Cultura

Livraria da Vila: clima de sebo

Rede abre nova unidade na Alameda Lorena em busca do público dos Jardins

Por: Juliana de Faria - Atualizado em

Guimarães Rosa foi um dos primeiros a chegar. Machado de Assis, Clarice Lispector e Nelson Rodrigues vieram logo em seguida. Eles e outros milhares de autores já garantiram seus lugares na nova Livraria da Vila, na Alameda Lorena, com inauguração prevista para este domingo (18). A terceira unidade da rede na cidade – as primeiras ficam na Rua Fradique Coutinho, na Vila Madalena, e na Casa do Saber do Itaim Bibi – abre suas portas com 200.000 livros (120.000 títulos) e 30.000 DVDs e CDs. Segundo o proprietário, Samuel Seibel, a idéia é conquistar espaço para o mercado livreiro nos Jardins, região conhecida pela alta concentração de grifes estreladas. "O público que passa por aqui lê e gosta de estar antenado com as novidades culturais", diz ele. Apesar de existir outra livraria na própria Lorena, a Teixeira, suas principais concorrentes devem ser a Fnac da Avenida Paulista e a Cultura do Conjunto Nacional, que anuncia para maio a abertura de uma superloja no espaço onde funcionou o Cine Astor. Para atrair um público cheio de opções, Seibel investiu 2 milhões de reais no empreendimento – ele não revela quanto gastou para comprar o prédio, que antes abrigava a loja do estilista Fause Haten. O responsável pelo projeto é o arquiteto Isay Weinfeld, autor do desenho de outros cinco estabelecimentos nos Jardins, entre eles a loja da Forum e o Hotel Fasano. Weinfeld conta que buscou inspiração em bibliotecas e sebos. Todas as paredes são forradas com estantes desalinhadas e abarrotadas de livros. "Não queríamos uma colocação burocrática das publicações", afirma o arquiteto. No térreo, ficarão os livros em geral. No primeiro andar, a seção de CDs e DVDs, além do café da marca Il Barista. A área infantil foi instalada no subsolo. Ali também há um auditório com setenta lugares, pronto para receber atividades culturais (na unidade da Vila Madalena são realizados 35 eventos por mês, em média). Quatro pufes e cinco poltronas foram espalhados pelos ambientes para quem quiser folhear ou dar uma olhada nos livros. Seibel garante que não se incomoda nem quando os clientes levam exemplares para a área do café. "Não faço isso para parecer legal, mas porque é parte da minha filosofia de negócio", explica. "Não sei se ajuda a vender mais livros, só acho que é assim que uma livraria deve ser." Outro diferencial da Livraria da Vila é sua equipe de vendedores. Na receita ideal, eles devem combinar simpatia e conhecimento cultural na hora do atendimento. A seleção conta com dinâmicas de grupo, testes de personalidade, uma prova recheada com perguntas gerais e duas entrevistas, uma com a gerente-geral, Eliana Menegucci, e a outra com o próprio Samuel Seibel. Leitor voraz, Seibel tem em casa 4.000 livros. Em seu criado-mudo, está atualmente o romance A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón. Quando resolveu ser dono de livraria, Seibel, que é formado em jornalismo, afastou-se da empresa da família, a Leo Madeiras, que vende produtos para marcenaria. "Sempre quis entrar no mercado livreiro, mas era uma idéia distante", conta. A mudança de vida, segundo ele, veio de forma fulminante há cinco anos. Seibel e sua mulher, Debora, estavam no Rio de Janeiro e entraram em uma livraria. "Foi engraçado, pois eu já havia entrado em livrarias milhares de vezes, mas naquele dia foi diferente", lembra. No mesmo instante, ele se virou para Debora e disse: "É isso que vou fazer da vida!" Ela lhe deu apenas um tapinha nas costas, descrente. No fim de 2002, Seibel começou a negociar com o antigo dono da Livraria da Vila, Aldo Bocchini. Conquistou seu sonho no começo de 2003. Além das três unidades em São Paulo, a Livraria da Vila será, pelo quarto ano consecutivo, a vendedora de livros oficial da Flip (Festa Literária Internacional de Parati). Há mais novidades a caminho. No fim do segundo semestre, está programada a abertura de uma filial no futuro Shopping Cidade Jardim. Livraria da Vila. Alameda Lorena, 1731, Jardim Paulista, tel: 3062-1063. 10h/23h (seg. a qui.); 10h/0h (sex. e sáb.); 11h/20h (dom.).

Fonte: VEJA SÃO PAULO