Teatro

"Isso É o que Ela Pensa" mostra uma mulher entre a razão e a loucura

Com Denise Weinberg no elenco, tragicomédia está em cartaz no CCBB

Por: Dirceu Alves Jr.

Isso É o que Ela Pensa - Teatro 2260
Mário César Camargo, Clara Carvalho e Denise Weinberg: realidade mascarada | Crédito: Ligia Jardim

Nas últimas temporadas, o dramaturgo inglês Alan Ayckbourn virou moda na cidade. Depois de “Amigos Ausentes” (2008), “Tempo de Comédia” (2010), “Enquanto Isso...” e “A Serpente no Jardim”, ambas do ano passado, a tragicomédia “Isso É o que Ela Pensa” apresenta-se como mais uma prova de sua habilidade ao criar perfis diversos em situações-limite. Mas de nada adianta um texto ousado e construído em diferentes planos de ação se não houver a compreensão do grupo. A montagem capitaneada por Alexandre Tenório é um exemplo de que bom teatro resulta da comunhão de dramaturgia de qualidade, levada à cena por um diretor seguro e um elenco afinado. E, em meio ao conjunto coerente de oito atores, o trabalho de Denise Weinberg torna-se uma bússola para as propostas da encenação.

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Carioca radicada em São Paulo desde 1987, Denise ficou conhecida pelo rigor na escolha de seu repertório. Mais uma vez, atinge um momento irretocável na pele de Susan, mulher em crise depressiva por não aceitar a realidade. Ela idealiza um marido carinhoso (o ator Francisco Brêtas), um irmão protetor (José Roberto Jardim) e uma filha atenciosa (Clarissa Rockenbach). No entanto, em sua volta vivem pessoas incapazes de lidar com o cotidiano. O marido (Mário César Camargo), já velho, não a compreende, assim como o filho (Eduardo Muniz) e a cunhada (Clara Carvalho), que não faz sequer um café direito.

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Entre a razão e a loucura, Susan mascara a frustração e perde os limites. Acomodada no palco do CCBB, parte da plateia priva da intimidade dos personagens. A opção de colocar o público como se estivesse no jardim da casa de Susan vai além da estética. Leva o espectador a dividir sensações e, guiado pelas metamorfoses de Denise, compartilhar com o ator Mário Borges o papel do psiquiatra encarregado de entendê-la. Marque na agenda: o Teatro Jaraguá recebe no dia 23 outra peça de Ayckbourn, a comédia "Pessoas Absurdas".

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Fonte: VEJA SÃO PAULO