Arte

Aos 94 anos, Jandyra Waters é tema de exposição individual

Quarenta e cinco obras da artistas estarão reunidas na Galeria Almeida e Dale, a partir de quinta (27)

Por: Julia Flamingo

Jandyra Waters
A artista em seu ateliê (Foto: Fernando Moraes)

Vasculhe um bom acervo particular de obras de Alfredo Volpi e será quase certo encontrar trabalhos assinados por ela. Assim como o pintor conhecido pelas bandeirinhas, Jandyra Waters é um dos nomes fortes do construtivismo paulistano nos anos 60 e 70, apesar de não ter se limitado a essa escola. Ao flertar com a arte abstrata, subverteu a corrente da época inserindo entre os borrões figuras mais identificáveis e inovou ao levar sua geometria para fora da tela, em móbiles, caixas e relevos em madeira.“O uso desses materiais alternativos a transformou em uma precursora de linguagens que se disseminaram depois”, diz o colecionador André Mastrobuono, da família proprietária do Instituto Volpi.

A partir de quinta-feira (27), Jandyra ganhará uma exposição individual na Almeida e Dale, galeria dos Jardins que tem títulos de artistas como Fernando Botero, Candido Portinari e Adriana Varejão. Serão 45 peças, nove delas inéditas e outras garimpadas junto a colecionadores (elas estão avaliadas entre 15 000 e 60 000 reais). Das principais, Forma em Expansão, que resume bem seu caráter criativo, é uma só obra composta de cinco telas. A seleção feita pela curadora Denise Mattar não inclui os trabalhos presentes nos acervos do Museu de Arte Moderna (MAM), do Museu de Arte Contemporânea (MAC) e da Pinacoteca do Estado.

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Nascida em Sertãozinho, a 325 quilômetrosda capital, e criada na Vila Mariana, Jandyra vive sozinha em um sobrado numa vila na região do Brooklin. Aos 94 anos, mantém ali seu ateliê, onde pinta “a todo tempo, a toda hora”. O jeito tranquilo com que oferece um café aos visitantes — “Quer um café, nega?” — não deixa pistas da trajetória agitada. Formada em secretariado, fluente em inglês e francês, a pintora partiu para a Europa após o fim da II Guerra, em 1945, a convite de organizações internacionais. A missão era dar assistência a vítimas do conflito. Subiu ao altar com Eric Waters, oficial do Exército inglês, que lhe deu o sobrenome (em substituição ao de solteira, Ramos Garcia) e o único filho (Martin, engenheiro, hoje com 65 anos). Viúva desde 1975, não mais se casou. Diante do computador no qual cataloga metodicamente toda a sua produção, ela se diz animada com a exposição. “Quero que minha obra persista”, afirma.

Galeria Almeida e Dale. Rua Caconde, 152, Jardim Paulista. Telefone: 3887-7130. Segunda a sexta, 10h às 18h; sábado, 10h às 14h. Grátis.

Fonte: VEJA SÃO PAULO