Teatro

'Ligações Perigosas': nobreza sem identidade

Drama mantém a atualidade no texto, mas esbarra em direção titubeante

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Ligações Perigosas - 2189
Maria Fernanda Cândido e Marat Descartes: desencontros de interpretação (Foto: João Caldas)

Levada ao cinema pelo diretor Stephen Frears em 1988, a peça Ligações Perigosas, de Christopher Hampton, retrata a decadente aristocracia francesa do século XVIII com base no clássico da literatura escrito por Choderlos de Laclos (1741-1803). A história reafirma que, em meio à hipocrisia, o dinheiro muda de mãos, mas as disputas de poder atravessam anos sem regras éticas. Essa discussão já valoriza a montagem do drama, conduzida por Mauro Baptista Vedia. Cenários e figurinos agradam ao público interessado no efeito visual. O espetáculo, porém, padece de mal comum aos textos conhecidos da plateia: a encenação não opta pela fidelidade, tampouco cria uma linguagem própria ou radicaliza.

Desta vez, Vedia não exibe a mesma segurança observada nas comédias ‘A Festa de Abigaiu’ e ‘Os Penetras’. Com a altivez já vista antes e uma dissimulação a ser lapidada, Maria Fernanda Cândido é a Marquesa de Merteuil. Ela alimenta um jogo sensual envolvendo o Visconde de Valmont (Marat Descartes), uma menina virgem (Laura Neiva) e a virtuosa Madame de Tourvel (Sabrina Greve). De perfil cínico e atraente, o Visconde de Valmont surge aqui descaracterizado por um acento cômico que não faz jus à frieza original do personagem. O talentoso Descartes decepciona no papel e destoa do resto do elenco, completado por Chris Couto, Clara Carvalho, Ricardo Monastero, Camila Czerkes, Ivan Capúa e Julio Machado.

AVALIAÇÃO ✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO