Livros

Com boas receitas, três lançamentos de livro chegam às lojas da cidade

Obras de Jo Takahashi e Shin Koike, Marcos Bassi e Rita Lobo estão entre as novidades do mercado editorial

Por: Arnaldo Lorençato - Atualizado em

Shin Koike
Shin Koike, no balcão de sushi: um dos autores de "A Cor do Sabor" (Foto: Tatewaki Nio)

Uma pequena e atraente amostra da diversidade da culinária paulistana chega às livrarias neste mês. Estão entre as novidades A Cor do Sabor — A Culinária Afetiva de Shin Koike, de Jo Takahashi e Shin Koike, Carnes e Churrasco, de Marcos Bassi, e Cozinha de Estar: Receitas Práticas para Receber, de Rita Lobo. Em comum, os livros, além de apresentarem receitas, foram escritos por paulistanos de nascimento ou por adoção e estão recheados de histórias saborosas.

A Cor do Sabor
"A Cor do Sabor" (Melhoramentos; 272 páginas; 120 reais) (Foto: Tatewaki Nio)

Com noite de autógrafos marcada para o dia 27 na Livraria da Vila, nos Jardins, A Cor do Sabor surgiu de uma associação do chef japonês Shin Koike, dono dos restaurantes Aizomê e Sakagura A1, com Jo Takahashi, por quase três décadas diretor da Fundação Japão e hoje à frente da empresa Dô Cultural, durante as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, em 2008.

Shin Koike e Jo Takahashi
Shin Koike e Jo Takahashi: parceria afinada (Foto: Dô Cultural/Divulgação)

Autor do ótimo texto, Takahashi define o trabalho como um “livro-conceito” e empenha-se em tratar a gastronomia de Koike como uma expressão de arte. Antes de chegar às catorze receitas reunidas no fim do volume, navega-se por uma coletânea organizada no formato de artigos e bate-papos.

+ Confira receitas dos três livros

No registro biográfico de Koike, fica-se sabendo como ele, filho de um peixeiro e sushiman estabelecido em Kunitachi, na região metropolitana de Tóquio, se tornou cozinheiro de destaque em São Paulo, reconhecido por prêmios como a eleição do Aizomê como o melhor restaurante japonês da cidade em 2008 e 2009 pela edição especial “Comer & Beber” de VEJA SÃO PAULO.

Há também uma versão expressa e preciosa da história da culinária do Japão, o diário de uma expedição gastronômica à Ilha Grande (RJ) e encontros com três personalidades de diferentes áreas artísticas. São conversas com a ceramista Kimi Nii,o cabeleireiro Hideaki Iijima, dono da rede Soho, e o cantor Ed Motta, escolhido porque Koike é muito ligado em música.

As 100 imagens estampadas nas quase 300 páginas do livro foram extraídas de mais de 8.000 fotos realizadas pelo japonês Tatewaki Nio.

Bassi: o segredo dos grelhados em Carnes e Churrasco
"Carnes e Churrasco" (Senac São Paulo; 128 páginas; 99,90 reais) (Foto: Fernando Moraes)

No segundo livro, Carnes e Churrasco, Marcos Bassi, dono de uma das melhores churrascarias da cidade, a Templo da Carne, alinhava sua trajetória profissional. O lançamento está marcado também para o dia 27 na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi. Filho de um alfaiate e nascido no Brás com o sobrenome original Guardabassi, nada teria a ver com os cortes como contrafilé e alcatra não fosse o fascínio que nutria desde criança pelo trabalho de um vizinho açougueiro.

Marcos Bassi
Marcos Bassi: dono de uma das melhores churrascarias da cidade (Foto: Fernando Moraes)

Ainda adolescente, Bassi perdeu o pai e foi vender miúdos pelas ruas do bairro junto com a mãe para ajudar no orçamento familiar. Migrou logo depois para uma banca no Mercado Municipal e, no passo seguinte, comprou um açougue na Bela Vista em 1963, que, batizado de Casa de Carnes Bassi, se tornou uma referência na cidade.

O restaurante que o consagraria como mestre churrasqueiro só surgiria em 1978, no mesmo bairro, onde está até hoje. Nas páginas ilustradas, Bassi ensina o beabá da montagem da churrasqueira ideal, apresenta os apetrechos indispensáveis e demonstra por fotos como selecionar, temperar e grelhar carnes.

Com edição de texto do jornalista Chico Barbosa, é uma publicação para os fãs de churrasco. Só um reparo: embora Bassi seja o criador de cortes como o bombom, bife extraído do mioloda alcatra, não é de sua autoria a fraldinha, embora se afirme isso no livro. Só para ter uma ideia, essa parte do boi foi denominada como carne de primeira em um artigo do jornal O Estado de S. Paulo de 9 de abril de 1952, quando Bassi tinha 3 anos.

Cozinha de Estar
"Cozinha de Estar" (Paralela; 240 páginas; 69,90 reais) (Foto: Gilberto Oliveira Jr.)

Cozinha de Estar, relançamento da primeira aventura editorial de Rita Lobo, é uma ampliação do original de 2004, ilustrado apenas com desenhos. Ao longo desses oito anos, Rita — blogueira, mestre-cuca e ex-dona de restaurante que chegou a ser modelo de sucesso — aprofundou a relação de intimidade com os leitores de seu site, o Panelinha.

Rita Lobo
Rita Lobo: relançamento de sua primeira aventura editorial (Foto: Gilberto Oliveira Jr.)

Assim, a maneira informal dos papos com seus seguidores na internet foi transferida para o livro. Um exemplo: na atual versão de “como arrumar a mesa”, ela dá uma divertida aula ao contar como serviu à francesa os colegas do filho de 10 anos em um almoço “chiquérrimo” no qual ela mesma foi a copeira. Na edição original, as dicas eram mais quadradinhas, na linha “é inadmissível utilizar talheres de inox em um jantar formal”.

Ao folhear o exemplar, é impossível não ficar com fome. Sim, agora há fotos, muitas fotos de comida linda e tentadora. Assim, os leitores têm uma ideia de como apresentar pratos, caso do fettuccine. Trata-se de um guia eficiente para entrar na cozinha e brincar de chef.

Fonte: VEJA SÃO PAULO