Vinhos

3 perguntas para... Jorge Lucki

Paulistano especialista em vinhos lançou o livro "A Experiência do Gosto"

Por: Fabio Wright - Atualizado em

Jorge Lucki - 2193
(Foto: Fernando Moraes)

Reconhecido especialista em vinhos, o paulistano — e corintiano, como gosta de enfatizar — Jorge Lucki lançou na última segunda (22) "A Experiência do Gosto" (Companhia das Letras, 399 páginas, R$ 49,00), seu primeiro livro sobre o assunto. A edição reúne 64 textos, baseados nos mais de 400 artigos que ele já escreveu para o jornal "Valor Econômico" desde 2000. Numa prosa elegante e acessível, Lucki aborda tanto os termos “terroir” e “tanino” de maneira didática como discorre, por exemplo, sobre sua paixão pelos vinhos da Alsácia (região vinícola no nordeste da França).

VEJA SÃO PAULO - Qual a sua opinião sobre a qualidade do vinho brasileiro? Jorge Lucki - Não tenho dúvida de que evoluiu, principalmente de 2002 para cá. Os produtores se conscientizaram de que temos o obstáculo do clima tropical, nem um pouco adequado. Aplicaram então técnicas para vencer essa barreira, passaram a trabalhar melhor o vinhedo e conseguiram vinhos de qualidade. Mesmo assim, não temos mais de dez boas vinícolas no Brasil.

VEJA SÃO PAULO - Como você avalia o serviço de vinhos nos restaurantes paulistanos? Jorge Lucki - Também melhorou bastante. Antigamente, nenhum endereço possuía adega climatizada e os copos eram da pior qualidade. Hoje não se vê mais isso. Só que ainda faltam sommeliers de verdade. Eles sabem servir o vinho direitinho, mas poucos têm cultura no assunto, condições de dialogar e discernimento para montar uma carta. Geralmente, o sommelier é um garçom que se especializou em vinhos.

VEJA SÃO PAULO - Alguma dica para ajudar o consumidor na hora de escolher entre tantos rótulos disponíveis em lojas e supermercados? Jorge Lucki - Meu conselho: não compre às cegas. Há um risco muito grande de errar. É importante buscar informações em revistas, internet, guias e ir com uma “colinha” debaixo do braço. Outra coisa: muitos ligam para a “denominação de origem”, mas ela não é garantia. Por exemplo, existem valpolicellas (vinhos produzidos na região do Vêneto, ao norte da Itália) que não servem nem para temperar salada e outros muito bons. E ambos trazem no rótulo DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida). Mais importante que o nome da uva e a região é ter referências sobre o produtor.

Fonte: VEJA SÃO PAULO