Teatro

“Igual a Você” explora as neuroses de cada dia

Comédia carece de unidade e se aproxima dos humorísticos de TV

Por: Dirceu Alves Jr.

Igual a Você - 2205
Os atores Bia Nunnes, Camila Morgado e Anderson Muller: boas caracterizações em cenas irregulares (Foto: Guga Melgar)

Na década de 80, o besteirol transformou-se em sinônimo de comédia, principalmente no Rio de Janeiro, com espetáculos divididos em cenas curtas que exploravam a versatilidade do elenco. A montagem carioca Igual a Você revisita o gênero por meio de sete textos acerca de paranoia, insônia, síndrome do pânico e ninfomania. Entrosados no palco, Anderson Muller, Bia Nunnes e Camila Morgado sustentam parte da diversão. Falta à peça, no entanto, extrapolar o riso fácil e apresentar unidade entre as situações.

Para aproximar a plateia, o diretor Ernesto Piccolo costura as tramas — escritas por Adriana Falcão, Lícia Manzo, Theréze Bellido, Fernando Duarte, Regiana Antonini e Cristina Fagundes — com depoimentos de anônimos exibidos em um telão. Mas a comédia cresce justamente quando os atores fogem da vida real e investem nas caricaturas.

Fica evidente o empenho deles, sobretudo o de Camila, muito à vontade fazendo o público rir. Exemplo: um painel da TPM e do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), bem explorado pelas duas peruas fora de controle interpretadas por ela e Bia. A caracterização é o trunfo de outra história, sobre hipocondria, com um casal idoso (Camila e Muller) e uma médica (papel de Bia) na fila de um banco. Os demais esquetes tropeçam em dramaturgias previsíveis, semelhantes à fórmula superficial e vulgar dos humorísticos da TV.

AVALIAÇÃO ✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO