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Famílias investem em diaristas e mudam rotina

Com a nova lei das domésticas, paulistanos dispensam as mensalistas e utilizam serviços como agências de domésticas, coach do lar e escolas em tempo integral

Por: Ana Carolina Soares - Atualizado em

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A empresária Juliana Avella: ela investiu na faxineira Lidiane ferreira e pôs os filhos em período integral na escola (Foto: Rogério Albuquerque)

Do sofá de casa, a empresária Juliana Avella acompanhava com um sentimento de alívio a confusão do Simples Doméstico. Na primeira semana de novembro, milhões de brasileiros penaram em frente ao computador na tentativa de cadastrar os empregados e gerar o boleto para quitar os impostos. Devido a problemas técnicos, o prazo de pagamento foi empurrado para o fim deste mês. “Ainda bem que me livrei desse enrosco”, comemora Juliana. “Essa burocracia maluca, o aumento dos custos e a dificuldade de encontrar uma pessoa com uma postura responsável me fizeram mudar radicalmente a forma de tratar o assunto”, completa. A guinada começou em abril, quando dispensou a mensalista e a babá. Agora, ela conta só com a visita de Lidiane Ferreira. A faxineira aparece duas vezes por semana para cuidar da residência de Juliana — uma casa de 700 metros quadrados no Parque dos Príncipes, na Zona Oeste. “Foi a primeira vez na vida que fiquei com o quarto de empregada vazio”, relata.

+ Sites ajudam a encontrar domésticas

Além da economia no orçamento, pesou na decisão o histórico de difícil administração da pequena brigada de funcionárias domésticas. Certa vez, uma contratada conseguiu licença médica de três meses logo na primeira semana de trabalho. Outra se demitiu bem na semana de lançamento de sua consultoria de alimentação infantil e duas pediram as contas enquanto a patroa dava à luz o caçula. Para poder se virar atualmente sem esse tipo de ajuda, a empresária acabou fazendo mais ajustes no lar. Os filhos Cauã, de 5 anos, e Enzo, de 3, passaram do meio período para o período integral na escola. Nos dias em que Lidiane não vai ao trabalho, os adultos se revezam nas tarefas, como lavar roupa. “Minhas unhas nunca mais foram as mesmas, mas ter domínio do ambiente e paz de espírito compensa horrores”, conclui.

+ PEC das domésticas tira quarto de empregada de aptos de 100 m2

Aos poucos, histórias e soluções semelhantes se repetem em outras casas da capital, como efeito direto do processo de formalização desse tipo de trabalho com a chamada PEC das Domésticas, de 2013. Em 2014, por exemplo, as escolas particulares da metrópole registraram mais de 70 000 novas matrículas para o período integral de crianças e adolescentes. Esse número representou um incremento de quase 20% sobre o total do ano anterior. Assim como ocorreu na residência da empresária Juliana Avella, outras pessoas estão descartando as mensalistas. As diaristas, que vinham ganhando espaço ano a ano, receberam um impulso extra com a PEC. Na Grande São Paulo, a categoria soma hoje aproximadamente 237 000 pessoas. No bolo do trabalho doméstico, elas preenchem 38% das vagas, contra 62% das mensalistas. Em 2005, havia duas diaristas a cada oito mensalistas. Atualmente, a proporção é de quatro para seis. “Não se sabe em quanto tempo, mas a tendência é que elas ultrapassem as mensalistas”, prevê o economista Alexandre Loloian, coordenador de análise da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

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(Foto: )

+ O que dizem as domésticas

Até 2013, um empregador podia manter uma pessoa em casa servindo do café da manhã à ceia sem assinar a carteira de trabalho dela. Em abril daquele ano, com a aprovação da PEC, a situação absurda e injusta começou a ser corrigida. As domésticas ganharam o direito a fundo de garantia, aposentadoria, férias e 13º salário. A jornada semanal ficou estipulada em 44 horas, e a pessoa que trabalha pelo menos três vezes por semana no mesmo local deve ser contratada. Os empregados têm desconto de 8% a 11% na folha e osempregadores desembolsam, com impostos, mais 20% do salário pago.

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Márcio Becker: ele dispensou a diarista e agora limpa a casa (Foto: Ricardo D'Angelo)

Para as famílias, o efeito colateral da formalização foi sentido no bolso. Com o encarecimento da mão de obra provocado pelos encargos da lei, a manutenção de uma empregada tornou-se inviável para muitos. “Estou economizando um dinheirão sem elas”, afirma o professor Márcio Becker. Em 2013, ele dispensou a mensalista e contratou uma diarista. Nos últimos meses, a funcionária começou a faltar. Becker então se deu conta de que conseguia limpar sozinho sua casa, de 60 metros quadrados, no Butantã. Comprou aspirador de pó, renovou baldes e vassouras e dispensou a moça. “Sou a favor da regulamentação da categoria, mas, infelizmente, muitas domésticas ainda não levam a profissão a sério”, reclama.

+ As socialites e os novos direitos das domésticas

Apesar da nova regra, patrões e empregadas ainda não falam a mesma língua, um conflito bem retratado no filme Que Horas Ela Volta?, da paulistana Anna Muylaert. A obra representa o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2016 e retrata abusos cometidos contra essa figura “quase da família”. “Tem gente que não está nem aí para a lei”, lamenta a babá Cristiana Crispin. Recentemente, ela trocou de emprego porque trabalhava até de madrugada. “Dormia no quarto da criança e, quando a menina acordava para ir ao banheiro ou ficava doente, era eu quem a acudia. E pergunta se ganhava um centavo a mais por isso?”, relata. Existem histórias piores. Preferindo não se identificarem, com medo de perder o emprego, mulheres dizem que ficam um mês inteiro sem folgar, cumprem uma jornada de mais de doze horas por dia e ainda são agredidas fisicamente pelas crianças e adolescentes de que cuidam.

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Adriana Teóflo:reforma da casa paga com os ganhos de 4 000 reais (Foto: Rogério Albuquerque)

No ano passado, graças à PEC, o número de mensalistas com carteira assinada chegou a 67% na região metropolitana de São Paulo. Mesmo assim, como se vê, o movimento rumo à total formalização ainda precisa avançar. Curiosamente, ao contrário do que se esperava, o volume de processos movidos pelas empregadas contra as patroas caiu 8% entre 2012 e2014, quando os tribunais registraram quase 5 000 causas do tipo. “Como as regras estão mais claras, a margem para discussão ficou menor”, entende o advogado Rodrigo Chagas Soares, professor de direito do trabalho da Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil. “Com a lei, as empregadas começaram a se tornar mais profissionais, aosaber mais sobre seus direitos e deveres”, reforça Luciana Bezerra de Oliveira, juíza titular da 57ª Vara do Trabalho de São Paulo. No local, tramitam os processos do gênero por aqui.

+ Onde as domésticas são assediadas por outras patroas

A profissionalização avança também entre as diaristas. Desde janeiro, elas têm o direito de se cadastrar como microempreendedoras individuais (MEI). Com um imposto de 49,40 reais por mês, conseguem benefícios como aposentadoria, além dos auxílios maternidade e doença. “Há também linhas de crédito para pessoas jurídicas com juros de 0,36% ao mês”, conta Bruno Caetano, diretor superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP).

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Amélia Guiotokue a ajudante Sandra Barretos: duas faxineiras no lugar da mensalista (Foto: Ricardo D'Angelo)

Na cidade, há 1 161 MEIs. Logo que saiu o programa, Adriana Teófilo aderiu a ele. “Parcelei a reforma da minha casa, que custou 23 000 reais, em 36 vezes e comprei tudo a que tinha direito”, comemora. Há dois anos, ela deixou o salário de 1 019 reais numa confecção, e hoje ganha 4 000 reais como faxineira. “Somos bem valorizadas atualmente.” Em média,essas profissionais recebem 17 reais por hora, enquanto uma mensalista ganha 10 reais no mesmo período. Boa parte das diaristas também mostra que tem corrido atrás de uma capacitação melhor. Recentemente, a fisioterapeuta Amélia Guiotoku recebeu 450 currículos quando decidiu trocar a mensalista por duas faxineiras. “Aquelas que escolhi ao final do processo são ótimas, e uma delas fez curso de culinária vegana”, diz Amélia, que reveza também com os filhos as tarefas domésticas.

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Simone Possidonio: aulas de organização para a patroa Kelly Mascaretti e as empregadas Claudia Rodrigues, Rita Santos e Simone Silva (Foto: Ricardo D'Angelo)

Muita gente viu no novo cenário uma forma de investimento. Há várias agências que enviam, em pouco tempo, experts em limpeza às residências. “Tivemos um crescimento de 80% neste ano, e vamos faturar 500 000 reais”, diz Eduardo Del Giglio, fundador da Blumpa, plataforma que conecta empregados a empregadores. A terapeuta ocupacional Simone Possidonio criou um serviço de organização de casas, tornando-se uma espécie de coach da área. Na aula, ela ensina a fazer um cronograma de tarefas, a utilizar os produtos de limpeza e a evitar desperdícios e dá dicas de comunicação entre patroa e funcionária.

O curso tem oito horas de duração e, depois, as classes se tornam mensais. A hora sai por 240 reais, e Simone tem em média vinte clientes por mês. “Esse treinamento ajuda a otimizar a jornada”, elogia a comunicóloga Kelly Mascaretti, uma das participantes,dona de uma casa em um condomínio em Alphaville. Além de uma mensalista, uma babá e uma diarista eventual, Kelly investe em serviços como lavanderia expressa, uma passadeira e aparelhos futuristas (parece até cena do desenho Os Jetsons) como um robô que passa aspirador sozinho e outro programado para limpar a piscina. “As funcionárias serão raras, bem especializadas e caras. Cada integrante da família já precisa saber cuidar das coisas”, aconselha. Quem é versado no assunto concorda: o dia a dia das pessoas daqui será parecido com a rotina de americanos e europeus, em que cada um cuida do próprio lar. “Aquela figura da ‘serviçal-mucama’ deve enfim acabar”, avalia Mario Avelino, presidente do instituto Doméstica Legal, uma organização não governamental do setor. “É um caminho sem volta.

+ 10 mandamentos para boa convivência entre patroa e doméstica

Faxina nas dúvidas

Mario Avelino, presidente do instituto Doméstica Legal, responde às principais questões sobre a nova relação entre patroas e empregadas

O patrão pode cobrar horário de entrada e de saída de uma diarista? Não. Só o serviço combinado (basicamente, a qualidade da limpeza da casa).

É possível pagar à diarista no fim do mês? Não é recomendável. Deve-se pagar logo após cada visita, e nunca se esquecer de pedir o recibo. Dar cheque ou fazer transferência no fim do mês só vale se a empregada topar dar um comprovante por dia de trabalho.

A mensalista foi contratada antes da PEC e o salário já incluía as horas extras. O que fazer? O empregador deve fazer um termo com a mesma data do contrato de trabalho. Nele, estipular o salário e as horas extras. Assinam patrão e empregada.

A nova lei estabelece uma jornada de 44 horas semanais. O empregador pode distribuí-las a seu critério? Sim, caso a empregada trabalhe oito horas de segunda a sexta, o tempo restante pode ser utilizado no sábado ou durante a semana. É preciso um descanso de onze horas entre uma jornada e outra e controlar tudo nos livros de ponto.

O fato de a empregada dormir no mesmo quarto da criança configura hora extra? Não. Mas as horas em que eventualmente a funcionária acordou para cuidar da criança devem ser registradas como hora extra, com adicional noturno.

Como calcular a hora extra e o adicional noturno? A hora extra custa 50% a mais em relação ao período comum. O adicional noturno custa 20% a mais sobre esse valor. Exemplo: se a empregada ganhar 10 reais a hora, o período fora da jornada vai sair por 15 reais. Se o trabalho acontecer entre 22 e 5 horas (período do adicional noturno), vai sair por 18 reais.

Quais os custos de uma empregada doméstica durante uma viagem? O patrão deve obedecer às mesmas regras da jornada de trabalho (ou seja, as oito horas diárias) e arcar com todos os custos: passagem, hospedagem e alimentação. Além disso, há o adicional de viagem: um acréscimo de 25% em cima de cada hora trabalhada.

Uma funcionária pode cumprir funções diferentes daquela descrita na carteira, como uma faxineira cuidar também da criança? Sim, desde que haja um acordo prévio entre empregador e empregado. Recomenda-se formalizar o acerto.

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    Templo da Carne Marcos Bassi

    Rua Treze De Maio, 668, Bela Vista

    Tel: (11) 3251 1488

    VejaSP
    30 avaliações

    Continua uma das referências em carnes a churrascaria criada por Marcos Bassi e há três anos comandada por suas herdeiras, a viúva Rosa Maria e as filhas Tatiana e Fabiana. Embora os cortes tenham qualidade notável, isso não impediu um tropeço numa das visitas, que leva à perda de uma estrela. Solicitada como entrada, a costelinha de porco (R$ 68,00) só apareceu junto com as carnes, o ótimo prime rib (R$ 128,00), servido quase sem sal, e um assado de tira que era pura gordura (R$ 118,00). Essa mesma porção voltou à mesa após os pratos principais ressecada depois de dormir na grelha, coisa inadmissível em uma casa de tão alta categoria. No quesito dos acompanhamentos, a mandioca cozida continua inigualável (R$ 25,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos

    Pomodori

    Rua Doutor Renato Pais de Barros, 534, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3168 3123

    VejaSP
    12 avaliações

    Prodígio da cozinha, a chef Tássia Magalhães, de 27 anos, prepara várias sugestões à la carte, assim como investe em menus degustação. A versão intitulada italiana (R$ 160,00) traz receitas como frutos do mar bafejados de frescor ao limão-siciliano com purê de mandioquinha. Embora nada italiano, o queijo de cabra boursin recheia o saboroso agnellotti ao molho de manteiga, ervas e cogumelos. Curto e al dente, o fusilli vem com linguiça calabresa e polvo de ótima consistência. A paleta de cordeiro desfiada com um buquê de hortaliças ficaria melhor sem manteiga de trufa. Para os fãs de sobremesas infladas de açúcar, o bolo brigadeiro é a pedida.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Peixes e frutos do mar

    Claudius Grill

    Rua Cardoso de Almeida, 770, Perdizes

    Tel: (11) 3871 5533

    VejaSP
    2 avaliações

    O salão simplão dá a impressão de que a casa parou no tempo. Mas o sabor dos pratos desfaz qualquer preconceito. Entrada para compartilhar, a frigideira de frutos do mar (R$ 87,00) é composta de lula, polvo, camarão, ostra e mexilhão misturados a cebola e muito alho. Também generoso, o camarão ao catupiry com toque de açafrão vem dentro da moranga (R$ 132,00, para dois). O filho dos donos, Caio Corrêa, abriu uma doceria nos Jardins, a Boutique CFC Pâtissier, mas seus doces ainda são servidos no restaurante.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Armazém Alvares Tibiriçá - Bar e Restaurante

    Rua Marquês de Itu, 847, Santa Cecília

    Tel: (11) 2365 1671

    VejaSP
    1 avaliação

    Todo descolado, o endereço pertence ao empresário Tibiriçá Martins, o Tibira. Rapazes barbados e moças de perfil mais desencanado pintam por lá para tomar um bom drinque. O cardápio inclui o maçã selvagem (R$ 29,00), que traz uma suave mistura de uísque, maçã verde, limão-siciliano e canela, e o zabra, com Aperol, vodca de baunilha e limão-siciliano (R$ 26,00). Quanto aos comes, há pratos, porções e sanduíches. Destes, o de pernil (R$ 30,00) é novidade e traz na composição vinagrete de jalapeño e manga.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Botecos

    Alma Esquina

    Rua Cayowaá, 324, Perdizes

    1 avaliação
  • Docerias

    Sonheria Dulca

    Rua Bela Cintra, 2023, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3082 0073

    VejaSP
    2 avaliações

    Para os amantes da receita, é inevitável fazer o trocadilho e dizer que esta loja é dos sonhos. Inaugurada dois meses atrás pela confeitaria Dulca, ela é dedicada exclusivamente ao doce — à exceção do cafezinho para acompanhar (R$ 4,50). Após um início vacilante, a casa voltou a oferecer uma massa com frescor e leveza exemplares, responsáveis por sua fama. Além do clássico recheio de creme, capaz de fazer qualquer um se lambuzar, pode-se escolher o de doce de leite e o de pistache, este de sabor bem suave, apagado até. Outras possibilidades são gianduia, geleia de goiaba, coco e brigadeiro. Todas passadas em uma combinação de açúcar com canela e vendidas a R$ 10,00, podem ser levadas para casa ou consumidas ali mesmo, em mesas ao ar livre. Qualquer que seja a intenção da compra, ela chega em um saquinho de papel graciosamente fechado com pregador, que vale por um presente.

    Preços checados em 02 de março de 2016.

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  • Nas exposições do americano Ben Patterson e do pernambucano Paulo Bruscky, não há limites entre vida e arte
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  • Depois de Hamlet (2012), o ator Thiago Lacerda e o diretor Ron Daniels reeditam parceria na tragédia de William Shakespeare. Ao voltarem de uma campanha, os generais Macbeth (papel de Lacerda) e Banquo (o ator Marcos Suchara) ouvem de três bruxas uma profecia: o primeiro se tornará rei e o segundo será pai de muitos reis. Instigado pela ambiciosa mulher (interpretada por Luisa Thiré, que substitui Giulia Gam na temporada), Macbeth passa a eliminar todos os que ameaçam seu domínio na Escócia. Com Ana Kutner, Marco Antônio Pâmio, Rafael Losso, Felipe Martins e outros. Estreou em 5/11/2015. Até 31/7/2016.
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  • Em Hamlet (2012), o ator Thiago Lacerda provou potencial e vontade para superar a posição de galã televisivo, na qual não se acomodou. Ao lado do mesmo diretor, Ron Daniels, brasileiro radicado na Inglaterra e especialista na obra do bardo, o artista reencontra as peças do dramaturgo no projeto Repertório Shakesperare. A tragédia Macbeth (110min, 14 anos) e a comédia Medida por Medida (115min, 12 anos) ganham encenações em dias alternados no Sesc Vila Mariana, com um elenco de catorze integrantes, e comprovam que clássicos chegam a esse grau porque não perdem a capacidade de dialogar com as plateias. A disputa de poder é o tema da primeira história, escrita em 1606, e bastante conhecida em sucessivas e irregulares montagens. Ao voltarem de uma campanha, os generais Macbeth (papel de Lacerda) e Banquo (o ator Marcos Suchara) ouvem de três bruxas uma profecia: o primeiro se tornará rei e o segundo será pai de muitos reis. Instigado pela inescrupulosa mulher (a atriz Giulia Gam), Macbeth passa a eliminar todos os que ameaçam seu domínio imediato na Escócia. A dupla Lacerda e Giulia se torna fundamental para a compreensão dos personagens. São intérpretes muito bem dirigidos e com a idade certa para tais. Ele carrega o porte de herói e o semblante de bom moço capazes de reforçar o perfil do tipo cheio de remorsos. A densidade emprestada por Giulia desde sua primeira entrada vai a um crescente perturbador. Da loucura progressiva ao suicídio de Lady Macbeth, a atriz se mostra vigorosa e alimenta a tensão em torno da vilã. O mesmo vale para a presença de Marco Antônio Pâmio, marcante na cena final como o barão Macduff. No caso de Macbeth, as palavras de Shakespeare foram tão buriladas que não chegam excessivamente literárias aos ouvidos do púbico. A intimidade de Daniels com os originais torna o texto palatável sem perder o contexto ou respingar vestígios de vulgaridade. Todos entendem sem esforços os percalços das histórias e as motivações dos personagens. O mesmo vale para a comédia Medida por Medida, de 1604, que, menos conhecida, transita entre a farsa e a sátira para falar de hipocrisia social e política. Alarmado com a imoralidade e a corrupção em sua cidade, o Duque (interpretado por Marco Antônio Pâmio) instaura uma lei que pune com morte qualquer ato que possa ser visto como abuso sexual. Para observar a rotina com isenção, ele se afasta do cargo, assume o disfarce de um frade e deposita nas mãos de seu vice, Ângelo (papel de Lacerda), um falso puritano, a responsabilidade de cuidar da cidade. As contradições começam quando a freira Isabela (vivida por Luísa Thiré) procura Ângelo no desespero de livrar da pena o irmão (o ator Rafael Losso), que engravidou a namorada. Ângelo se encanta e propõe o perdão ao garoto em troca da virgindade da religiosa. A montagem resulta mais arrastada, principalmente por causa dos longos embates entre os protagonistas. A comicidade maior é garantida pelos atores Marcos Suchara, Lourival Prudêncio e Giulia Gam, que divertem o público com um escracho que alivia a verborragia. A dobradinha, no entanto, se faz muito acertada e facilmente identificada com a realidade brasileira. Em comuns, as duas peças apresentam visões diferentes do poder. Enquanto Macbeth traz esses bastidores relacionados aos nobres inabaláveis diante dos plebeus, em Medida por Medida se dá o contrário: são os desfavorecidos que desestabilizam e, de certa forma, apontam um novo caminhos para os dominadores. Com Ana Kutner, André Hendges, Fábio Takeo,  Felipe Martins, Lui  Vizotto, Stella de Paula e Sylvio Zilber. De 5/11/2015. Até 30/1/2016. De 6/11/2015. Até 31/7/2016.
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  • Metalinguagem é um recurso perigoso no teatro. Pode soar pretensioso ou confuso. Escrita por Flávio de Souza em 1994, a comédia Répétition revelou-se uma exceção. Vista na cidade há 11 anos com Xuxa Lopes, Bruce Gomlevsky e o autor, o ótimo texto volta à cena sob a direção de Walter Lima Jr. A trama gira em torno de um triângulo amoroso nos bastidores de uma peça teatral. Enquanto ensaiam um espetáculo, uma atriz, o marido e o melhor amigo dele  (interpretados por Tatianna Trinxet, Alex Nader e Paulinho Serra) começam a misturar os conflitos da ficção com os da vida real. A história segue deliciosa, alternando elementos cômicos com um clima de romance e até suspense. A atual montagem perde pontos pela falta de energia do trio de atores. Nenhum deles empresta a empatia necessária aos personagens, e o programa se torna agradável pelo ritmo imposto pela direção em torno das divertidas situações.  Estreou em 9/10/2015. Até 29/11/2015.
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  • Se com o passar do tempo a voz marcante de Morrissey pouco mudou, o mesmo não se pode dizer de seu humor. Conhecido pela cara amarrada, o cantor de 56 anos que luta contra a depressão desde jovem e revelou no ano passado ter enfrentado um câncer chega ao seu décimo álbum ainda mais sombrio (sim, isso é possível). World Peace Is None of Your Business, algo na linha “A Paz Mundial Não É da Sua Conta”, põe fim ao hiato de cinco anos sem emplacar uma canção inédita nas paradas. Na faixa homônima, ele diz não ter razão para brigar por um mundo melhor, já que os ricos continuarão lucrando e os pobres, bem, continuarão pobres. Outras verdades inconvenientes vêm à tona, por exemplo, em Istambul, que narra o encontro de um pai com seu filho morto. O clima fica mais ameno, ainda bem, na deliciosa Kiss Me a Lot, com trompetes e guitarra famenca ao fundo. Caso sigam o roteiro das últimas apresentações, os dois shows marcados para esta semana por aqui não vão decepcionar os fãs saudosistas. Além das novidades, ele toca sucessos do seu tempo de The Smiths, como How Soon Is Now? e Meat Is Murder. Dia 17 e 21/11/2015.
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  • Ao pegar uma sessão, não estranhe: a imagem do filme será todinha um monitor de computador. O visual, praticamente estático, cansa ou dá enjoos? De jeito nenhum. Numa empreitada arriscada, Timur Bekmambetov (o maluco realizador de O Procurado) produziu uma fita de terror com formato no mínimo original. A trama começa com a informação do suicídio de Laura (Heather Sossaman). Na sequência, há um bate-papo sensual entre os namorados Blair (Shelley Hennig) e Mitch (Moses Storm). Eles estão conversan do pelo Skype quando outros amigos entram na conversa. Os seis colegas, porém, ficam surpresos: há uma sétima pessoa no chat. Tentam eliminá-la, mas não conseguem. O nervosismo toma conta da cena enquanto o anônimo misterioso dá seu recado curto e grosso: quem se desconectar será morto. Talvez esteja por trás da brincadeira macabra a própria Laura, a estudante que se matou após ter sido humilhada nas redes sociais. Fazer um registro do cyberbullying com uma pegada totalmente virtual parece um casamento perfeito. Além de eficiente no suspense, o primeiro longa-metragem americano do diretor georgiano Leo Gabriadze usa ferramentas comuns (Skype, Facebook, Gmail) e tempo real para conferir legitimidade ao enredo. Mas atenção: assim como os protagonistas, o público-alvo está nos jovens e adolescentes plugados na internet. Estreou em 12/11/2015.
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  • Após receber o indulto do Dia das Mães, Damião (Vinícius de Oliveira) sai da cadeia e vai procurar o irmão, um mecânico evangélico (Clayton Mariano). O presidiário tem uma missão a cumprir para o crime organizado, mas o destino o leva para outro caminho. Ao reencontrar Palito (papel da revelação Ariclenes Barroso), Damião se sente atraído por Cleo (Sara Antunes), a professora de dança do amigo. Em seu primeiro longa-metragem, o diretor paulistano Luis Dantas envereda pela periferia da capital para fazer um registro de tom realista. Com elenco à vontade, situações críveis e clima de road movie, o filme fica com um saldinho devedor. Além de o personagem do policial novato (Leonardo Santiago) ser pouco (e mal) explorado, o título do longa-metragem não se concretiza a contento. Promete-se algo como um confronto explosivo, mas o resultado da cena frustra. Estreou em 12/11/2015.
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  • Os cabelos escassos e quase grisalhos, as lentes de contato azuis e a maquiagem carregada tornam Johnny Depp irreconhecível em Aliança do Crime. Mesmo com muitos truques para descaracterizá-lo, o astro é a grande atração do longa-metragem, inspirado em personagem real. A trama tem início em Boston, em 1975, para flagrar o cotidiano de James “Whitey” Bulger (Depp), ex-presidiário e contraventor. Encontra-se na outra ponta da história o agente do FBI John Connolly (Joel Edgerton), seu amigo de infância. Com o aval de seus chefes, Connolly “contrata” o colega para ser informante. Assim, o bandido vai conseguir o que quer: livrar-se de um concorrente, dominar o tráfico e virar o poderoso chefão — Bulger foi o mais temido gângster dos anos 70 e 80. Em recriação fabulosa (não só nos figurinos e cenários, mas também no clima das fitas daquela época), o filme se excede em algumas coisas (personagens e situações dispensáveis, por exemplo) e fica devendo no principal: qual, verdadeiramente, foi o “serviço” de Bulger para o FBI? Estreou em 12/11/2015.
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  • Romance

    Os Maias
    VejaSP
    Sem avaliação
    Em 2001, o diretor Luiz Fernando Carvalho fez uma bela e enxuta versão para a TV de Os Maias, tendo Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos papéis principais. O longa-metragem que chega às telas é dirigido pelo português João Botelho e, mesmo sendo mais fiel ao livro homônimo de Eça de Queiroz (1845-1900), arrasta-se em mais de duas horas. Aviso: tenha paciência para chegar ao cerne da trama. Em um prólogo em preto e branco, narra-se o drama da família Maia. O jovem Pedro apaixona-se por Maria Monforte, casa-se e tem dois filhos. Após a esposa traí-lo e fugir levando a menina, Pedro retorna ao lar com o pequeno Carlos Eduardo e se mata. O tempo passa. Em 1875, Carlos (papel de Graciano Dias), já adulto, vive com seu avô e leva uma vida boêmia acompanhado do amigo João da Ega (Pedro Inês). Quando Maria Eduarda (Maria Flor), casada com um brasileiro, chega à capital, o protagonista não resiste aos encantos da estranha. Os cenários internos são pavorosos, há poucos movimentos de câmera e as fachadas externas foram feitas com painéis pintados a mão. Parece um teatro filmado com recursos do século passado. Estreou em 12/11/2015.
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  • Ao contrário de João Botelho, diretor de Os Maias, o também português Miguel Gomes revela-se provocador e incisivo em seus trabalhos. De uma só tacada, o realizador concebeu uma trilogia para abordar os problemas socioeconômicos de seu país. As Mil e uma Noites, Volume 1 — O Inquieto tem seus vinte primeiros minutos documentais. A partir daí, o cineasta se aproveita do título e da estrutura dos famosos contos árabes narrados pela princesa Sherazade. Três histórias mesclam o absurdo à realidade, cenas surrealistas com depoimentos profundamente tristes — contam pontos as três comoventes declarações dos desempregados narrando suas agruras diante da crise portuguesa. A corrupção no poder e as decisões dos grandes líderes tomam conta do primeiro episódio. Mais nonsense, o segundo capítulo trata do julgamento de um galo para focar a falta de instrução de eleitores no interiorzão de Portugal. Uma baleia encalhada na praia seria uma metáfora da caótica situação. Muitas vezes hermético, o cinema de Miguel Gomes é intelectualizado e crítico. E não menos tedioso. Estreou em 12/11/2015.
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  • Benjamin (Vincent Lacoste) chega a um hospital público de Paris, onde seu pai é diretor, para ser estagiário. Desde criança, o rapaz, de 23 anos, tinha a certeza de que a medicina seria seu destino. Há tropeços no início: a fria recepção das enfermeiras, uma punção mal-sucedida e, sobretudo, a falta de equipamentos para um melhor atendimento aos pacientes. O colega Abdel (Reda Kateb), argelino que atua como residente, torna-se seu aliado. Médico e cineasta, Thomas Lilti faz uma prudente crítica ao sistema de saúde francês em meio à trajetória do protagonista do drama Hipócrates. Em sua meia hora inicial, o filme, assim como Benjamin, se mostra luminoso e enérgico. Após cometer um deslize numa emergência, o personagem cai numa apatia e vacila quanto ao futuro profissional. A trama segue pelo mesmo caminho: fica frouxa e insegura. Estreou em 12/11/2015.
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  • Um dia de Paulista

    Atualizado em: 13.Nov.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO