Estilo

Leques: a moda é se abanar

Para fazer charme, descoladas tiram artigo do fundo do baú

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Não há moça moderninha que não ame vasculhar o baú da vovó em busca de acessórios que incrementem o visual. Afinal, tudo se recicla. E o que hoje é velho pode virar vintage de uma hora para a outra. Desta vez, o adereço do passado desenterrado pelas paulistanas descoladas é o leque. "Fui para Paris e vi várias garotas usando", diz a modelo Gabriela Dianui, que quis entrar na onda fashion e comprou o da foto ao lado na Feira do Bixiga. Pagou 20 reais. "Monto looks bem femininos com ele." Segundo a consultora de moda do Senac Aissa Heu Basile, um dos responsáveis pela volta do leque é o filme Maria Antonieta, de Sofia Coppola, cujo figurino ganhou o Oscar deste ano. A exuberante rainha da França, interpretada por Kirsten Dunst, desfila com o abano em várias cenas da fita, ainda em cartaz na cidade. "Ele dá um ar de sensualidade à mulher e é uma forma elegante de se refrescar", afirma Aissa. O leque pode ser um aliado na hora da paquera. Dependendo de sua posição, serve para mandar recados. Quando está fechado, significa "só me olhe de longe"; aberto e imóvel, "baixei a guarda"; e na altura dos olhos, "não via a hora de te ver". As irmãs e estilistas Lilly e Renata Sarti compraram 700 leques para distribuir entre os convidados do desfile de sua grife, a Lilly Sarti, realizado em março na Daslu. "Achamos que seria um brinde chique e útil", conta Renata, que anda sempre com um na bolsa para fazer charme. "É da minha mãe, mas não sei se vou devolver", brinca. Na noite, o acessório também faz sucesso. O empresário André Hidalgo, diretor-geral do evento de moda Casa dos Criadores e sócio do Clube Glória, no Bixiga, organizou no mês passado uma festa em que o leque era tema. "Pedimos para todos os convidados usarem", diz ele. "Até os homens aderiram." Para Hidalgo, o retorno do adereço só foi possível porque a moda atual é beeem maleável. "Antes, as pessoas olhavam torto para quem inovava. Hoje, todos encaram estilos diferentes de mente aberta."

Fonte: VEJA SÃO PAULO