Tragédia

Jovem de 17 anos é morto ao brincar de roleta-russa

Garoto de 14 anos fez o disparo contra a nuca do colega em Birigui, no interior de São Paulo

Por: Estadão Conteúdo

Arma
Após fazer o disparo, garoto fugiu e jogou a arma em um rio  (Foto: Latinstock)

Um adolescente de 17 anos morreu com um tiro na nuca, disparado por um colega de 14 anos, durante uma brincadeira de roleta-russa, nesta segunda-feira (6) em Birigui, no interior de São Paulo. Depois do disparo, o garoto entrou em desespero e fugiu, levando a arma e foi apresentado às autoridades com o pai nesta terça-feira (7).

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Três adolescentes de 12, 14 e 17 anos brincavam com a arma, um revólver calibre 38, quando houve o disparo. Eles deixaram apenas uma bala na arma, que foi suficiente para matar David Heverton Barreto Batista, de 17 anos. O rapaz chegou a ser socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros ao pronto-socorro, mas não resistiu.

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De acordo com a versão da polícia, os dois irmãos, de 12 e 14 anos, aproveitaram a ausência dos pais para levar o colega de 17 anos para dentro de casa, no bairro João Crevelaro, e pegar a arma, um revólver calibre 38, que estava carregado. Em depoimento, o garoto de 12 anos contou que o irmão de 14 teria manuseado o revólver, retirando as balas, mas deixado uma no tambor. Ao brincar com o revólver, o tiro teria sido disparado.

Contradições

Segundo o delegado Cristiano de Oliveira Melo, que apura o caso, "o garoto foi apresentado às autoridades nesta terça-feira e contou que passou a noite às margens do ribeirão Baixotes, que fica nas proximidades, e onde ele teria jogado a arma após o disparo". O menor também disse que o tiro foi acidental, teria ocorrido quando ele fechou o tambor da arma.

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O pai do menino, José Fernandes dos Santos, também depôs e contou que a arma era dele. Melo, porém, não acredita nas versões do garoto e do pai. Segundo ele, "a versão do menino conflita com a do irmão e a do pai, com a da mãe, que em depoimento no dia anterior, havia dito que a arma era de um vizinho, chamado William, que pediu para ela guardar o revólver".

O delegado disse que o menino vai responder por ato infracional de homicídio e o pai, por enquanto, pelo crime de omissão de cautela, prevista na lei do desarmamento, que pune com pena de detenção de um a dois anos e multa quem não obedecer cautela necessária para impedir que um menor de 18 anos se apodere de arma de fogo que estiver em sua posse ou propriedade. Sobre as contradições, o delegado disse que continuará as investigações, pois suspeita que possa haver outros fatos omitidos no caso.

Fonte: VEJA SÃO PAULO