POLÍTICA

Janaína Paschoal: "Não sou a menina pastora e prefiro Pink Floyd"

Nova musa do impeachment, advogada comenta repercussão sobre piadas com seu discurso no Largo São Francisco 

Por: Thaís Reis Oliveira e João Batista Jr. - Atualizado em

Janaína Paschoal
A advogada Janaína Paschoal: 'Fim da República da cobra" (Foto: Marcos Bizzotto/Raw Image/Folhapress)

Na noite da última segunda (4), a advogada paulistana Janaína Paschoal, de 41 anos, fez um discurso inflamado contra o governo do Partido dos Trabalhadores ao falar para uma plateia no Largo São Francisco, centro da capital paulista. Uma das coautoras do pedido de impeachment, ela afirmou que havia acabado a “República da cobra”, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que chamou mais a atenção, no entanto, foi o seu tom exaltado.

Aos berros e gesticulando de forma acintosa, a professora de Direito arrancou palmas do público presente no Largo, mas virou motivo de piada na internet. Em um dos memes, o discurso de Janaína foi substituído pela música The Number of The Beast, do grupo britânico Iron Maiden. "Eu até achei esse engraçado, mas prefiro Pink Floyd e Dire Straits a Iron Maiden", afirmou ela a VEJA SÃO PAULO na manhã desta quarta (6). "Não tive tempo de ver tudo, pois estava em um julgamento, mas o que posso dizer é que muito do que circulou por aí são mentiras", contou Janaína, que não tem Twitter nem Facebook.

 

Em outra chacota virtual, a professora foi comparada com a menina pastora (garotinha que fez sucesso na internet após aparecer pregando para uma multidão em 2006), devido ao tom messiânico e religioso de sua arenga. "Não sou pastora nem faço a criança que as pessoas chamam de 'menina pastora’." 

De família espírita, ela contou à reportagem que também frequenta cultos católicos e evangélicos. "Sou devota de São Jorge, São Miguel Arcanjo e Iemanjá. Só não acredito em duende", declarou. "Se fosse pastora ou mãe de santo, meu pedido de impeachment seria menos sustentável?", questionou.

Para ela, ter falado sobre Deus em seu discurso, mostra que é necessário combater a dissimulação que tomou conta do país. “Mesmo sendo professora universitária, não tenho vergonha de falar de Deus. Acho que é necessário, pois o materialismo, o ardil, a indiferença, a falsidade e a dissimulação tomaram conta do país."

Graduada na USP e dona de um escritório nos Jardins, cujo lema é "sua aflição será nossa aflição" e que tem entre seus clientes o conde Chiquinho Scarpa, Janaína também comentou os boatos de que estaria drogada no momento do discurso no ato pró-impeachment. "Não estava drogada, não estava bêbada. Foi emoção pura porque estou cansada de hipocrisia neste país", contou ela. "Na sala de aula, não sou daquele jeito. Não me arrependo do que fiz."

 

Ao se comparada com a atriz Vanessa Gerbelli, Janaína ganhou status de "musa do impeachment". "Somos, de fato, muito parecidas. Nem mesmo minhas irmãs são tão iguais a mim."

Apesar da conduta incisiva contra o governo, ela afirmou não ter pretensões políticas. "Não sou filiada a nenhum partido e nem pretendo me candidatar a nada. Estou aqui me oferecendo para o bem da nação." Para ela, essas mobilizações na internet demonstram que o PT deve estar com medo. "Finalmente apareceram pessoas que enfrentam Lula."  

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Janaína ressaltou ainda que seria mais importante que o público prestasse atenção no conteúdo de sua fala. “Eu gostaria que as pessoas, antes da forma, pensassem sobre o que eu falei. Ninguém sequer ousou responder o motivo de alguém querer 9,8 milhões de reais (valor relativo ao que a empresa de Lula recebeu de empreiteiras). E a qual senhor o nosso país está servindo. Também não tenho culpa se o próprio ex-presidente disse, em rede nacional, que era uma cobra, uma jararaca.” 

No dia 4 de março, após ter sido levado pela Polícia Federal para prestar depoimento, conduzido coercitivamente na 24ª fase da Operação Lava Jato, Lula disse à militância do PT que a jararaca estava viva: "Se quiseram matar a jararaca, não fizeram direito, pois não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva."

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO