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Livraria da Vila vai à Flip mais uma vez

Milhares de livros serão vendidos na tenda que a rede monta desde 2004 na Festa Literária Internacional de Parati, que acontece entre 4 e 8 de agosto

Por: Mariana Barros - Atualizado em

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Seibel com os filhos Rafael e Flávio: “Após cada debate, as prateleiras vão se esvaziando, se esvaziando...” (Foto: Mario Rodrigues)

Sob as tendas montadas anualmente em Parati, existem muito mais do que mil e uma histórias. Desde 2004, sempre nesta época do ano, dezenas de milhares de livros viajam de caminhão de São Paulo até a pequena cidade histórica do litoral fluminense. Lá chegando, são descarregados para compor um dos espaços mais frequentados do principal evento literário do país: a Livraria da Vila na Festa Literária Internacional de Parati (Flip). “É uma logística pesada”, diz Samuel Seibel, proprietário da rede responsável pelo ponto de vendas oficial do encontro. “Após cada debate, as prateleiras vão se esvaziando, se esvaziando... Temos de estar preparados para repor tudo a tempo.” Autores se reúnem para discutir e apresentar suas obras. Quando o papo acaba, os leitores — em muitos casos convertidos em fãs — correm à livraria para comprar exemplares ou simplesmente tietar. Afinal, é ali que os convidados do evento, conforme seu temperamento e disposição, fazem dedicatórias, posam para fotos e trocam algumas palavras com seus admiradores.

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Tenda da livraria na Flip em 2009 (Foto: Divulgação)

A tenda da Flip, que neste ano espera receber 20 000 pessoas entre 4 e 8 de agosto, será, ainda que temporária, a sexta unidade da Livraria da Vila. Cinco endereços paulistanos compõem o restante da rede. Além da original, na Vila Madalena, quatro lojas foram inauguradas nos últimos cinco anos: no Itaim Bibi, no Jardim Paulista, no Shopping Cidade Jardim e em Moema. Essa última, a mais nova delas, foi aberta no fim de maio, no endereço onde antes funcionava a Livraria Sobrado. Para o ano que vem, já há outra a caminho, mantendo o ritmo de expansão. Shows, oficinas, contação de histórias e palestras são atividades frequentes em todas as unidades. Após o encerramento da Flip, por exemplo, os quadrinistas americanos Robert Crumb e Gilbert Shelton, a cubana Wendy Guerra e o americano William Kennedy participarão de um ciclo de encontros.

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a mais nova unidade da rede, aberta em Moema no fim de maio: planos de expansão continuam em 2011 (Foto: Divulgação)

Formado em jornalismo, Seibel deixou a profissão para dedicar-se à empresa de insumos de marcenaria e construção do pai, a Leo Madeiras. Passados vinte anos, foi acometido por um impulso que, mesmo com todos os livros que o cercam, não encontrou palavras para explicar: o desejo de se tornar livreiro. Descobriu que o espaço então pertencente a Aldo Bocchini na Rua Fradique Coutinho estava à venda. Comprou o local com tudo dentro em 2002. De lá para cá, Seibel mudou não apenas o próprio rumo, mas também o de seus filhos. Formado em cinema, Flávio, 28, tornou-se diretor comercial. Rafael, 27, estudou publicidade e hoje é coordenador de marketing.

Juntos, eles têm acompanhado o crescimento das vendas e da efervescência do que poderia ser apenas um restrito encontro literário, mas cuja atual popularidade o assemelha mais a um show de rock. A corrida por ingressos dá à Flip ares de espetáculo. Não à toa, um dos principais convidados deste ano seria o músico americano Lou Reed, que cancelou sua participação. O poeta maranhense Ferreira Gullar, o crítico britânico Terry Eagleton, o escritor de origem indiana Salman Rushdie e a chilena Isabel Allende devem ser os principais destaques. Segundo Seibel, a “performance” de cada autor nos debates é determinante para converter a participação em livros vendidos. Além do desempenho, simpatia e até boa aparência contam para o sucesso ou o fracasso nas prateleiras. O caso mais emblemático foi o do escritor angolano José Eduardo Agualusa, convidado da edição de 2004. Além da bela estampa, o que fez com que imediatamente caísse nas graças do público feminino, sua exposição arrebatou os presentes, incluindo o debatedor com quem fez dupla, seu confesso admirador Caetano Veloso. Em poucas horas, todo o estoque do autor que a Livraria da Vila levara a Parati esgotou-se. Foi preciso solicitar à editora que providenciasse uma remessa extra.

Fonte: VEJA SÃO PAULO