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Inspirada no modelo original, de 1964, Vespa lança nova versão

Com preço estimado em 50 000 reais, a 946 deve chegar ao Brasil até julho

Por: Adriana Marmo, de Potedera

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Um dos maiores símbolos do design e do estilo de vida italiano foi repaginado: a Vespa. As cinco primeiras unidades da 946, apelidada de “gioiello” dentro da fábrica, devem chegar ao Brasil até julho, por um preço estimado em 50 000 reais, com impostos. A 946 renova a MP6, a primeira scooter da marca, lançada em 1946. Nasceu de um simples exercício proposto ao grupo de desenhistas.“Nosso desafio era apenas refletir sobre como seria a Vespa no futuro”, diz Marco Lambri, diretor do centro de estilo da Piaggio, grupo ao qual pertence a motocicleta, ao lado de marcas como Aprilia e Moto Guzzi. “A proposta nunca foi fabricá-la.” Apresentada no Salão de Milão de 2011, o sucesso foi tamanho que decidiram ali mesmo produzi-la em série. “Tivemos de correr muito para adaptar o projeto e as instalações da fábrica e fazer a 946 em escala industrial”, completa.

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De cara, o que salta aos olhos no desenho de linhas limpas é o banco flutuante. Ao corpo de aço foram acopladas peças de alumínio, como os para-lamas e as laterais. “O material define a estética do modelo e também reduz o peso, o que aumenta a sua eficiência. ”A ideia da Vespa não é ser o máximo de potência. Afinal, ela foi concebida para andar na cidade. A novidade na motorização da versão dessa scooter, que ganhou notoriedade ao ser pilotada por Audrey Hepburn no filme A Princesa e o Plebeu, de 1953, é o consumo reduzido de combustível. O fabricante garante que, a uma velocidade média de 50 quilômetros por hora, o veículo percorre 55 quilômetros com 1 litro de gasolina — e com baixo nível de emissão de poluentes. O motor é um monocilíndrico com três válvulas e refrigerado a ar, o mesmo utilizado pelos modelos LX e S da marca.

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A novidade é o painel totalmente digital equipado com o VPM (Vespa Multimedia Platform), que permite a conexão com smartphone. Há também um controle de tração ASR (anti-split regulation) para impedir que a roda traseira derrape — as motos de maior cilindrada têm sistema parecido. Os faróis possuem o mesmo formato daquele que equipava a duas-rodas original, mas agora são de LED. A diferença, entretanto, é que ele vai colocado acima do escudo frontal, e não no para-lama dianteiro. “Ele é tão belo que poderia enfeitar o móvel de uma sala”, diz Lambri. Nas rodas, no lugar dos longos raios em liga leve usados nas versões recentes, optou-se por uma calota clássica. Banco e manoplas fazem valer um dos maiores tesouros do made in Italy: o trabalho com o couro. Para a Vespa, era uma questão de orgulho incorporar essa sabedoria à 946.

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A fábrica fica em Pontedera, a 30 quilômetros de Pisa, na Toscana — a região é famosa pelos vinhos, pelas paisagens e por reunir os melhores artesãos de couro. De lá saem algumas das bolsas mais desejadas do planeta. “Tínhamos de incorporar essa excelência ao nosso modelo”, explica Lambri. Assim como nos supercarros, banco e manoplas levam materiais selecionados, cortados e costurados a mão. A montagem do veículo é feita de maneira igualmente artesanal. Isso explica a produção reduzida. Ao todo, foram fabricadas no ano passado 3 600 unidades da 946. No mesmo período, a Vespa produziu 146 600 unidades dos outros modelos da marca. E, ao proprietário que vai tratar a 946 de fato como joia, a montadora oferece um apoio de madeira e uma capa protetora de Lycra.“O tecido transforma as linhas do veículo em uma autêntica escultura”, afirma Lambri. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO