Negócios

Com ações sustentáveis, lavanderia é premiada pela FGV

Estabelecimento tem sacola retornável e cabides de papelão recicláveis

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Lavasecco lavanderia 2195
Unidade da Vila Nova Conceição: 50 000 reais na implantação do projeto (Foto: Fernando Moraes)

Em uma esquina da Vila Nova Conceição, clientes aguardam para entregar seus edredons à atendente da lavanderia. Lá dentro, um vestido Chanel está prestes a ser passado. Camisas sociais encontram-se dobradas e, para ficar pronto, o conjunto de short e blusa de paetês só precisa ser embalado. Tudo normal, não fosse o banner logo na entrada, que anuncia a sacola retornável feita de garrafas PET e o conceito de sustentabilidade adotado pela empresa, baseado nos três “R” (reduzir, reutilizar e reciclar). Com ações para amenizar o impacto de sua atividade no meio ambiente, a rede Lavasecco recebeu o Prêmio de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, na categoria pequena empresa, promovido pelo Centro de Excelência em Varejo (GVcev), da Fundação Getulio Vargas. “Temos como objetivo reconhecer e disseminar essas iniciativas Brasil afora”, afirma o professor Luiz Macedo, assessor do programa.

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A proprietária Maria Alzira: sacola retornável (Foto: Fernando Moraes)

Batizado de Atitude Eco, o projeto ecologicamente correto da lavanderia teve início dois anos atrás de maneira tímida. Ao notar que, depois de usados, os porta-tíquetes de plástico eram descartados pela clientela, a gerente de marketing Alessandra Oricchio sugeriu que eles fossem substituídos por pequenos envelopes de papel reciclado. Deu certo. A meta seguinte foi diminuir a utilização de filme plástico sem prejudicar a qualidade do serviço. Devidamente treinadas, as atendentes passaram a pedir autorização aos consumidores para colocar mais de uma peça de roupa na mesma embalagem. “A aceitação foi ótima”, conta Alessandra. “Conseguimos reduzir o uso do plástico em 20%.” Outra novidade, a sacola retornável feita de garrafas PET é oferecida como brinde a cada dez itens levados para lavar. Em um ano, 5 000 unidades foram produzidas. Um olhar mais atento permite que se note mais uma diferença entre a lavanderia da Vila Nova Conceição e a maioria das lojas do gênero. Lá, os cabides enfileirados nas araras são maiores e mais coloridos que os tradicionais.

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Mudanças verdes: cabides de papelão recicláveis e embalagens que comportam mais de uma peça de roupa (Foto: Fernando Moraes)

Não se trata de modismo, mas dos tais “cabides ecológicos”, confeccionados com papelão certificado. Sobre ele, a logomarca da Lavasecco (ou algum anúncio publicitário) é impressa em uma gráfica que possui certificação de Manejo Florestal Consciente. O gancho, de poliestireno, pode ser reciclado. “Conseguimos tirar de circulação 40 000 cabides de arame e plástico todo mês”, comemora a economista Maria Alzira Linares, proprietária da rede de franquias com onze unidades (apenas uma fora da Grande São Paulo, em Florianópolis). Ela fez carreira no mercado financeiro e trabalhou na diretoria do extinto Banco Noroeste até o início dos anos 90. Determinada a empreender, tornou-se franqueada da rede 5àSec e, terminado o contrato, decidiu montar a própria marca. A Lavasecco surgiu cinco anos atrás e logo começou a operar em sistema de franchising. “Queria poder seguir minha filosofia”, diz. “Meu público-alvo, as classes A e B, está ligado nas questões ambientais.”

A preocupação tende a se expandir para a concorrência. Isso porque a Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel) lançou, no mês passado, o Selo de Qualidade e Sustentabilidade para o setor. “Trata-se de uma certificação adaptada às necessidades do nosso mercado”, explica a administradora Paola Tucunduva, presidente da entidade. “Serão avaliadas questões de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança.” A proprietária da Lavasecco gastou 50 000 reais na implantação das medidas verdes. Seu objetivo para 2011 é conseguir substituir o plástico comum pelo oxibiodegradável, cerca de 30% mais caro. “Se mais empresários adotarem práticas sustentáveis, os custos diminuirão”, acredita.

Fonte: VEJA SÃO PAULO