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Jards Macalé comemora 70 anos com show gratuito no Ibirapuera

Cantor e compositor carioca repassa pérolas de sua carreira ao lado da banda Let´s Play That

Por: Mayra Maldjian - Atualizado em

Jards Macale
Jards Macale (Foto: Divulgação)

Jards Macalé assina trabalhos preciosos da música popular brasileira. São dele, por exemplo, os arranjos e a direção artística de Transa (1972), obra-prima de Caetano Veloso registrada durante seu exílio em Londres. “Triste Bahia é minha preferida”, comenta. “Ela tem uma forma linda.”

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Daquele encontro, conta, também saiu a parceria inédita “Falou”. Esquecida até então, a canção entra para o repertório do músico carioca neste domingo (10), no Auditório Ibirapuera. Gratuito, o show celebra seu aniversário de 70 anos. “Caetano me deu duas letras para musicar. Uma não consegui fazer. Ele fez, Bethânia gravou e Esse Cara fez um sucesso danado”, lembra.

Carioca do bairro da Tijuca, o músico acrescentou à sua formação erudita elementos do samba, do jazz, da bossa nova, e mais tarde, do rock e da psicodelia. É autor também de Vapor Barato, em parceria com Waly Salomão e eternizada na voz de Gal Costa. “Waly foi preso em São Paulo. Quando saiu do Carandiru, apareceu lá em casa, em Botafogo, com a letra de Vapor Barato. Comecei a musicar e ficou pronta em 20 minutos. Waly estava dirigindo Gal em shows e incluiu o Vapor no repertório. Gal cantou e arrebentou.”

A obra de Macalé dialoga também com outras formas de arte, como o cinema e o teatro. Ele fez trilhas para filmes como Getúlio Vargas, de Ana Carolina, Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos, e para o teatro –ele musicou versos para a peça Os Sertões, de Zé Celso.

Ousado e criativo, Macalé formou uma banda, a Let´s Play That, com os jovens músicos Pedro Dantas (baixo), Ricardo Rito (teclado), Victor Gottardi (guitarra), Thomas Harres (bateria), Leandro Joaquim (trompete) e Thiago Queiroz (sopros), para acompanha-lo nos palcos. “Trocamos informações. Quero ouvir o que eles estão ouvindo. São músicos. Bons músicos. E me atualizam no ofício de ser músico.”

Vanguardista, está contente com o reconhecimento da nova geração, tanto de público quanto de artistas, que comemora o relançamento do primeiro compacto do artista, Só Morto (Burning Night), de 1970, e da estreia do documentário Jards, de Eryk Rocha, que será exibido antes do show. “Enfim, estão me ouvindo. Antes tarde do que nunca.”

Das novas safras de artistas, ele cita de Thais Gulin e Ava Rocha, convidadas do disco “Jards” (2011), e a amiga Adriana Calcanhoto. “Em São Paulo, tem a Alice Ruiz, as Orquídeas do Brasil, banda de moças que trabalhavam com Itamar Assumpção”, completa. “Tem uma geração de músicos e intérpretes que estão submersos, que não se ouvem no rádio ou na TV. No entanto são de ótima qualidade e estão em ação.”

Entre suas grandes referências está Nelson Cavaquinho, o qual homenageou no show A História do Bem e do Mal, realizado na última quinta (7), no Rio. “Nelson é um gênio. Com aquela voz rouca, o violão extraordinário; um melodista, um poeta extraordinário. Para mim é o que existe de melhor na música brasileira.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO