Cursos

Interessados em melhorar a letra buscam escolas de caligrafia

Embora as pessoas escrevem cada vez menos a mão, a escola de caligrafia De Franco atrai por ano 1 000 alunos

Por: Fabíola Tarapanoff - Atualizado em

O advogado Artur Leite Junior, de 25 anos, sonha passar num concurso público para juiz ou promotor. Divide-se entre o trabalho em um escritório, as aulas num curso preparatório e... lições de caligrafia. "Já tirei nota baixa em provas porque os professores não entendiam nada do que eu escrevia", conta. Artur aposta na letra bonita como diferencial, sobretudo, nos exames de redação. "Causa boa impressão no avaliador", diz. Há quatro meses, ele frequenta a De Franco, especializada no ensino de caligrafia. Parece coisa do tempo do Onça. E é. Mas a escola, criada em 1915, segue a todo o vapor em plena era dos computadores. "Recebemos cerca de 1 000 alunos por ano", calcula o diretor, Antonio De Franco Neto. Há quem se matricule com o objetivo de descolar uma segunda fonte de renda, como a professora aposentada Jussara Lourenço. Aos 56 anos, ela acaba de concluir com louvor o curso ? foi considerada a melhor aluna de 2008 ? e pretende dedicar-se ao ofício de calígrafa, profissional que confecciona convites, diplomas e afins. "Quem trabalha bastante consegue ganhar até 5.000 reais por mês", afirma Antonio Ramondetti De Franco, filho de De Franco Neto.

Ramondetti é representante da quarta geração de descendentes de Antonio De Franco, o fundador da escola. Atualmente instalada num casarão em Pinheiros, funcionava originalmente no centro, na Rua General Osório. Ali, o descendente de italianos desenvolveu seu método de ensino, que consiste em cinco aulas individuais por semana, cada uma com 45 minutos de exercícios supervisionados por instrutores. A mensalidade custa entre 185 e 240 reais. Depois de quatro meses, já é possível redigir convites de casamento, mas o curso completo demora dez meses ? pode ser mais ou menos tempo, conforme a dedicação e o talento do estudante. Ao longo destes 94 anos, em que a escola lidou muitas vezes com garranchos, ocorreram histórias inusitadas. Como a enrascada em que se meteu um rapaz da Bahia, que se matriculou num ato de romantismo: queria aprimorar a escrita para mandar cartas à namorada, em sua terra natal. "Ela achou que a letra era de outra pessoa e ficou uma fera", conta. A solução foi ir pessoalmente até a moça, que só acreditou ao ver o amado escrever na sua frente. O grande orgulho de De Franco Neto é ter um de seus trabalhos no Vaticano. Segundo ele, quando o papa Bento XVI esteve em São Paulo, em 2007, a escola criou uma placa com a inscrição Benedictus XVI, em letras góticas. Ao vê-la na porta de seu quarto, o sumo-pontífice teria pedido aos organizadores da visita para levá-la na bagagem. "Antigamente, minha letra era bem feia", afirma ele, que começou a dedicar-se à caligrafia ainda menino, aos 11 anos. "A partir dessa idade, a letra fica mais adulta", diz. "É possível aprender outros estilos."

Escola de Caligrafia De Franco. Avenida Eusébio Matoso, 385, Pinheiros, Tel. 3815-0449/6338. www.profdefranco.com.br.

Cada letra, um perfil

Será que é possível identificar traços de personalidade de alguém com base em seu jeito de escrever? Existe uma técnica que aposta que sim: a grafologia. Consiste na associação de determinados comportamentos ao jeito com que a pessoa se expressa no papel. Letra inclinada para a direita, por exemplo, seria um sinal de extroversão. A forma de ligação das letras representaria a capacidade de se adaptar ao ambiente e a velocidade da grafia estaria relacionada à inteligência. "Analisar as características em conjunto torna o resultado mais preciso", afirma o grafólogo Paulo Sergio de Camargo. Segundo ele, cerca de 6.000 profissionais utilizam a grafologia no dia-a-dia. Em geral, no recrutamento e na seleção de funcionários e na reeducação motora de crianças. Confira alguns exemplos de escrita e seus significados.

Angulosa: não tem inclinação, possui letras iniciais grandes e em forma de laço. Demonstra energia, força e capacidade de liderança. Revela alguém que exige bastante das pessoas com quem se relaciona

Confusa: tem inclinação desigual e torções. Direção das linhas com variações e espaços mal-estruturados. Denota ansiedade, emotividade e preocupações exageradas

Descendente: linhas que se inclinam para baixo representam cansaço, desânimo e depressão. Demonstram também introversão e necessidade de manter sua vida emocional reservada

Caligráfica personalizada: rápida, inclinada para a direita, com boa legibilidade. Indica extroversão, preocupação em se fazer compreender, energia e proatividade

Caligráfica do modo escolar: lenta e legível com espaço normal entre as linhas. Mostra respeito, educação e pouca criatividade

Tipográfica: legível, feita com velocidade lenta. O retoque sinaliza a necessidade de a pessoa conferir o que realiza. Demonstra insegurança e ansiedade

Fonte: VEJA SÃO PAULO