: Julian perguntou à plateia quem gostava de futebol, mas poucos responderam. Ele pediu uma bola ao staff, que demorou para chegar. Com a bola em mãos, tentou repetir a brincadeira, sem sucesso.

O que faltou: Carisma. Com piadinhas sem graça, o vocalista não ganhou a empatia do público, e foi embora do palco sem se despedir.

(Mayra Maldjian)

PHOENIX – 18h35 a 19h50 (Palco Skol)

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Precisão, para os franceses do Phoenix, é palavra de ordem. Sem dar chance para o mau humor do público, eles costumam abrir shows com seus sucessos mais potentes e encerrar as apresentações de forma quase circense, com momentos em que o vocalista Thomas Mars parece acenar para Bruce Springsteen ao “ir para a galera” e (literalmente) se jogar no público. Esse foi o script da exibição deles no festival Planeta Terra, há quatro anos, e também do show deste sábado no Lollapalooza. Nos dois casos, Mars saiu de cena nos braços dos fãs, carregado pela multidão depois de escalar um poste de luz. A diferença é que, desta vez, a banda se mostrou ainda empenhada em desmentir quem os acusa de frieza e excesso de polidez.

Depois das irresistíveis Entertainment (com clima de pop japonês), Lasso e do hit de festinhas de rock Lisztomania, eles provocaram e agradaram com com passagens de rock progressivo (Love Like a Sunset), europop (If I Ever Feel Better) e psicodelia visual com jogos de luzes bem marcados, às vezes quase minimalistas, e imagens coloridíssimas no telão. A reação, principalmente de quem estava perto do palco, foi explosiva. “Esta é a maior plateia da nossa vida. Vamos contar para nossos netos, bisnetos”, disse Mars, antes de enrolar numa bandeira do Brasil. Um setlist populista? Talvez sim. Pouca profundidade nos momentos mais “cabeça” da performance? Definitivamente. De pecar pela falta de entusiasmo, no entanto, os detratores do Phoenix não podem acusá-los.

Funcionou: a seleção de músicas do disco mais recente do grupo, Bankrupt! (2013), não soou deslocada no repertório.

Não funcionou: em Love Like a Sunset, uma falha técnica deixou o som abafado e tirou muito do impacto de uma das melhores músicas da banda.

O que faltou: hits dos discos mais antigos deles, como Long Distance Call” e “Run.

(Tiago Faria)

LORDE – 18h30 às 19h25 (Palco Interlagos)

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Com um show introspectivo e vibrante, a adolescente neozelandesa de 17 anos foi uma das grandes surpresas do primeiro dia do festival. E nem precisou se esforçar muito para isso. Mesmo competindo com os franceses do Phoenix, a cantora e compositora arrebanhou uma multidão ao pequeno palco Interlagos, que assistiu extasiada a um espetáculo simples, sem pirotecnias, embalado pelas canções de seu disco de estreia, Pure Heroine, lançado no ano passado. Ao longo de uma hora, exibiu um vocal fiel ao álbum em Tennis Court e 400 Lux, acompanhada apenas de um baterista e um tecladista. O formato da banda, inclusive, deu um contorno mais eletrônico e underground à sonoridade pop da musa teen.

No lugar do batom vinho e das roupas escuras, ela optou pela maquiagem de tons vermelhos, por uma calça branca, de cintura alta e um top preto, deixando a barriga à mostra. A dancinha esquisita, porém contagiante, foi reproduzida pela plateia o tempo todo. Com lágrimas nos olhos, jovenzinhas com flores na cabeça cantavam todas as músicas de cabo a rabo. O público mais velho, também atraído pela simpática cabeluda de olhos claros, saiu satisfeito. “É muito louco para mim estar aqui”, disse a artista emocionada. Ficaram para o final os hits Royals e Team, entoados em uníssono pelo público, que só arredou o pé de lá depois do último acorde.

Funcionou: O formato de banda com baterista e tecladista reforçou o teor eletrônico do trabalho da cantora.

Não funcionou: Deixar os hits para o final segurou a multidão, que passou aperto para deixar o local.

O que faltou: Os telões pequenos mostravam imagens cortadas da cantora em alguns momentos. Isso enfureceu os fãs que não conseguiram chegar mais perto do palco.

(Mayra Maldjian)

NINE INCH NAILS - 19h55 – 21h25 (Palco Onix)

O Nine Inch Nails demorou mais de oito anos para voltar a se apresentar em São Paulo. Nem esse grande período longe dos palcos brasileiros parece ter comovido o público do Lollapalooza, que preferiu se aglomerar no palco Skol à espera do Muse a ver a banda de Trent Reznor no palco ao lado. Pior para quem não presenciou a destruição visual e sonora promovida por Reznor e companhia. Abrindo com Wish, a banda usou a iluminação do palco como peça-chave de um espetáculo industrial pesado, capaz de causar ataques epilépticos. Em uma hora e meia de show, hits como March of the Pigs e canções do último disco Hesitation Marks (2013) foram defendidos por Reznor com o vigor de sempre.

Funcionou: a iluminação do show, a mais impressionante do festival.

Não funcionou: o miolo do set não teve a mesma força do começo e do encerramento, que teve The Hand that Feeds, Head like a Hole e Hurt.

Faltou: Closer, um dos maiores hits da banda. 

(Diego Sapia Maia)

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

DISCLOSURE – 21h35 às 22h55 (Palco Interlagos)

Os irmãos Guy e Howard Lawrence, de 22 e 19 anos, fizeram música eletrônica com as próprias mãos no encerramento do Palco Interlagos na primeira noite de Lolla. Com o apoio de teclados e baterias eletrônicas, o duo reconstruiu os beats e as melodias de seu elogiado disco de estreia, Settle (2013), ao vivo numa performance ensaiadinha, mas nada enfadonha. A sonoridade é uma combinação certeira daquele dance das rádios inglesas dos anos 90 com o tratamento mais underground das produções dos anos 2010. Logo de cara, ganharam a plateia com os hits F For You e When a Fire Starts to Burn, deixando as deliciosas White Noise, You & Me e Voices para rechear o espetáculo. Para o final, selecionaram duas das mais conhecidas do público brasileiro, Help Me Lose My Mind e Latch, cujos vocais ficaram por conta da carinha de neon no telão, símbolo da dupla. Na estica, como bons britânicos, interagiram com o público e dançaram o tempo todo, mas nada que comprometesse o penteado e as camisas abotoadas até o pescoço. “Não acredito que tanta gente veio nos ver. Geralmente quando você estreia em um lugar só cinco pessoas aparecem. Aqui devem ter umas dez mil”, chutou Howard. Menos, na verdade, já que eles estavam competindo com o Muse, atração mais aguardada da noite.

Funcionou: a dupla conseguiu reproduzir a deliciosa vibe do disco de estreia com as próprias mãos a partir de teclados e baterias eletrônicas

Não funcionou: deixar os hits para o começo e para o final provocaram uma debandada no meio do show

Faltou: a participação de pelo menos um ou dois cantores convidados do álbum. Com tantas músicas com vocais, seria incrível ver ao vivo a parceria com Mary J. Blige (em uma versão de F For You), por exemplo, que só apareceu no telão

(Mayra Maldjian)

MUSE – 21h30 às 23h (Palco Skol)

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Do metal ao progressivo, passando por uma balada que parece cruzar U2 com Depeche Mode (o hit Madness), os shows mais recentes do Muse levam ao pé da letra a ideia de condensar uma quantidade enorme, talvez exagerada, de referências musicais em 1h30 de duração. No Lollapalooza, o trio inglês soou como uma banda capaz de quase tudo – para o bem e para o mal (e com ou sem a voz de Matt Bellamy, muito prejudicada).

O começo direto, pesado e sem efeitos especiais – o ponto alto foi uma versão correta para Lithium, do Nirvana, para lembrar os 20 anos de morte de Kurt Cobain - foi alarme falso. Meia hora depois, Bellamy já estava fazendo o que mais gosta: transformando a guitarra em uma caixinha de sons, que oscilou entre solos elaboradíssimos e barulhinhos de sintetizadores. O virtuosismo do vocalista ainda impressiona, apesar dos problemas vocais (vale lembrar que ele cancelou um show na cidade, na semana passada, por causa de uma laringite). O mesmo, porém, não pode ser dito sobre o ecletismo do Muse. São muitas as decisões duvidosas no setlist, principalmente quando o grupo embarca em climas de ficção científica cafona (com muitos jatos de fumaça e imagens esverdeadas no telão). A meia hora final, movida a sucessos como Time is Running Out, agradou à torcida, mas falhou numa missão que Bellamy parece levar muito a sério: a de surpreender.

Funcionou: a homenagem a Kurt Cobain, tanto na versão de Lithium quando no momento em que Bellamy resolveu atirar a guitarra na bateria e mandar tudo às favas.

Não funcionou: as imagens do telão, nada criativas, ficaram ainda mais estranhas quando o show virou um filme B de ficção científica.

O que faltou: mais ousadia na escolha do repertório, que ficou bem previsível.

(Tiago Faria)

DOMINGO (6)

Palco Skol

  • 11h50 – 12h35 | Francisca Valenzuela
  • 13h30 – 14h15 | Raimundos
  • 15h25 – 16h25 | Ellie Goulding
  • 17h35 – 18h50 | Pixies
  • 20h30 – 22h | Arcade Fire

Palco Onix

  • 12h40 – 13h25 | Illya Kuryaki Valderramas
  • 14h20 – 15h20 | Johnny Marr
  • 16h30 – 17h30 | Vampire Weekend
  • 18h55 – 20h25 | Soundgarden

Palco Interlagos

  • 12h15 – 13h | Apanhador Só
  • 13h30 – 14h15 | Brothers of Brazil
  • 14h45 – 15h30 | Selvagens à Procura de Lei
  • 16h – 17h | Savages
  • 17h30 – 18h30 | AFI
  • 19h – 20h | Jake Bugg
  • 20h30 – 22h | New Order

Palco Perry

  • 12h30 – 13h15 | Ftampa
  • 13h30 – 14h30 | GABE
  • 15h – 16h | Cone Crew Diretoria
  • 16h15 – 17h15 | Baauer
  • 17h30 – 18h30 | Krewella
  • 19h – 20h15 | The Bloody Beetroots
  • 20h45 – 22h | Axwell

Kidzapalooza

  • 14h – 15h | Barbatuques – Workshop
  • 16h – 17h | Barbatuques – Show

Fonte: VEJA SÃO PAULO