Teatro

IV Festival Ibero-Americano: programação

A partir de segunda (14), São Paulo recebe espetáculos de oito países — a entrada é gratuita

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Sin Fin - IV Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo - 2208
Velatropa Colectivo de Arte, da Colômbia: a montagem "Sin Fin" sobe ao palco na terça (15), às 19h (Foto: Divulgação)

Embora a efervescente agenda teatral paulistana ofereça espetáculos para todos os gostos, são raras as oportunidades de conhecer produções de outros países por aqui. Reunir montagens da Argentina, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Paraguai, México, Portugal e Espanha, portanto, é a principal curiosidade do IV Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo, apresentado no Memorial da América Latina de segunda (14) a domingo (20). A seleção inclui quinze atrações, oito delas vindas de fora, e tem entrada franca. Na noite de abertura, às 20h30 (antes da exibição do musical “Lamartine Babo”, de Antunes Filho), a atriz Maria Della Costa, de 85 anos, será homenageada pela sua contribuição de seis décadas aos palcos.

Entre as companhias estrangeiras, os colombianos da Velatropa Colectivo de Arte trazem, na terça (15), às 19h, a comédia dramática “Sin Fin”, uma abordagem bem-humorada das dificuldades do país. Da Espanha, vem o drama “Yo Mono Libre”, incursão do Teatro Del Temple pelas histórias curtas de Franz Kafka, no domingo (20), às 21h15. Também sobressai o monólogo argentino “Abanico de Solteira”, protagonizado por Andrea Juliá na sexta (18), às 19h. Na programação nacional, vale conferir “As Folhas do Cedro”, escrita e dirigida por Samir Yazbek, que fez curta temporada no ano passado. O drama, cartaz de terça (15), às 21h, centra-se numa descendente de libaneses (papel de Gabriela Flores). À procura da própria identidade, ela revisita o passado do pai (o ator Helio Cicero) por meio da imaginação.

Clique nos nomes das peças abaixo para ver dias e horários de exibição.

  • De Antunes Filho. Linda Morena, Cantores do Rádio e O Teu Cabelo Não Nega são algumas das marchinhas compostas por Lamartine Babo (1904-1963) e entoadas na montagem, que se passa durante os ensaios de uma banda. Só esses temas já garantiriam a simpatia do espetáculo. A costura dramática traz um senhor e sua sobrinha. Misteriosos e até divertidos, eles inicialmente sustentam o fio dramatúrgico. O inacreditável desfecho, no entanto, não só desvaloriza o texto como parece uma solução fácil demais para a história. Com Marcos de Andrade, Sady Medeiros, Adriano Bolshi, Ricardo Venturin e outros. Estreou em 12/11/2009. Dia 27/9/2016.
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  • A peça colombiana é marcada por interferências com o público. Antes mesmo dele estar sentado na sala de teatro, um personagem, que funciona como um eixo condutor entre os diversos fragmentos que compõem a montagem, surge no meio de todos. A marca da Companhia é o uso de objetos com ações simbólicas durante o desenvolvimento da apresentação. Com isso, ela cria uma linguagem que permite falar sobre as dificuldades de seu país e fazer o público refletir sobre a própria existência.
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  • De Samir Yazbek. Dirigida pelo próprio autor, a montagem da Cia. Arnesto nos Convidou traça um belo paralelo entre o drama intimista e uma questão factual da vida brasileira. Uma mulher de 40 anos (interpretação sensível de Gabriela Flores), descendente de libaneses, revisita suas origens por meio da memória e da imaginação. Enquanto procura sua identidade ao reconstituir o passado de seu pai (papel de Helio Cicero) que mal conheceu no Amazonas dos anos 70, ela descobre as relações de servidão e o contexto social e político da construção da Rodovia Transamazônica. Estreou em 23/07/2010. De 10/08/2011 a 29/09/2011.
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  • Grátis / Peças

    Septiembre
    Sem avaliação
    A peça que vem direto da Bolívia conta a história de Gael e Lucia, duas pessoas que descobriram o amor de uma forma diferente. Por circunstâncias da vida, os dois precisaram aprender a cultivar uma relação a distância, mantendo o relacionamento por meio do telefone e da internet. O casal planeja muitos encontros, mas a vida os frustra de uma forma ou de outra. O mundo desses apaixonados está cheio de ilusões, de sonhos e desejos ante a necessidade de preencher o vazio que a ausência física provoca neles.
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  • Doze atores contam a história do compositor carioca Noel Rosa (1910-1937). A proposta do musical dirigido por Dagoberto Feliz é bem-sucedida, principalmente ao reviver o clima dos botequins dos anos 30 em meio à interpretação de Palpite Infeliz, Três Apitos e Feitiço da Vila. São essas canções que costuram a biografia de Noel (Cristiano Tomiossi), desde a infância até a maturidade autoral e a morte. Com Lívia Camargo, Cibele Bissoli e outros. Estreou em 9/4/2010. Até 27/2/2016.
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  • De Leonardo Cortez. A tragicomédia nasceu de uma boa ideia: retratar a paranoia da classe média oprimida pela violência. Na trama, uma reunião de moradores é marcada pela revolta dos participantes. Além de vítimas dos ladrões, eles passam a se sentir ameaçados pela ambição ou ineficiência das empresas particulares de segurança, que têm ali um representante. O texto, no entanto, não evolui — deixa de investir na comédia, como era de esperar, e tampouco se aprofunda numa análise mais sociológica. No elenco há um grande destaque, a atriz Mariana Loureiro. Como Odila, ela faz uma composição trabalhada que vale o ingresso. Estreou em 11/11/2010. De 02/04/2011 a 24/04/2011.
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  • Um apelo apaixonado em defesa do ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia, o espetáculo justifica as ações do personagem, apelando para a ingrata solidão de um poder como o dele. A peça revela um pouco da história do Paraguai e mostra a transformação de um povo trabalhador que foi vítima da crueldade de uma ditadura extrema.
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  • Andrea Juliá, responsável pelo texto e interpretação, faz uma homenagem ao universo de Federico García Lorca, vivendo diversas criações do autor de Granada. Na pele dos várias personagns do escritor, Juliá recita as últimas e solitárias horas desses papeis. A música também cumpre uma função importante, tecendo lembranças como retalhos gastos de memória misturados com poesia.
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  • Vida, morte, saúde e liberdade. Todos esses temas são abordados na peça portuguesa, que faz uso do humor negro para tratar de assuntos que sensibilizam as pessoas. A história do espetáculo “A Humanidade é Feia” se passa em um espaço confinado e de espera onde os personagens estão entre a vida e a morte. A narrativa mostra que a crueldade humana, a infelicidade e o sofrimento que a vida provoca podem nos levar a tomar decisões drásticas e atitudes muito grosseiras.
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  • O espetáculo mostra uma realidade bastante comum e aparências que enganam. Na peça uruguaia, uma mudança de papeis coloca mais tensão em uma situação que já é tensa por si só e uma questão é lançada: até onde estamos dispostos a chegar quando realmente queremos algo?
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  • Carlos e Francisco se conheceram na adolescência, mas durante oito anos essa amizade é afetada por diversas traições de ambos. Os dois personagens entendem a vida de formas diferentes, o que causa diversos conflitos. No final da história, justamente a amizade será o motivo da morte de um deles. Os atores Antonio Rojas e Mario Eduardo D'León têm um retângulo traçado no chão como único elemento cênico. Assim, durante toda a apresentação, eles evocam os lugares onde a história acontece, apostando em um mínimo de elementos para criar a ficção em total cumplicidade com o espectador.
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  • Resenha por Dirceu Alves Jr.: Depois de apostar em Doroteia e Viúva, Porém Honesta, a diretora Eloisa Vitz dirige a tragédia carioca de 1959 centrada em um bicheiro (interpretado por Elam Lima, jovem e loiro, distante do estereótipo do contraventor) que troca a dentadura natural por outra feita de ouro. A história é contada em três versões por uma de suas amantes, dona Guigui (a atriz Rafaela Ferri), depois do assassinato do protagonista, envolvendo o casal Leleco (Marcos Machado) e Celeste (papel de Eloisa). Estreou em 25/09/2010. Dias 24, 25 e 26/08/2012.
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  • A peça é baseada na obra de Kafka "Um relatório para a Academia”, de 1917. Ricardo Joven é o autor e ator que dá vida a Perdro, o Vermelho, um símio que adquiriu a capacidade da linguagem se impondo a uma dura disciplina ao longo de cinco anos. O personagem oferece ao público um incisivo olhar sobre a condição humana por meio da uma visão sarcástica.
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  • Durante cinco anos a Cia. Nova de Teatro fez pesquisas sobre a imigração de povos andinos, tendo como foco as comunidades boliviana e peruana. O resultado aparece na peça “Caminos Invisibles”, que aborda fatos contemporâneos decorrentes desse processo migratório e questões inquietantes sobre uma nova geografia cultural, humana e sociológica na cidade de São Paulo. A perfomance não pretende contar uma história, mas apresentar imagens e sensações para que o público estabeleça relações diretas com o seu cotidiano e com os dias atuais. Até 14/8/2013.
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  • Adaptação de Gaspar Guimarães para textos de Hilda Hilst (1930-2004). Dirigida por Ruy Cortez, a atriz Rosaly Papadopol — premiada pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) em 2009 — reconstitui com garra a vida e a controversa personalidade da escritora paulista Hilda Hilst (1930-2004). Mas o espetáculo perde impacto por não estabelecer uma diferenciação entre a narrativa biográfica e as inserções literárias. Isso exige do espectador um conhecimento prévio sobre a obra de Hilda, coisa que nem todos possuem. Estreou em 08/05/2009.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO