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Corretoras se destacam com oferta de imóveis descolados

Grupo de imobiliárias vende endereços com vistas incríveis, design assinado e até vizinhos silenciosos

Por: Mariana Barros - Atualizado em

Imóveis descolados
Ana Paula, da Zac: casa ensolarada de 1.200 metros quadrados no Morumbi (Foto: Mario Rodrigues)

É relativamente fácil achar imóveis à venda quando as exigências se resumem a questões de localização e metragem. Tanto grandes companhias do ramo quanto aqueles escritórios de bairro que funcionam atrás de uma portinha podem listar as opções do pedaço capazes de preencher esses requisitos. A coisa se complica quando o comprador está em busca de um endereço com uma vista de cair o queixo. Ou de uma vizinhança pacata. Ou deseja morar em um prédio assinado por um grande nome da arquitetura modernista.

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Axpe: cobertura com ofurô e paredes de vidro no cardápio (Foto: Mario Rodrigues)

Para atender a essas demandas, surgiram na capital quatro imobiliárias que investem no nicho de imóveis de charme, como foram batizados no mercado as casas e os apartamentos com aquele algo a mais que os distingue da grande maioria das ofertas. Pioneira no negócio, a Axpe nasceu em 2002 pelas mãos do publicitário José Cazarin. Além de selecionar os endereços que entrariam na sua carteira, ele investiu no treinamento de profissionais da publicidade, moda e advocacia para que trabalhassem como corretores. Hoje, oferece casas e apartamentos com valores entre 600.000 reais e 24 milhões de reais. “Temos coisas caras, mas não do mercado de luxo: prédios neoclássicos com lustre de cristal no hall não têm nada a ver conosco”, diz Cazarin. Ele vende outros tipos de luxo, como um apartamento vintage em Higienópolis com vista para o pôr do sol e em frente a uma praça ou uma cobertura no Paraíso com paredes de vidro e ofurô na varanda.

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O publicitário José Cazarin (Foto: Mario Rodrigues)

A integrante mais nova do clube é a Special Properties, criada em junho por Marcelo Duque. Além das ofertas disponíveis no site da empresa, muitas das oportunidades são divulgadas na sua página no Facebook, que conta com 17.000 fãs. “Queremos ser para os imóveis o que a antiga Daslu foi para a moda”, ambiciona ele, que reúne 400 endereços. Como estratégia, Duque se refere a cada um dos cinco corretores de sua equipe como personal homes e envia um cartão acompanhado de trufas de champanhe da chocolatière Pati Piva aos donos dos imóveis que gostaria de representar.

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Para manterem o padrão, essas companhias capricham na seleção de ofertas que integrarão seu portfólio. “Saias justas são uma constante”, conta Ana Paula Zacharias, da Zac Imóveis, outra das empresas do setor. “Já houve cliente que saiu inconformado ao ouvir que o patrimônio dele não tem nosso perfil.” Ana Paula entrou na área de uma forma curiosa. Em 2008, chegou a pôr seu apartamento, pertinho do Clube Pinheiros, à venda pela Axpe, mas acabou desistindo do negócio. Hoje, com a própria imobiliária, fatura por ano 15 milhões de reais e orienta os seis funcionários sobre como lidar com os clientes. “Temos muitos fregueses entre sócios de clubes como o Pinheirose o Paulistano”, afirma.

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Casas Bacanas: churrasqueira e forno de pizza ao lado do Parque Villa-Lobos (Foto: Mario Rodrigues)

Uma de suas concorrentes, a fonoaudióloga Monique Tonini deu duro no Hospital das Clínicas por uma década antesde ingressar no mercado. Há dois anos ela é dona da Casas Bacanas, que fatura 10 milhões de reais por ano e conta com oito corretoras. São 200 imóveis representados, a maioria com valores até 4milhões de reais. A principal vitrine da empresa é a página criada no Facebook, com 19.000 fãs. Entre os diferenciais dos endereços, há desde pisos de cimento queimado até projetos paisagísticos assinados por Burle Marx.

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A fonoaudióloga Monique Tonini (Foto: Mario Rodrigues)

Os clientes que procuram o serviço têm o perfil parecido com o do publicitário Fred Guerreiro Saldanha. Ele estava na Europa a trabalho quando achou pelo Facebook da Casas Bacanas o apartamento onde mora. “Não queria um lugar atrofiado”, diz ele, que há dois meses ocupa um apartamento de 280 metros quadrados em Higienópolis com janelas do piso ao teto e estética dos anos 60. “Se é para pagar, que seja por algo bem iluminado, bem localizado e que permita fazer coisas a pé.”

CHEIOS DE CHARME

O que um imóvel deve ter para ser alçado ao posto de objeto de desejo

- Um bom projeto arquitetônico é meio caminho andado, ainda mais se assinado por um figurão modernista. Design de interiores de bom gosto ajuda a tornar os ambientes mais atraentes

- Poucas paredes, garantind oespaços amplos. Há opções de 300 metros quadrados com apenas dois dormitórios, por exemplo

- Ventilação e iluminação generosas são essenciais. Janelas de correr ou que vão do piso até o teto estão entre as soluções mais cobiçadas

- Vizinhança compatível com o estilo de vida do futuro morador é fundamental. O imóvel pode ter boa procura estando tanto no coração do agito de lojas e bares quanto escondido numa ruazinha sem saída

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO