Ele descobriu o Viola

Jair Pereira, um carioca no Corinthians

Técnico colocou o até então 'reserva do aspirante' para jogar a decisão do Paulista de 88 e viu Viola marcar o gol do título

Por: Mauricio Teixeira - Atualizado em

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Jair Pereira, técnico do Corinthians (Foto: Silvio Porto)

Nascimento: Rio de Janeiro-RJ, em 25/5/1946

Período: em 1988 e 1994

Títulos pelo Corinthians: Campeão Paulista de 1988

Mesmo sendo o Corinthians, o time que Jair Pereira dirigia em 1988 chegava à final do Paulistão como zebra. O adversário, Guarani, tinha entre outros Neto e Evair. O título veio com uma dose extra de espírito corintiano. Um gol chorado após um chute errado de Wilson Mano que o novato e magricela Viola desviou para o gol. Jair voltou ao clube em 1994 e ainda deu um vice-campeonato brasileiro para o time.

Depoimento:

“Viola era reserva do aspirante, certo? Aí eu peguei ele mais para compor o grupo, conseguir completar o time no treino. Ele foi treinando comigo e eu fui gostando e achando interessante. Aí na semana do título, eu falei para ele: ‘Você se prepara porque você vai ser titular’. Uma semana antes, ele já sabia que ia jogar. Então ele se preparou. O Edmar, centroavante titular, tinha ido para a Seleção e eu comentei com o Viola: ‘O Edmar está na dele, quer jogar na Europa, é a sua chance’. Eu aproveitei para abrir as portas dos treinos nos últimos dias, enquanto o Guarani fazia treinos secretos. Viola sentiu ali o carinho da torcida, e o time como um todo ganhou confiança. Afinal, com toda a sinceridade, o nosso time era talvez a quarta força daquele campeonato. São Paulo, Guarani e Portuguesa tinham times muito bons. E conseguimos ir à final. No segundo jogo, o Guarani do Neto, do Evair, do Boiadeiro, do João Paulo jogava pelo empate. No final do jogo, eu pensei que precisava colocar o time mais ofensivo com três atacantes. O ataque ficou Paulinho Carioca de um lado, Paulinho Gaúcho do outro e o Viola no meio. Aí o Wilson Mano deu aquele chute que ia para fora, o Viola meteu um carrinho e fez o gol. O detalhe na comemoração é que ele estava com duas camisas. Deu uma para a torcida e ficou com a outra. Quer dizer, além de predestinado, ele estava realmente preparado pois a gente vinha conversando há uma semana.”

 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO