Teatro

3 perguntas para... José Possi Neto

Diretor refaz espetáculo 'Emoções Baratas', que estreia na sexta (30) no Estúdio Emme

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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Diretor José Possi Neto, de 63 anos, retorna com musical de 1988 (Foto: Fernando Moraes)

Em 1988, o diretor José Possi Neto, de 63 anos, criou um musical que surpreendeu a cena teatral. Ambientado em um clube de jazz, 'Emoções Baratas' era narrado através dos passos de atores-bailarinos e das canções de Duke Ellington. Mais de duas décadas depois, Possi refaz o espetáculo, que estreia na sexta (30) no Estúdio Emme (o antigo Avenida Club), em Pinheiros, com o objetivo de repetir o impacto.

Por que você resolveu remontar 'Emoções Baratas'? Até poderia ser para ganhar dinheiro, mas não. Eu me pergunto se é porque estou ficando velho (risos). Afinal, no ano passado, refiz 'O Lobo de Ray-Ban' em versão feminina, e agora pego uma peça da mesma época. Mas prefiro acreditar que 'Emoções' tem muito a contribuir para esta fase em que os musicais estão em alta. Ele continua atual e inovador. Tudo ali mostra um raciocínio brasileiro.

O que há de diferente no atual espetáculo? A base das coreografias é a mesma, a dramaturgia continua apoiada na dança e na trilha sonora. Tenhonove atores-bailarinos de formações variadas. Encontrei gente que vai do contemporâneo ao afro, além de duas grandes cantoras, a Bibba Chuqui e a Karin Hils. Na prática, além do elenco, a diferença é que os 110 minutos viraram 75. Hoje, infelizmente, ninguém consegue ficar sentado por duas horas assistindo, por mais dinâmica que seja a encenação.

Com o apogeu dos musicais em São Paulo, foi mais fácil recrutar elenco? Agora existe uma enorme escola de atores para musicais. Se as mulheres sonham em ser modelo e os homens querem jogar futebol, os atores se empenham para encontrar espaço nos musicais. Mas é preciso técnica e interpretação. Ninguém ali faz passinhos de jazz. 'Emoções Baratas' remete ao início da minha carreira, nos anos 70, quando trabalhei com os bailarinos Marilena Ansaldi, Ruth Rachou e Thales Pan Chacon. Nem imaginava que estávamos fazendo um gênero que seria chamado depois de “teatro-dança”.

Fonte: VEJA SÃO PAULO