Futebol

Jadson e Alexandre Pato curtem o bom momento em seus novos clubes

Após troca-troca entre São Paulo e Corinthians, jogadores são comemorados pelas duas torcidas

Por: Pedro Henrique Tavares

Jadson
Jadson: assistências e gols decisivos (Foto: Rodrigo Gazaneel / Futura Press)

Pato chegou ao Corinthians em janeiro de 2013, depois de seis anos na Itália, ao custo de 40 milhões de reais. Ele entrou no Parque São Jorge para assumir a vaga no ataque do antecessor Ronaldo, o veterano ídolo que havia se aposentado. No entanto, não confirmou as expectativas. Ficou no banco boa parte da primeira temporada e caiu de vez em desgraça depois de cobrar de forma displicente um pênalti contra o Grêmio na disputa que eliminou os paulistas da Copa do Brasil. Uma trajetória semelhante ocorreu com Jadson. Depois de fazer carreira na Europa, o meia desembarcou por aqui no início de 2012 para assumir posição de destaque no São Paulo. Com desempenho irregular, saiu de campo muitas vezes vaiado no Morumbi. A sina desses jogadores mudaria de forma radical depois de um negócio surpreendente.

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Em 2014, eles acabaram envolvidos em um escambo realizado entre seus clubes. Pato foi para o Tricolor e Jadson, para o Timão. Parecia uma má ideia, dada a rivalidade entre as equipes. Hoje, porém, ambas as torcidas podem comemorar a transação. O atacante se transformou em uma das principais peças do SãoPaulo, que se classificou na última quarta (30) para as semifinais da Copa do Brasil deste ano ao eliminar o Vasco. “Quero ficar marcado aqui pela conquista detítulos”, discursa o jogador. A Fiel explode cada vez que o nome de Jadson é anunciado nos alto-falantes do Itaquerão. O camisa 10 é o artilheiro do Corinthians em 2015 e figura essencial do atual líder do Campeonato Brasileiro. “Vivo no clube a melhor fase da minha carreira”, exulta o meia.

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O novo ídolo corintiano tem anotado muitos gols e se destacado também como “garçom”. No jargão futebolístico, merece esse adjetivo o craque capaz de, com passes preciosos, deixar os companheiros em condição clara de estufar a rede. Pato é igualmente habilidoso, mas sua especialidade é definir os lances, como reza a cartilha dos grandes atacantes. Fora dos campos, o estilo e o comportamento dos boleiros é bastante distinto. Jadson mora em Alphaville e gosta de aproveitar os momentos livres para estar com a família (vive com a esposa, Renata, e os filhos, Mateus e Miguel) e os amigos. Pato costuma estar mais sob os holofotes e já se incomodou bastante com a fama de baladeiro. Ele mora sozinho em um apartamento no Itaim Bibi. Desde o ano passado, namora a atriz Fiorella Mattheis e frequenta o circuito gastronômico paulistano com a companheira.

Alexandre Pato
Alexandre Pato: artilheiro do São Paulo em 2015 (Foto: Marcos Bezerra / Estadão Conteúdo)

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Escambos desse tipo, com final feliz para ambos os lados, são raríssimos entre os grandes paulistas. Em 1984, por exemplo, Pita, considerado o maestro do meio-campo do Santos na época, subiu a serra rumo ao São Paulo. O ponta Zé Sérgio e o volante Humberto seguiram na direção contrária. Pita viveu outra grande fase no novo clube, mas os ex-tricolores não emplacaram na Vila Belmiro. O caso mais famoso do gênero por aqui se deu em 1989. Neto foi do Palmeiras para o Corinthians, onde gastou a bola e entrou para a galeria dos maiores ídolos da história do clube. Em 1990, era o principal destaque do elenco que conquistou o primeiro título brasileiro do alvinegro. Ribamar, por sua vez, nunca confirmou no Verdão a fama de talento promissor. “Tinha muita qualidade, mas a troca acabou repercutindo mal na sua carreira”, opina Neto, que hoje atua no papel de comentarista da Band.

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O troca-troca que envolve Jadson e Pato não emplacou de imediato. Nas primeiras partidas deste ano, o meia esquentava o banco para o uruguaio Lodeiro. O estrangeiro deixou o Parque São Jorge ao aceitar uma proposta do Boca Juniors, da Argentina, o que abriu espaço para o reserva. Os direitos federativos de Jadson pertencem ao Timão, assim como os de Pato. A falta de paciência da torcida e a despesa alta com a manutenção do atacante (800 000 reais por mês) levaram a diretoria da agremiação a emprestá-lo ao Tricolor, que passou a pagar metade do salário do jogador. O acordo vale até o fim deste ano. Os cartolas do Morumbi prometem fazer uma oferta para ficar em definitivo com o atleta. Uma das cláusulas do contrato entre os dois clubes define que Pato só poderá enfrentar o Corinthians se o São Paulo pagar uma multa de 1 milhãode reais. Nos sete confrontos ocorridos entre as duas equipes desde então, isso nunca aconteceu. Jadson, por sua vez, esteve em campo em quatro dessas ocasiões — anotou um dos gols na vitória do Timão pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores 2015, para desespero dos tricolores. Em fevereiro, o meia recebeu uma proposta milionária para se transferir ao futebol chinês. O técnico Tite pressionou a diretoria do clube a segurar o craque por aqui. O contrato de Jadson, que venceria no início de 2016, acabou estendido até agosto do mesmo ano.

JADSON, 32 ANOS

- NO SÃO PAULO (DE 2012 A 2014)

Média de gols: 1 a cada 6 partidas

- NO CORINTHIANS

Média de gols*: 1 a cada 4 partidas* em 2015

(última atualização em 30 de setembro)

ALEXANDRE PATO, 26 ANOS

- NO CORINTHIANS (DE 2013 A 2014)

Média de gols: 1 a cada 4 partidas

- NO SÃO PAULO

Média de gols*: 1 a cada 2 partidas* em 2015

(última atualização em 30 de setembro)

Fonte: VEJA SÃO PAULO